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Índice:

  1. TRADIÇÃO ORAL
  2. PENTATEUCO
  3. CRONOLOGIA
  4. POVOS NO A. T.
  5. QUEDA E REDENÇÃO
  6. A VIDA DOS PATRIARCAS



O Antigo Testamento (AT) é a primeira parte da Bíblia cristã e representa uma coleção de textos sagrados fundamentais para o judaísmo e o cristianismo. Composto por 39 livros na tradição protestante e 46 na católica, o AT inclui uma variedade de gêneros literários, como narrativas históricas, leis, poesia, profecias e literatura de sabedoria. Ele narra a história do povo de Israel, desde a criação do mundo, passando pela aliança de Deus com os patriarcas como Abraão, Isaac e Jacó, até a libertação do Egito e a formação de uma nação sob a liderança de Moisés. O AT também aborda temas teológicos centrais, como a soberania de Deus, a moralidade, a justiça e a promessa de redenção futura.

A obra das Tradições Orais do Pentateuco, nos apercebemos de quão rico são estes primeiros livros da Bíblia, onde encontramos diversos estilos literários, como mitos, novela sagas, entrelaçadas por narrativas diferentes, feitas em diferentes épocas confirmado pelos estudos feitos, notamos que a Bíblia transcrita Como temos hoje passou por diversas fases até  chegar a forma de livro. As tradições orais que passavam de geração em geração, demoraram muito para serem escritas. Mesmo quando isso aconteceu, existiram diversos manuscritos separados e divididos rolos   ou pergaminhos, e só muito tempo depois é que tais documentos começaram a fazer um corpo de manuscritos para formar um compêndio literário.

Como a Bíblia sobreviveu a tudo isso, passando por diversas civilizações, culturas e contextos diferentes, passando da forma oral para a forma escrita, é um grande mistério. E surpreendente como chegou até nós com uma sintonia notável.



Tradições no Pentateuco. O que é tradição javista, elohista e tradição sacerdotal? Qual a semelhança/diferança?

Sobre as Tradições Orais do Pentateuco, nos apercebemos de quão rico são estes primeiros livros da Bíblia, onde encontramos diversos estilos literários, como mitos, novelas e sagas, entrelaçadas por narrativas diferentes, feitas em diferentes épocas Confirmado pelos estudos feitos, notamos que a Bíblia transcrita como temos hoje passou por diversas fases até chegar a forma de livro. As tradições orais que passavam de geração em geração, demoraram muito para serem escritas. Mesmo quando isso aconteceu, existiram diversos manuscritos separados e divididos em rolos ou pergaminhos, e só muito tempo depois é que tais documentos começaram a fazer um corpo de manuscritos para formar um compêndio literário.

Como a Bíblia sobreviveu a tudo isso, passando por diversas civilizações, culturas e contextos diferentes, passando da forma oral para a forma escrita, é um grande mistério. É surpreendente como chegou até nós com uma sintonia notável. A despeito de algumas pequenas variações, sua mensagem é clara e única. Tudo isso é realmente um milagre.

Na forma de tradições orais, quatro são as mais conhecidas e divulgadas:

Estas tradições, cada uma com as suas peculiaridades que estudaremos a seguir, formam a base, alicerce e fonte dos homens que escreveram muitos dos livros do AT e todas elas entraram como fontes na composição do Pentateuco.

Segundo Guilherme Vilela (*), esta seria a teoria das quatro fontes apresentada por Hupfeldt em 1853. Sobre isso, Guilherme declara:

“A partir de Herrman Gunkel, em 1910 tem início uma abordagem que reconhece que as narrativas do gênesis tiveram uma longa história de transmissão geralmente oral antes da sua fixação por escrito (formgeschichte). Os relatos orais assumiam formas específicas com a finalidade facilitar a lembrança preservar a memória e os costumes da tribo/povo, devendo ser distinguidos do contexto literário e estudados a partir de seu sitz im leben original. Abordagem histórico tradicional (traditiongeschichte) baseia-se na obra de Gunkel mas enfatiza o sentido dos relatos tradicionais em sua forma e contexto final. Essa abordagem permanece negando a autoria mosaica, atribuindo datas avançadas para o Pentateuco e considerando irrelevante a questão da historicidade das narrativas”.

Levando isto em consideração, podemos entender como estas tradições orais foram super importantes para a Bíblia. Num tempo em que não existia impressa, onde poucos eram os que tinham habilidades suficientes para escrever alguma coisa, as tradições orais portanto foram vitais para que o livro sagrado viesse a existir.

Os estudiosos do assunto declaram que a tradição oral passou para a tradição escrita, somente no século X a.C., no reinado de Davi e depois Salomão. As primeiras tradições, a Javista e a Eloísta, passaram a partir de então, a constar em rolos ou pergaminhos, vindo depois a sacerdotal e posteriormente a deuteronômica a ser também transcrita em épocas menos distantes.



Cada exemplar das Escrituras inicia-se com o Pentateuco, que são os cinco primeiros livros da Bíblia. Os judeus chamam-no “a Lei” ou “Torá”. em hebraico Bereshit. (Torã = Instrução).

O Pentateuco, do grego. é composto pelos cinco primeiros livros da Bíblia. Entre os judeus é chamado de Torá, uma palavra da língua hebraica com significado associado ao ensinamento, instruçào, ou literalmente Lei, autoria é atribuída a Moisés.
Sergio Valentin Grizante
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É provável que o Pentateuco originalmente fosse apenas um livro, dividido em cinco capítulos, que correspondem do livro de Gêneses a Deuteronômio. A separação desses capítulos, que foram considerados como livro, é atribuída aos 72 tradutores de Alexandria. A tradução que ficou conhecida como Septuaginta. (+- 280 aC)

Autor – O Pentateuco é de autoria de Moisés, servo de Deus que escreveu inspirado pelo Espírito Santo. O Pentateuco engloba um período de mais de vinte e cinco séculos (2.500).

A tradição Javista e Eloísta são coleções que foram compostas e transmitidas oralmente e só muito tempo depois, provavelmente, na época da monarquia de Davi e Salomão é que foram escritas.

Javista

Coleção ou código Javista (J), onde predomina o nome de Deus Javé. Tem estilo simbolista, dramático e vivo; mostra Deus muito perto do homem. Teve origem no reino de Judá com Salomão (972-932). A tradição Javista apresenta a história do Paraíso e da queda dos Seres Humanos, o dilúvio, Noé e a vinha, a torre de Babel, a vocação de Abraão e sua viagem a Hebron, e a consciência nacional de Israel que se originou a partir das vitórias de Davi e da prosperidade do seu reinado. Compare no texto hebraico de Gn1,1 aparece: No princípio Elohim criou os céus e a terra”. Na tradução Almeida: “No princípio, Deus criou os céus e a terra” (Gn1,1). No texto em hebraico de Gn 1,1-2,4 Deus é nominado de Elohim, e na sequência em Gn 2,5-18, Deus é nominado e (Iahweh) Javé.

Alguns textos da tradição Javista: Gn 2, 4b – 4, 26; 5,29; 6,1-8; 9,18-27; 10,8-19,25-30; 12; 21,1-7; Ex 11,4-8; 12,21-27; Nm  10,29-32.

Eloísta

O código Eloísta (E), predomina o nome Elohim (Deus). Foi redigido entre 850-750 a.C, no reino cismático da Samaria. Não usa tanto o Sacerdotal (representa Deus à semelhança do homem) do código Javista. Quando houve a queda do reino da Samaria, em 722 a.C para os Assírios, o código E foi levado para o reino de Judá, onde houve a fusão com o código J, dando origem a um código JE.

Deuteronomista

O código Deuteronomista (D) – Deuteronômio (repetição da Lei, em grego). Acredita-se que teve origem nos santuários do reino cismático da Samaria (Siquém, Betel, Dã,…) repetindo a lei que se obedecia antes da separação das tribos. Após a queda da Samaria (722) este código deve ter sido levado para o reino de Judá, e tudo indica que tenha ficado guardado no Templo até o reinado de Josias (640-609 aC), como se vê em 2Rs 22. O código D sofreu modificações e a sua redação final é do século V aC, quando, então, na íntegra, foi anexado à Torá. No Deuteronômio se observa cinco “deuteronômios” (repetição da lei). A característica forte do Deuteronômio é o estilo forte que lembra as exortações e pregações dos sacerdotes ao povo.

Sacerdotal

Tanak:

E um acrónimo utilizado dentro do judaísmo para denominar seu conjunto principal de livros sagrados, sendo o mais próximo do que se pode chamar de uma Bíblia judaica. O conteúdo do Tanakh é equivalente ao A.T. cristão, porém com outra divisão.

O código Sacerdotal ou Priestercodex (P) – vem da palavra alemã: Priester que significa Sacerdote provavelmente os sacerdotes judeus durante o exílio da Babilônia (587-537 aC) tenham redigido as tradições de Israel para animar o povo no exílio. Este código contém dados cronológicos e tabelas genealógicas, ligando o povo do exílio aos Patriarcas, para mostrar-lhes que fora o próprio Deus quem escolheu Israel para ser uma nação sacerdotal (Ex 19,5s). O código P enfatiza o Templo, a Arca, o Tabernáculo, o ritual, a Aliança. Tudo indica que no século V aC, um sacerdote, talvez Esdras, tenha fundido os códigos JE e P, colocando como apêndice o código D, formando assim o Pentateuco ou a Torá, como a temos hoje. A Tradição Sacerdotal (P) caracteriza-se nos escritos pela sua origem a partir de grupos com interesses sacerdotais e legalistas, principalmente do pós-exílio.. Segundo os estudiosos do tema essa tradição foi composta a partir do séc. V antes de Cristo, período do pós-exílio da Babilônia e entra em muitos pormenores a respeito do sacerdócio, sacrifício, festas e culto. Também faz uma descrição minuciosa do tabernáculo e do seu mobiliário, e uma centralização da vida do povo do antigo Israel e do culto em torno do Templo de Jerusalém. Apresenta Moisés mais como um legislador do que um Profeta Libertador.

Alguns textos da Tradição sacerdotal: Gn 1.1-2,4a; 5.1-28; 6.5-9; 13.6.11ss; 16.1.3.15s; 17; 21.3-5; Ex 1.1-5.7.13s; 2.23-25; 6.2-30; 7.1-13,19s; todo o livro do Levítico; Nm 1.10;15; Dt 32.48-52; 54.1.



Para termos melhor compreensão vamos analisar datas mais remotas, abaixo vem em números redondos e são apenas aproximadas, algo incerto. São, contudo, suficientemente exatas para mostrar a seqüência histórica dos eventos e pessoas.

Períodos

Abraão, Isaque, Jacó                          Cerca de 200 anos: 2000-1800 a.C.

Permanência de Israel no Egito          Cerca de 400 anos: 1750-1400 a.C. ou 1300 a.c.

Período dos Juízes                             Cerca de 300 anos: 1400-1100 a.C.

O Reino: Saul, Davi, Salomão ..          Cerca de 120 anos: 1050- 931 a.C

O Reino Dividido                                 Cerca de 200 anos: 931- 722 a.c.

O Cativeiro                                         Cerca de 70 anos: 605- 538 a.c. Período de Restauração                       Cerca de 100 anos: 538-432 a.C.



O grande assunto da Bíblia é a história do povo de Deus morador no país de Canaã. Mas ela é história de muitos outros povos, a quem Deus acompanhou com o mesmo cuidado. A região habitada por eles era a mesma que, hoje, chamamos de Oriente Médio.

Os principais povos que fazem parte da história bíblica são:

Egípcios

Viviam da agricultura nas margens do rio Nilo. Formaram um poderoso império em 3000 a.C.. Tinham vários deuses (politeísmo), mas foram os primeiros a falar de um Deus único (monoteísmo). Até hoje vemos lá pirâmides imensas, construídas com trabalhos forçados para serem túmulos dos faraós (Êxodo 1,11). Por isso, obras públicas imensas e inúteis, feitas com o suor do povo, são chamadas hoje de obras faraônicas.

Cananeus

Viviam em Canaã quando os israelitas conquistaram as cidades e dividiram o país entre suas próprias tribos (Juízes 1,9). Sua religião era ligada à agricultura. Os deuses mais importantes eram Baal, deus da chuva, e Astarte ou Asserá, deusa da fertilidade (Juízes 2,11-13).

Filisteus

Chegaram depois dos israelitas e se instalaram na beira do mar. Tentaram conquistar Canaã (Juízes 13,1). Os israelitas tiveram que organizar um forte exército para defender o sistema de tribos.

Amonitas, moabitas e edomitas

Viviam do lado direito do rio Jordão, como pastores. Ao longo de sua história, fizeram guerras e alianças com Israel. Eram como primos dos israelitas, pois descendiam todos da família de Abraão.

Assírios

Faziam parte de um poderoso império que explorava outros povos através do comércio. Como tinha um exército forte, sempre levava a melhor nos acordos comerciais. Os pobres ficavam cada vez mais miseráveis e a Assíria cada vez mais rica. É parecido com o que acontece hoje entre países ricos e pobres.

Quando um povo se recusava a fazer parte desse jogo, a Assíria invadia o país rebelde e destruía tudo. Em 722 a.C., destruiu o norte de Israel e levou os israelitas para longe. (2Reis 17,3-6).

Babilônios

Pertenciam a um império tão antigo quanto o império do Egito. Viviam na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates que garantiam prosperidade econômica. Babilônia se comunicava com o Egito através de várias estradas.

As principais estradas do Oriente Antigo passavam por Canaã. Por isso, todos os impérios queriam ter o controle político e militar dessa região. Muitas tradições religiosas da Babilônia foram aproveitadas na Bíblia. Por exemplo, as histórias de dilúvio (Gênesis 6-9).

O povo de Deus é o protagonista por excelência da Bíblia. É um povo formado de muitas raças e culturas diferentes; gente de diversas regiões foi chegando e formando um único povo unido por um ideal: terra e pão, igualdade e justiça. Esses povos brigavam muito, mas também se misturavam através de alianças e casamentos. Javé, o Deus da vida, era o ponto de união. Aderir a Javé era o mesmo que aderir à defesa da vida.



Na criação vemos o Deus onipotente, onipresente, onisciente, auto-suficiente, amoroso, verdadeiro e justo criando todas as coisas e operando na queda e redenção do homem (Adão).

Na criação vemos, também, que Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. Isso significa que Deus criou o homem perfeito e santo, e que ele carrega, impresso em seu coração, alguns atributos de Deus. Se cremos em um deus que possui atributos diferentes daqueles descritos na Bíblia, ou até sem algum deles, temos toda a nossa cosmovisão distorcida.

Ao contrário do que diz a teoria da evolução, o homem é um ser criado. Em Gênesis 2:7 diz claramente que Deus criou o homem e usou o pó da terra como matéria-prima para esta criação tão especial. Após fazer o homem do pó da terra, Deus assoprou em suas narinas e lhe deu o fôlego da vida.

Segundo Gênesis 1:24 a 31, o homem foi criado à semelhança de Deus e foi lhe dado o governo sobre todos os animais, plantas e toda a terra.

O propósito de Deus era que o homem fosse santo, assim como Deus é santo, mas o homem pecou e deste pecado resultou corrupção da humanidade e consequentemente a morte. Somos então criados por Deus, mas afastados de Deus por causa do pecado.

Com o pecado e a queda, o homem tornou-se:

Dependente do seu esforço e trabalho para a sobrevivência. A terra foi amaldiçoada e perdeu seu vigor e produtividade por causa do pecado do homem.

Como vimos acima o pecado trouxe um grande prejuízo para o homem, mas Deus em sua misericórdia decidiu resgatar o homem e livrá-lo da condenação do pecado. Para isto, enviou seu único filho, Jesus Cristo, para morrer em uma cruz e pegar o preço dos nossos pecados.

A morte de Jesus foi substituta, isto é, nós somos pecadores e ele justo, então, quando ele vai para a cruz há uma troca: ele sendo justo toma a nossa natureza pecaminosa e a leva para a cruz e ao mesmo tempo nos oferece a sua natureza justa e santa para que perante Deus fossemos justificados de nossos pecados.

Somos responsáveis por nossas escolhas e decisões. Deus por intermédio de profetas, reis, apóstolos e outras pessoas nos deu a conhecer sua vontade e a nossa responsabilidade em cumpri-la. Tudo isso foi registrado por esses homens e posteriormente catalogado em um livro que chamamos de Bíblia.

A Bíblia mostra a provisão de Deus em tudo e ao mesmo tempo mostra que devemos tomar decisões corretas, reconhecer nossos pecados, reconhecer que o sacrifício de Jesus foi em nosso favor e nos aproximar dele com arrependimento e fé.

Em 1Coríntios 6:19-20 diz: “Será que vocês não sabem que o corpo de vocês é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e lhes foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, mas a Deus, pois ele os comprou e pagou o preço. Portanto, usem o seu corpo para a glória dele”.

A Bíblia é enfática em afirmar que o homem é eterno. Eternidade significa que após a morte física as coisas não terminam ali. A ideia de que o cemitério é a última morada do homem é falsa e pode ser usada apenas no sentido material. Após a morte há dois caminhos distintos: céu ou inferno.

Céu — morada eterna daqueles que em vida entregaram suas vidas a Jesus Cristo. Que firmaram sua fé na obra redentora de Cristo e viveram a causa do reino de Deus aqui na terra. Não estamos falando de pessoas perfeitas muito menos de merecedores, falamos de pessoas que creram que pelos méritos de Jesus seriam salvos e viveram de acordo com este propósito.

Inferno — morada eterna do diabo, seus anjos e todos aqueles que em vida rejeitaram a obra redentora de Jesus Cristo.



Começa aqui a história da redenção. Dela houve uma idéia vaga no Jardim do Éden (3:15). Agora, 2.000 anos após a criação e a queda do homem, 400 anos após o dilúvio, numa terra que descambara para a idolatria e a maldade, Deus chamou Abraão para fazê-Ia fundador de um movimento que tinha por objetivo a RECUPERAÇÃO e a REDENÇÃO do gênero humano.

Nessa era pioneira do mundo, enquanto as nações não passavam muito de comunidades tribais, vivendo de explorar e colonizar as regiões mais favoráveis,

ABRAÃO “O pai da fé” citado no Gênesis a partir do qual teriam se desenvolvido as religiões abraâmicas, as principais venentes do monoteísmo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

Abraão, homem justo, crente em Deus, não idólatra, um dos poucos que ainda mantinham a tradição do monoteísmo primitivo, recebeu de Deus a promessa de que seus descendentes:

É interessante observar, aqui, que os primeiros 11 capítulos de Gênesis abrangem cerca de 2.000 anos – tempo aproximado ao de todo o resto da Bíblia. Por que assim o Espírito apresenta os acontecimentos da aurora da História? Pelo fato, como já vimos, em estudo anterior, de ser a Bíblia em primeiro lugar, a história da redenção, ao passo que a história das nações é dependente daquela.

O Espírito passa ligeiramente por todos esses eventos até chegar a Abrão. Aí, detém-se e dedica mais atenção a essa pessoa do que aos 2.000 anos da história humana anterior. A razão é evidente: o pai de todos os que crêem desempenha um papel importantíssimo na história da redenção.

Voltamos ao capítulo 5. Ali chamamos atenção para a genealogia de Noé, iniciada com Adão. Agora, voltando a 11:10-26, verificamos que aquela lista continua. Deus está ainda guardando um registro de antecessores nacionais da “semente da mulher”.

A promessa de Gn 3:15 passou a Abrão. Deus o separou do seu ambiente pagão, e além de promessas pessoais lhe fez as seguintes promessas nacionais e universais (12:1-3):

Em outras palavras, o Redentor prometido em 3:15 viria de uma nação descendente de Abraão. A vida de Abraão é um testemunho de fé, especialmente desde a época em que foi chamado, até quando lhe foi ordenado o sacrifício de Isaque. Sua vida ilustra o tipo de pessoa que recebe a benção prometida (Gn 12:3), e é também uma profecia de que a salvação é pela fé (Gl 3:8; Rm 4).

Neste estudo, apenas para dar um ligeiro esboço da vida desse patriarca. Uma vez lidos os capítulos, os detalhes surgem por si mesmo. Aprendam os seguintes fatos acerca de Abraão:

  1. A chamada para ir a Canaã (12:1-5).
  2. A descida ao Egito e os acontecimentos ali (12:10-20).
  3. A separação entre ele e Ló, e a libertação deste do cativeiro (13:5-11; 14:14).
  4. Sua aliança com Deus e sua justificação pela fé (15:6-18).
  5. Sua circuncisão como sinal da aliança (17:9-14).
  6. O anúncio do nascimento de Isaque (17:15-19;18:1-15).
  7. Intercessão a favor de Sodoma (18:23-33).
  8. Despedida de Hagar e Ismael (21:14).
  9. Seu oferecimento de Isaque (Cap.22).
  10. Sua escolha de uma esposa para Isaque (Cap.24).
  11. Seus filhos com Quetura (25:1-4)
  12. Sua morte (25:8)

ISAQUE Filho da promessa de Deus a Abraão.

Abraão tinha 100 anos quando Isaque nasceu e Sara já havia cessado o período fértil.

Esta promessa (12:2,3;22:18) é a idéia fundamental que na Bíblia inteira tem seu desenvolvimento. Deus primeiro chamou Abraão em Vr, At 7:2A; Gn 11:31. Outra vez em Harã, 12:1-4. Novamente em Siquém, 12:7. Outra vez em Betel, 13:14-17. E duas vezes em Hebrom, 15:5,18; 17:1-8. A promessa foi repetida a Isaque, 26:3,4. E a Jacó, 28:13,14; 35:11,12; 46:3,4.

Parece, de 11:26,32; 12:4; At 7:2-4 que Abraão nasceu quando seu pai tinha 130 anos, e não foi o primogênito, como se poderia inferir de 11:26. Tinha 75 anos quando entrou em Canaã. Contava uns 80, quando livrou Ló e encontrou-se com Melquisedeque. Tinha 86 anos quando Ismael nasceu, 99 quando Sodoma foi destruída. Contava 100 ao lhe nascer Isaque, e 137 quando Sara morreu. Tinha 160 anos quando Jacó nasceu, e morreu aos 175 anos, 115 antes de Jacó migrar para o Egito.

No princípio, o homem tivera UM DEUS; e, no Jardim do Êden, vivera em íntima comunhão com Ele. Todavia, com seu pecado e o banimento, o homem perdeu seu primitivo conhecimento de Deus; e, tateando nas trevas em busca de uma solução para os mistérios da existência, chegou ao ponto de adorar as forças da natureza que lhe pareciam ser as fontes da vida. O sexo, porque era o meio pelo qual a vida se manifestava, desempenhou importante papel na religião babilônica primitiva. Inscrições cuneiformes têm revelado que grande parte da liturgia deles era descritiva de relações sexuais entre deuses e deusas, mediante as quais, criam eles, todas as coisas vieram a existir. Daí também o sol e a chuva e várias forças da natureza serem deificados, por¬quanto deles dependia a vida do mundo. Também os reis, visto que eram po¬derosos, chegaram a ser deificados. Muitas cidades e nações tinham seu fundador como seu deus principal: como Assur, pai dos assírios, tornou-se o deus principal destes; e Marduque (Ninrode), fundador da cidade de Babi¬lônia, tornou-se o deus principal desta. Para que os deuses parecessem ser mais reais, faziam imagens que os representavam; e depois as próprias ima¬gens vieram a ser adoradas como deuses. Deste modo o homem precipitou··se do monoteísmo original no abismo de inumeráveis cultos idólatras politeísti¬cos, alguns dos quais, na prática, eram indiscritivelmente vis e abomináveis.

Ur ficava na terra de Babilônia; e os babilônios possuíam muitos deuses e deusas. Adoravam o fogo, o sol, a lua, as estrelas e várias forças da natureza. Ninrode, que se levantara contra Deus, construindo a Torre de BabeI, depois disso foi sempre reconhecido como a principal deidade babilônica. Marduque era a forma comum do seu nome; mais tarde tornou-se identico a BeI. Chamás era o nome do deus-sol. Sin, o deus-lua, era a principal deidade de Ur, cidade de Abraão. A mulher de Sin chamava-se Ningal. deusa-lua de Ur. Tinha muitos nomes e era adorada em cada cidade como a Deusa-Mãe. Nina era um dos seus nomes, do qual surgiu o nome da cidade de Nínive. Seu apelativo mais comum na Babilônia era Istar. Foi a deificação da paixão sexual; seu culto exigia licenciosidade; a sagrada prostituição, que se praticava nos seus santuários, era costume geral entre as mulheres de Babilônia. Nos seus templos havia câmaras e lugares retirados, atraentes, onde as sacerdotizas mantinham cerimônias ignominiosas com os adoradores. Além dessas sacerdotizas prostitutas, toda moça, esposa ou viúva, pelo menos uma vez na vida tinha de oficiar nesses ritos.

ABRAÃO CRIA EM UM SÓ DEUS

Seus patrícios eram idólatras. Seu pai o era também, Js 24:2. Existem lendas que dizem haver sido Abraão perseguido em criança, por se recursar a adorar ídolos. Como Abraão chegou a conhecer a Deus? Sem dúvida por uma revelação direta do Senhor. Além disto, aceitando os números como se acham nos caps. 5 e 11, a vida de Noé estendeu-se até ao nascimento de Abraão; e a vida de Noé coincidiu por 600 anos com a de Metusalém, enquanto a de Metusalém coincidiu por 243 anos com a de Adão. Assim, Abraão podia ter recebido diretamente de Sem a narração do dilúvio, feita por Noé, e a de Adão e do Jardim do Éden, feita por Metusalém.

A ENTRADA DE ABRAÃO EM CANAÃ

Harã, cerca de 965 km ao noroeste de Ur, 643 km ao nordeste de Canaã, foi o primeiro lugar em que Abraão parou. Saíra de Ur à procura de uma terra onde pudesse edificar uma nação livre da idolatria, e saíra sem saber para onde ir, cf. Hb 11: 8. Mas Harã. já era uma região bem povoada, com estradas para Babilônia, Assíria, Síria, Ásia Menor e Egito, por onde marchavam constantemente caravanas e exércitos. Assim, depois de morto seu pai Tera, Abraão, ao chamado de Deus, passou adiante a procurar uma terra menos povoada , Siquém, primeiro lugar de Canaã onde parou, no centro exato da região, ficava num vale de extrema beleza, entre os montes Ebal e Gerizim. Aí construiu um altar a Deus, mas logo prosseguiu viagem para o sul, continuando na exploração da terra.

Betel, 32 km ao sul de Siquém, 16 ao norte de Jerusalém, foi seu próximo lugar de parada. Situava-se num dos mais elevados pontos de Canaã, de onde se descortinava magnífico panorama em todas às direções. Abraão seguia na direção dos cumes da cordilheira, provavelmente porque o Vale do Jordão, ao oriente, e a planície marítima costeira, ao ocidente, já estavam suficientemente povoadas. Em Betel também levantou um altar, como mais tarde faria em Hebrom e como fizera em Siquém, não só em reconhecimento a Deus, mas igualmente como uma declaração pública de sua fé perante o povo, no meio do qual viera habitar. Ele deve ter gostado de Betel, pois foi aí que ficou ao voltar do Egito, até sua separação de Ló.

Abaixo tópicos demonstrando todo caminho percorrido por Abraão durante sua vida:

A MORTE DE ABRAÃO

Sara morreu aos 127 anos, quando Abraão tinha 137. Depois disso êle ainda viveu 38 anos, e desposou Quetura. Esta lhe deu seis filhos, de quem procederam os midianitas e outros povos vizinhos. Foi com uma midianita que Moisés se casou, 500 anos depois, Êx 2:16-21. De um modo geral, Abraão foi “o maior, mais puro e mais venerável dos patriarcas, reverenciado por ju¬deus, maometanos e cristãos”. “Amigo de Deus”. “Pai dos Fiéis”. Generoso. Altruísta. Caráter magnífico, com ilimitada confiança em Deus.

Nasceram dois filhos de Abraão – Ismael e Isaque. Desses, Isaque foi escolhido para ser herdeiro da promessa. A vida de Isaque é quieta e sossegada e muito diferente da de seu pai. No entanto, sua vida espiritual é como a de seu pai, homem de fé e instrumento de bênção. Notem que a promessa lhe é repetida.

ISMAEL

O Oitavo documento que entra na composição do Gênesis. Ismael foi filho de Abraão e Agar, serva egípcia de Sara, capo 16 de Gen. Os ismae¬litas fixaram-se na Arábia e se tornaram geralmente conhecidos como árabes. Assim, Abraão se tornou pai do atual mundo árabe. A rivalidade entre Isa¬que e Ismael perdurou através dos séculos até hoje, no antagonismo exis¬tente entre judeus e árabes.

A Arábia é uma grande península, 2.413 km de extensão por 1.287 de largura, cerca de 150 vezes o tamanho da Palestina. É na maior parte deserta, com oásis esparsos, espaçada mente habitada por tribos nômades. Já foi, mais do que hoje, regada de chuvas e mais densa¬mente povoada. Variações cIimáticas fizeram diminuir as chuvas, secando os cursos d’água.

ISAQUE

Seis fatos referentes a Isaque:

a) Seu nascimento prometido a Abraão e a Sara (15:4,17-19).

b) Amarrado sobre um altar de sacrifício (22:8).

c) Abraão escolhe uma esposa para Isaque (24).

d) Deus lhe aparece e renova pacto feito com seu pai (25:2-5).

e) Enganado por Jacó (27:18).

f) Sua morte (35:28 e 29).

Isaque é mencionado ao longo da Escritura como o filho de Abraão ou como o segundo dos três patriarcas a quem Deus se revelou por palavras e atos, e com quem estabeleceu e confirmou o pacto da graça. Depois da morte de Abraão,  Isaque assume um lugar mais proeminente, Ele orou, possivelmente durante vinte anos por sua esposa estéril, Rebeca, que por fim deu à luz dois meninos (Gn 25,24-26), Em sua idade avançada, ele abençoou, sem o saber, seu filho mais novo, Jacó, em lugar de seu filho mais velho e favorito, Esaú (27,18-29), Ele permitiu que Rebeca enviasse Jacó a Padã-Harã para buscar uma esposa (27.46-28.5). Ele estava ainda vivo quando, vinte anos mais tarde, Jacó retornou a Canaã (35,27-29).

Em duas passagens proféticas, os “lugares altos” de Isaque (Am 7.9) e a “casa” de Isaque (Am 7.16) estão em posição paralela. No Novo Testamento, Paulo afirma a posição privilegiada de Isaque na qualidade de o descendente prometido, distinguindo-o de Ismael, indicando com isto que Isaque fora escolhido para servir como o agente de Deus para a continuidade (Rm 9,7; cf Gn 25.5a) e preservação da liberdade (Gl 4:21-28).

Notamos quatro aspectos distintos que devem ser mencionados na revelação de Isaque:

1) Isaque era semente de Abraão na qual Deus cumpri sua promessa

2) Era posteridade designada em que como seu pai, haveria de servir em benefícios dos muitos, continuaria a tarefa mediadora.

3) Seu caráter passivo, dócil. Expressava uma qualidade muita necessária da semente messiânica; o papel passivo, a atitude submissa, a predisposição para sofrer silenciosamente, em vez de tomar vingança, são características que a Escritura designa para servir a Deus.

4) Muitos admitem que Isaque, devido seu caráter, filho único e amado, prometido por Deus, é um tipo claro definido de Cristo, é necessário salientar como um símbolo e não um tipo real de Cristo, Isaque demonstram fé e obediência.

Em conclusão, Isaque demonstrou tipologicamente qualidades messiânicas, o ato de ser colocado e amarrado ao altar não deve ser considerado tipologicamente messiânico. Não se diz muito da vida de Isaque, além do incidente com Abimeleque e Rebeca, e da contenda a respeito dos poços. Herdou de seu pai os imensos rebanhos e manadas; prosperou e enriqueceu; homem pacífico, sua vida foi sem novidades. Nascera quando Abraão tinha 100 anos, e Sara 90. Com 37 anos morreu-lhe a mãe. Com 40 casou-se. Tinha 60 ao nascer Jacó, 75 quando Abraão morreu, 167 quando José foi vendido. Morreu aos 180, no ano em que José se tornou governador do Egito. Abraão viveu 175 anos. Isaque, 180. Jacó, 147. José, 110 anos.

De Jacó a Israel

NASCIMENTO DE JACÓ E ESAÚ

Nasceram dois filhos de Isaque: Esaú e Jacó. Esaú foi rejeitado e Jacó foi escolhido como portador da benção (25:23). O caráter desses dois filhos revela-se pela atitude deles ante a promessa (25:29-34). Da linhagem da promessa, todos os filhos de Abraão foram eliminados, salvo Isaque. Dos filhos deste, foi excluído Esaú, sendo Jacó o único escolhido. Com Jacó cessou o processo de eliminação; todos os descendentes déle seriam incluídos na Nação Eleita.

Esaú, primogênito, era o herdeiro natural de Isaque, bem como das promessas feitas a Abraão. Deus, porém, conhecendo as qualidades dos dois homens antes que nascessem, escolheu Jacó para ser o transmissor da preciosa herança, como deu a entender à mãe deles. Esta fez saber isso a Jacó, desde a sua meninice, e assim se explica o procedimento de Jacó para com Esaú.

Acontecimentos importantes na vidfa de Jacóem Gênesis:

a) Compra da primogenitura (27:18-27).

b) Engana a seu pai (27:18-27).

c) Foge para Padã-Arã (27:43…).

d) Tem uma visão e faz um voto (28:20).

e) Negocia com Labão (30:31-34).

f) Luta com o anjo (32:24).

g) Reconcilia-se com Esaú (33).

h) Desce ao Egito e encontra com José (46).

i)Morre e é sepultado (49:33 / 50:13).

Jacó é o verdadeiro pai do povo escolhido, porque lhe nasceram 12 filhos, os quais se tornaram os cabeças das 12 tribos. Jacó era tudo quanto significa seu nome: “suplantador e enganador”. Os laços sagrados da família não foram barreiras para seus ardis, pois seu próprio pai e seu irmão foram vítimas da sua astúcia. Mas, através da escória do pecado, Deus viu o brilho daquilo que tem sido comparado ao ouro puro. Junto ao ribeiro de Jaboque, a graça de Deus travou uma batalha com o patriarca, e nessa luta morre o pecaminoso Jacó, para de sua morte surgir uma nova criatura: Israel, um vencedor de Deus.

Embora os ardis de Jacó para obter a primogenitura de seu irmão, sejam inescusáveis, o seu sincero desejo de obtê-la, demonstrou seu apreço pelas coisas espirituais. Para ele, a primogenitura trouxe a honra de pertencer à linhagem do Messias prometido. Este sincero desejo de Jacó não é visto em seu irmão Esaú, que demonstrou total falta de apreço pelas coisas espirituais, vendendo por um guisado de lentilhas o privilégio de ser contado na genealogia do desejado de todas as nações (Ag 2:7). O tio de Jacó, Labão, foi um instrumento nas mãos de Deus, para corrigir e disciplinar a Jacó. Este, por enganar os outros foi também enganado. “Tudo que o homem semear, isso também ceifará”. Um certo pastor disse: “Para cada Jacó, Deus tem um Labão”.

JACÓ OBTÉM A BÊNÇÃO DE SEU PAI

Jacó havia comprado de Esaú seu irmão o direito de primogenitura. Era necessário agora fazer que seu pai tornasse válida a transferência. E conseguiu isto enganando. Na avaliação da qualidade moral do ato de Jacó, certos fatos precisam ser considerados.

1.  A mãe incentivou-o

2. Ele desejou ardentemente o direito de primogenitura, o que em si era louvável, embora usasse de meios duvidosos para alcançá-lo; porquanto tal direito significava a maravilhosa promessa da bênção de Deus

3. Provavelmente, ele não podia obtê-Ia de outro modo

4. Esaú não lhe dava apreço

5. Jacó pagou caro a sua fraude. O próprio Deus, lançando os fundamentos de gigantescos planos mundiais, Rm 9:10-13, fez sua escolha antes que os meninos nascerem, Gen 25:23

As predições de Isaque. Deus deve ter posto essas palavras na boca de Isaque, visto como se realizaram de maneira admirável. Os descendentes de Jacó realmente alcançaram posição avantajada entre as nações; e o tempo próprio produziram Cristo. Os descendentes de Esaú, os edomitas, estiveram submetidos a lsrael; depois sacudiram o jugo, 2 Rs 8:20-22, e desapareceram da História. A transferência do direito de primogenitura, de Esaú para Jacó, foi ratificada por Isaque: agora confirmada do céu; o próprio Deus assegura a Jacó que daqui por diante ele será o veículo reconhecido das promessas. A escada indicava que as promessas de algum modo culminariam em alguma coisa que ligaria o céu à terra. Jesus declarou-se a escada, Jo 1:51.

Betel foi o lugar onde, 20 anos antes, em sua fuga de Canaã, Jacó vira a escada do céu, e Deus o fizera herdeiro das promessas feitas a Abraão. Agora Deus torna a garantir-lhe que aquelas promessas serão cumpridas. Jacó então passa a Hebrom, residência de Abraão e Isaque. Julga-se que por essa época tinha 77 anos. Tinha 15 anos de idade quando Abraão morreu. Com 84 casou-se. Aos 99 nasceu-lhe José. Tinha 98 quando regressou a Canaã e uns 100, quando do nascimento de Benjamim. Aos 120, Isaque morreu. Com 130 Jacó foi para o Egito. Passou seus primeiros 77 anos em Canaã. Os 20 seguintes em Harã. Depois, 33 em Canaã. Os últimos 17 no Egito. Morreu aos 147.

A ESTADA DE JACÓ EM HARÃ

Harã ficava a uns 640 km ao nordeste de Canaã. Foi onde se criou sua mãe, Rebeca, e donde seu avô Abraão migrara anos antes. Labão era tio de Jacó; este lá esteve durante vinte anos. Foram tempos, de lutas e sofrimentos. Foi-lhe impingida por meio de logro uma esposa que ele não queria, assim como, por meio de logro, conseguira a bênção do pai. Começava a colher exatamente o que semeara. Sua safra foi abundante, GI 6:7.

A FAMÍLIA DE JACÓ

Teve duas esposas e duas concubinas; as quais, com exceção de uma, não quis, sendo obrigado a aceitá-Ia sob circunstâncias infelizes. Delas nasceram-lhe 12 filhos.

Esta família poIigama (cultura da localidade), com muitos fatos vergonhosos contra si, foi aceita por Deus como um todo, para dar início às doze tribos, que se tornariam a nação messiânica, escolhida por Deus para trazer ao mundo o Salvador. Isto mostra:

1 . Que Deus usa os seres humanos assim como são, para servirem aos Seus propósitos, e, por assim dizer, faz o melhor que pode com o material com que tem de operar.

2. Não há indicação de que todos quantos Deus usa serão salvos eternamente. Alguém pode ser útil aos planos divinos, neste mundo, e todavia não ter qualificações para o mundo eterno, no dia em que Deus julgar os segredos dos homens para lhes determinar o destino de maneira final, Rm 2:12-16.

3. Temos nisso um testemunho da veracidade dos escritores da Bíblia.

Nenhum outro livro no mundo narra fraquezas dos seus heróis com tanta sinceridade, e fatos que são tão contrários aos ideais que deseja promover.

O REGRESSO DE JACÓ A CANAÃ

Havia deixado Canaã 20 anos antes, sozinho e de mãos vazias. Agora volta como príncipe tribal, rico em rebanhos, manadas e servos. Deus cumpria a promessa que lhe fizera Gen 28:15. Sua separação de Labão, Isaque ainda vivia. Abraão estava morto, fazia uns 100 anos. Entrava Jacó agora na herança da terra prometida de Canaã. Até aqui Deus estivera com ele através de toda a sua vida agitada. Sentia agora que, mais do que nunca, precisava de Deus. Esaú jurara matá-Iô. Jacó ainda temia. Encontraram-se e separaram-se em paz. Siquém foi o primeiro lugar de parada de Jacó em Canaã, ao regressar. Aí comprou um pedaço de terra e nele edificou um altar a Deus, como se planejasse morar naquele lugar, pelo menos temporariamente. Mas o ato sangrento de Simeão e Levi fizeram-no odiado dos vizinhos. E logo saiu para Betel.

A seguir, no décimo primeiro e último documento da composição do Gênesis, vem a  história da escravidão de José e da migração de Israel ao Egito: foi incorporado, sem dúvida, com registros de famílias, que os israelitas receberam de Abraão e conservaram religiosamente através dos anos de sua permanência no Egito.



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TPA- Trabalho Prática Acompanhada-Conclusão.. 30h

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