10. O Ministério de Cristo e a Nova Aliança
12. Crucificação de Jesus de Nazaré
13. A Morte de Jesus de Nazaré

9. O Ministério Messiânico
O ministério messiânico de Cristo envolve três ofícios: Sumo Sacerdote, Rei e Profeta.
Três sacerdotes, na Bíblia, receberam ofícios sacerdotais diretamente de Deus: Melquisedeque, Arão e Jesus.
1) Melquisedeque: O historiador judeu Josefo fala em sua obra: “História dos Hebreus” bem pouco de Melquisedeque. A informação que temos dele, é esta:
O rei de Sodoma veio até ele (Abraão) no lugar a que chamam de “campo real”, onde 0 rei de Salém, que agora é Jerusalém, 0 recebeu também com grandes demonstrações de estima e amizade. Este príncipe chamava-se Melquisedeque, isto é, rei justo; e ele era verdadeiramente justo, pois sua virtude era tal que, por consentimento unânime ele tinha sido feito sacrificador do Deus Todo-Poderoso. Ele não se contentou de receber tão bem a Abraão, mas recebeu outrossim todos os seus; deu-lhes no meio dos banquetes que realizou, os louvores devidos à sua coragem e virtude e prestou a Deus públicas apes de graças por uma tão gloriosa vitória. Abraão, por sua vez, ofereceu a Melquisedeque a décima parte dos despojos que tinha feito dos inimigos; e este os aceitou.
O autor da Epístola aos Hebreus enfatizou que Cristo é Sacerdote por ser o eterno Filho de Deus, e não devido às circunstâncias de sua humanidade. O seu sacerdócio transcende a questão da descendência terrena, assim como o de Melquisedeque, reconhecido sacerdote do Deus Altíssimo sem nunca ter pertencido à ordem levítica (Gn 14.18-20; II0.4).2)
2) Arão: No tocante ao sacerdócio araônico, está escrito: “… ninguém toma para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Arão” (Hb 5.4). A escolha dele para exercer o sacerdócio não se deu devido ao seu parentesco com Moisés. Foi um ato soberano de Deus. Flávio Josefo — historiador judeu que viveu entre 37 a 103, cujo pai fora sacerdote da linhagem hasmoniana — afirmou:
… Com vós sabeis, Ele quer honrar este Tabemáculo, com sua presença; mas é preciso, antes de tudo O mais, criar O grande sacrificador, aquele que é mais competente, para bem desempenhar esse cargo, afim de que ele cuide de tudo 0 que se refere ao culto divino e lhe ofereça vossos votos e vossas orações. Eu confesso que, se essa escolha tivesse dependido de mim, eu teria podido desejar essa honra, quer porque todos os homens são naturalmente levados a desejar incumbência tão honrosa, quer porque vós não ignorais quantas dificuldades e trabalhos sofri por vosso bem e da república; mas Deus mesmo, quis determinar Arão, há muito tempo, para esse sagrado ministério…”
Os sacerdotes descendentes de Arão conservaram uma genealogia sacerdotal, e, segundo alguns, ela se estendeu desde o ano 350 a.C. até ao ano 70 d.C.
3) Jesus: A ordem sacerdotal à qual Jesus pertenceu não tinha origem nem numa família e nem numa tribo. Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio (Hb 7.14). Portanto, Jesus pertence à ordem sacerdotal eterna e especial, como vemos em vários lugares da Epístola aos Hebreus (2.17; 3.1; 4.14,15; 5.6,10; 6.20; 7.11-28; 8.1; 9.11; 10.21).
No que diz respeito à semelhança com Melquisedeque, as aplicações simbólicas parecem ser estas: Cristo é o Rei-Sacerdote tal como aquele (Gn 14.18; Zc 6.12,13); Cristo é o Rei justo de Salém ou Jerusalém (Is 11.5); Cristo é o Rei Eterno, não havendo registro de seu início no tempo (Jo 1.1; Hb 7.3). Nunca tendo sido nomeado por homem algum para o seu ministério (SI 110.4; Rm 6.9; Hb 7.23-25) e como o mesmo também não terá fim, assim Ele não teve “…princípio de dias nem fim de vida”, conforme é dito acerca de Melquisedeque. Portanto, embora a obra de Cristo tenha seguido ao padrão do sacerdócio araônico, a alusão a Melquisedeque fala sobre sua autoridade real, sua eternidade e a natureza perene de sua obra.
— Cristo como Rei dos reis
Observando-se as regras naturais da realeza, a criança nasce príncipe e depois se torna rei. Mas a realeza de Jesus é sem igual, especial. Ele já nasceu Rei: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus?” (Mt 2.2). O próprio Senhor, quando argüido por Pilatos sobre a sua origem monárquica, respondeu-lhe: “Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci…”(Jo 18.33,37).
— Cristo como Profeta
A promessa de que Deus levantaria um Profeta semelhante a Moisés teve cumprimento em Cristo (Dt 18.18). As Escrituras do NT afirma que Jesusfoi varão profeta, poderoso em obras e palavras (Lc 24.19), assim como fora Moisés (At 7.22).
Obras. A sua função divina como Profeta está associada às suas predições e aos seus milagres. Jesus era poderoso em obras e realizou muitos milagres: ressurreições (Lc 7.11-I6; Mt 9.18-26; Jo 11.32-44; Mc 16. 9-11); expulsões de demônios (Mc 1.23-26; Mt 12.22-23; 8.28-34;9.32-35; 15.22-28; 17.14-21); curas (Jo 4.46-54; Mt 8.2-4,14-17;9.1-8; Jo 5.1-16; Lc 6.6-10; 7.I-I0; Mc 5.25-34; Mt 9.27-31; Mc7.32-37; 8.22-26; Jo cap.9; Lc I3.II-I7; I4.I-6; I7.II-I9; 18.35- 43; Mc 10. 46-52; Lc 22.50-51); suprimentos (Jo 2.I-II; Lc 5.I-I I; Mt 14.15-21; 15.32-39; 17.24-27; Jo 2I.6-I4); outros (Mt 8.30-32; 21.18-21; Lc 4.30; Mt 8.23-27; Mc 6.51; Mt 14.28-31; Jo 18.4-6; Mt 14.25-26; Mt I7.I-I4; etc.) .
Jesus “…operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, fora escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.30-31).
Palavras. Jesus também era um Profeta poderoso em palavras: “E entrando em Jerusalém, toda a cidade se alvoroçou, dizendo: Quem é este? E a multidão dizia: Este é Jesus, o Profeta de Nazaré da Galiléia” (Mt 21.10-11). A palavra “profeta”’ é grega e significa “aquele que fala por alguém”. No Antigo Pacto, quando se queria invocar a autoridade da Lei, mencionavam-se “Moisés e os profetas” (Lc 16.29; 24.27). Com a vinda de Jesus, o Profeta, mudou-se essa terminologia. Agora, os profetas são mencionados ao lado dos apóstolos de Cristo (cf. Lc 11.49; Ef 2.20).
10. O Ministério de Cristo e a Nova Aliança
Sua devoção como Obreiro. Jesus, como pessoa humana, se interessava profundamente pelas coisas de Deus. Quando ainda tinha doze anos, interrogado por sua mãe sobre qual o motivo que o levara a ficar ali no Templo, Ele respondeu: “Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?” (Lc 2.49).
1) Jesus orava e jejuava (Mt 4.2)
Ele nasceu (Hb 10.5-7), viveu (Hb5.7) e morreu orando (Lc 23.46). No Céu, continua orando (Rm 8.34). Em algumas ocasiões, começava o dia orando. (Mc 1.35). Durante seu ministério terreno, o Senhor Jesus orou sem cessar (Mt 11.25-26; 14.19; 15.36; 23.34,46; 26.44; 27.46; Lc 3.21; 6.12-13; 21.32; 22.17-20; Jo 11.41-42; 14.16; cap.17).
2) O Senhor freqüentava o Templo e as sinagogas
Quando estava em Jerusalém ou em uma outra localidade perto dali, ia com freqüência ao Templo. Quando se encontrava um pouco distante da Casa de Deus, tinha o costume de ir a uma sinagoga (Lc 2.21-27,42-46; 22. 53; Jo 2.13-17; 5. 14; 7. 14, 28; 8. 2; 10. 23; 11.56; Mc 1.21-23; Lc 4.16;6.6; 13.10). Quando ia ao Templo ou às sinagogas, ensinava a Palavra aos que ali estavam. Ele curava os enfermos, expulsava os demônios.
3) Jesus lia as Escrituras
Ele não só as lia; era, também versado nelas. Sempre que fazia uso da Palavra de Deus. (Lc 4.17)
4) Jesus mestre e senhor
—Jesus; O Apóstolo (Hb 3.1b). No grego, esta palavra significa embaixador ou um enviado. Entretanto, existem outros sentidos quando se aplica o termo para a pessoa e para o oficio. Pode significar mensageiro.
—Jesus; O Profeta (Mt 21.11b). A idéia de que Jesus era um grande Profeta tinha se propagado entre o povo. (Lc 7.16).
—Jesus; O Evangelista (Lc 4.18). Encontramos no Novo Testamento o Senhor Jesus desempenhando essa importante função, a de evangelizar os pecadores. (Ef 2.17). Em outras passagens, vemos esse grande Evangelista itinerante pregando em todas as partes (Mt 4.17,23; Mc 1.38,39).
—Jesus; O Pastor (Jo 10.11). Como Bom Pastor, Ele cuidava de suas ovelhas como nenhum outro. No Novo Testamento, esse título, vindo do Antigo Testamento, é transferido para nosso Senhor Jesus Cristo (Hb 13.20; 1Pe 2.25; 5.4; Ap 7.15,17).
—Jesus; O Mestre (Jo 3.2). Nas páginas neotestamentárias, Jesus aparece como o Mestre vindo de Deus e em inúmeras ocasiões foi chamado de Rabi, que quer dizer mestre, até por seus inimigos (Mt 8.19; 12.38; 17.24; 19.16; 22.16, 24,35). Seus discípulos também o chamaram de Mestre (Mt 26.18, 25,49; Mc 5.36; 9.5,17,38; 10.17,20,51; 11.21; I3.I; Lc 8.45; Jo 1.49; 3.2) e de Rabboni (Jo 20.16).
—Jesus. O Diácono. “…qual é o maior: quem está à mesa, ou quem serve? Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve” (Lc 22.27). Servir, no original, é cognato de diácono.
11. Jesus Rumo à Cruz
A cruz é um dos símbolos do Cristianismo. De acordo com a fé cristã, através da morte de Jesus na cruz e da ressurreição. Alguns anos depois da crucificação de Jesus, os Romanos baniram esta forma de punição, por consideraram que era muito cruel.
A semana de sua morte
A sua ida a Betânia deu-se seis dias antes da Páscoa, que Ele deveria celebrar pela última vez neste mundo. Ali, no domingo, teve os seus pés ungidos (Jo 12.1-7). Depois, na segunda-feira, ocorreu a sua entrada triunfal em Jerusalém e a purificação do Templo (Mt 21.1-17). Ainda nesse dia, Ele amaldiçoou uma figueira (vv. 18-22).
Ainda em Jerusalém, na terça, ensinou no Templo e no monte das Oliveiras (Mt 21-26); dirigiu-se nesse mesmo dia a Betânia, onde teve a sua cabeça ungida (Mt 26.6-13; Mc 14.3-9). Na quarta, em Jerusalém, houve uma conspiração contra Ele (Mt 26.14-16; Mc 14.10,11; Lc 22.3-6). Na quinta, em Jerusalém, na última Ceia (Mt 26.17-29; Mc 14.12-25; Lc 22.7-20; Jo 13.1-38), conforta seus discípulos (Jo 14.1; 16.33); ora por si e por eles, no Getsêmani (Mt 26.36-46; Mc 14.32-42; Lc 22.40-46; Jo 17.1-26).
Chega a sexta-feira, o dia de sua morte. Em Jerusalém, Jesus é preso e julgado (Mt 26.27,26; Mc 14.43-15.15; Lc 22.47-23.25; Jo 18.2-19.16), crucificado, no Gólgota (Mt 27.27-56; Mc 15.16-41; Lc 26-49; Jo 19.17-30), e sepultado no Gólgota (Mt 27.57-66; Mc 15.42-47; Lc 23.50-56; Jo 19.31-42).
Jesus celebra a Páscoa
Na quinta-feira à noite, Jesus celebrara a Páscoa com os seus discípulos. Ele fizera questão de dizer-lhes que aquele ato encerrava um período e dava início a outro “a primeira Páscoa”, celebrada pela primeira vez em Israel, na noite em que morreram os primogênitos do Egito, marcou um novo começo para Israel. A Ceia ministrada por Melquisedeque, que havia sido realizada há mais de dois mil anos, e a Páscoa, há mais 1.500 anos, tinham o mesmo sentido: apontavam para o Calvário.
Jesus no Getsêmani
Terminada a Páscoa e tendo cantado o hino, Jesus foi para o monte das Oliveiras (Mt 26.30b), localizado no leste de Jerusalém, do outro lado do vale de Cedron. O Getsêmani tem, hoje, a mesma aparência que tinha há vinte séculos. Cidades e civilizações se sucederam, mas o jardim conservou-se quase o mesmo dos tempos de Jesus.
Sua solidão
Alguns psicólogos enumeram cinco tipos de solidão, e todas elas foram vividas por Jesus no Getsêmani:
1) Solidão opcional. Há pessoas que, por opção, circunstâncias ou um outro motivo, vivem sozinhas.
2) Solidão da sociedade. Ê vivida por alguém que nunca recebe uma única carta; jamais ouve uma palavra de encorajamento; nunca recebe o aperto de mão de um amigo.
3) Solidão do sofrimento. Algumas pessoas são vítimas de acidentes ou doenças que lhes deixam imóveis para o resto da vida. Outras foram aprisionadas e cumprem prisões.
4) A solidão da tristeza. Vem através de diversas maneiras: isolamento ou rejeição (do superior ou do subordinado) por falta de comunicação (cf. 1Tm 6.18; Hb 13.16); perda de um ente querido; um ideal que não se concretizou de acordo com aquilo que se esperava; depressão; tristeza; solidão do pecado.
Sua agonia
Nesse estado, Jesus orou três vezes ao Pai, dizendo estas palavras: “Pai, se queres, passa de mim este cálice, todavia não se faça a minha vontade, mas a tua…”, e posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão” (Lc 22.42-44).
Sua prisão
Ao Getsêmani chegou Judas com os servos do sumo sacerdote, a fim de entregar-lhes o seu Mestre (Mt 26.47; Mc 14.44; Lc 22.47; Jo 18.2-3). Nesse jardim, o Senhor foi preso, sendo levado à casa de Caifás e condenado, no dia seguinte, à morte.
Seu julgamento
Preso, o Senhor foi conduzido ao Sinédrio — uma forma helenizada da palavra grega synedrion, ―assembléia, composta pela Suprema Corte Judaica, composta por setenta membros, e um presidente, na maioria das vezes o sumo sacerdote, chamado de Nasi. Para os rabinos, o Sinédrio foi criado por Moisés quando recebeu ordem de Deus para fazê-lo (Nm 11.16,24). O Sinédrio era, ao que tudo indica, um organismo da classe alta. Era com- posto, na maior parte, de membros da nobreza e dos mais elevados sacerdotes do Templo, identificados, quase sempre, com o grupo dos saduceus. O Talmude faz uma referência clara ao Sinédrio como sendo o Tribunal dos Saduceus.
O julgamento de Jesus teve sete fases importantes: três eclesiásticas, três civis e uma divina.
1) Julgamentos eclesiásticos: diante de Anás, Caifás e Sinédrio (Jo 18.13,24; Mt 26.57).
2) Julgamentos civis: diante de Pilatos, de Herodes e de Pilatos outra vez (Jo 18.28; Lc 23.7,11).
3) Julgamento divino: diante do Pai (Gl 3.13; Is 53.6; Dt 21.23.
Sua condenação
Os fatos de Jesus ter sido entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus e a condenação ter sido preparada pelos judeus com antecedência tornaram impossível a sua absolvição em qualquer das estâncias que passou. Mesmo havendo os esforços de Pilatos e de sua mulher (Mt 27.19) para que Jesus fosse solto os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o! (Jo 19.6).
Sua partida para O Gólgota
Assim se deu a sua partida para o lugar chamado Gólgota (Caveira)(Jo 19.17). O nome Calvário talvez se derive do formato que esse lugar tem; seu aspecto físico, na sua parte frontal, parece com uma caveira. Ou, segundo Jerônimo, o nome origina-se do fato de vários corpos terem sido vistos ali insepultos.

Gólgota (Calvário ou Gólgota) é a colina na qual Jesus foi crucificado e que, na época de Cristo, ficava fora da cidade de Jerusalém.
12. Crucificação de Jesus de Nazaré
O episódio do horto das Oliveiras é recordado com muita vivacidade em Hb 5.7-10. É dito aí que Jesus foi atendido; não no sentido de que tenha sido dispensado do cálice, mas pelo fato de pedir, acima de tudo, que se fizesse a vontade do Pai.Esta petição se cumpriu, dando a Jesus mais do que a isenção do cálice; o Pai o fez, através da Paixão e da morte, o Senhor da vida e da morte. “E, quando chegaram ao lugar chamado a Caveira, ali o crucificaram…”(Lc 23.33; Is 53.7); ali o crucificaram, cravejando suas mãos e seus pés como anunciara Davi (SI 22.16).
Local da Crucificação
O Gólgota não é um grande monte. Trata-se de uma elevação no formato de uma caveira ao lado norte do Portão de Damasco. Para os cristãos, é esse o verdadeiro local da crucificação e ressurreição de Jesus Cristo, conquanto haja duas versões no tocante ao local onde nosso Senhor, foi crucificado e sepultado.
1) O Gólgota – Em 1833, o general inglês Charles Gordon, a observar um montículo rochoso que se parecia a um crânio, sugeriu sua identificação com o verdadeiro Calvário. A presença de um túmulo cortado na rocha, bem próximo ao lugar, que, ao que parece, data do século I, ajudou a reforçar a idéia de que, de fato, se trata do sepulcro novo onde Jesus Cristo foi sepultado. O tipo de túmulo, usado por judeus ricos, consistia de duas câmaras: a primeira servia como lugar de reunião dos enlutados, e na segunda era colocado o corpo do defunto sobre uma espécie de plataforma cortada na rocha.
2) A Igreja do Santo Sepulcro – Outro local onde teriam ocorrido a crucificação, foi construída, em 326, a Igreja do Santo Sepulcro.
Esse lugar, também chamado de Calvário, é uma grande rocha que se eleva a quinze metros da superfície do solo. Nesse mesmo local, em 135, Adriano, querendo apagar toda e qualquer lembrança das religiões judaicas e cristã, mandou erigir um templo romano dedicado a Júpiter. Em 326, o templo de Adriano foi demolido pela rainha Helena, mãe de Constantino, e em seu lugar foi erigido uma basílica.
Esse monumento de Constantino foi destruído no ano de 614 pelos persas; e, depois, reconstruído em proporções reduzidas pelo Abade Modesto. O monumento foi novamente destruído pelo Califa Haken, em 1009, e restaurado em 1048, por Constantino Monômaco. A Igreja atual tida como o local do Santo Sepulcro foi erigida em 1149.
Acontecimento da crucificação
A morte por crucificação era indescritivelmente horrível. Como Cícero, o orador e político romano que a tinha presenciado muitas vezes, disse, “era o mais bárbaro e selvagem dos castigos”.“Que ele nunca se aproxime do corpo dum cidadão romano, nem do corpo, nem mesmo dos pensamentos, dos olhos, ou dos ouvidos”. Era reservado para os escravos e para os revolucionários cujo fim se quisesse cobrir de uma desonra.
Para os romanos (e até para os judeus) nada mais fora do natural e mais revoltante do que suspender um homem vivo em tal posição. De acordo com Flávio Josefo, essa forma ignominiosa teve a sua origem inspirada pelo costume de se pregar em estacas, num lugar exposto, os animais daninhos, de modo a servir a um tempo de punição para eles e de divertimento para os assistentes. Era uma morte aflitiva. A vítima, em geral, durava dois ou três dias, sentindo nas mãos e nos pés dores insuportáveis produzidas pelos cravos, torturada pelo entumecimento das veias e, pior do que tudo, uma sede abrasadora, que aumentava constantemente. Era impossível deixar de mover o corpo, a fim de obter alívio a cada nova atitude da dor, mas cada movimento trazia uma nova e cruciante agonia. Era necessário aquele grito de dor que partiu do recôndito de uma alma imaculada (Lm 1.12).
A cruz
Paulo gloriava-se na cruz de Cristo cf. Gl 6.14. A cruz de nosso Senhor é o ponto central de toda História. Cristo foi desamparado para que nós fôssemos amparados; ferido para que fôssemos sarados! No seio da igreja cristã, quando se falava da cruz, era falar da significação de sua morte. Por isso, o Novo Testamento não dirige maior atenção às dores físicas que Cristo sofreu no madeiro, e sim para a ignomínia desse suplício.
Para os gregos e romanos era a morte infamante de escravos criminosos, que a gente decente nem sequer mencionava; para os judeus, era sinal da maldição de Deus sobre o réu, separado do seu povo (cf. Hb 13.12). Cristo Jesus, pois, suportando o suplício da cruz, desprezou a ignomínia (Hb 12.2) e deu a medida da sua obediência (Fp 2.6-8).
Para nós, que cremos em Cristo, a cruz é a fonte de toda vitória. Através dela seremos também vitoriosos em cincos aspectos: sobre a morte (1Co 15.56,57); sobre o eu (Gl 2.20); sobre a carne (G1 5.24); sobre o mundo (Gl 6.14); sobre satanás (Gl 2.15).
O apóstolo Paulo falou da eficácia da obra de Cristo na cruz da seguinte forma como poder de Deus cf. 1Co 1.18. Isso significa que, pela morte na cruz, Jesus trouxe eterna salvação àqueles que, em qualquer tempo ou lugar, o aceitam como Salvador e Senhor. Quando cruz de Cristo foi levantada, a sua mensagem se tornou eterna! E, como a cruz aponta para várias direções, isto é, para cima, para baixo e para os lados, assim é a mensagem da vitória de Cristo na cruz: dirigida para todos os lados e também para o tempo e a eternidade (Jo 3.14-16).
A inscrição sobre a cruz
Pilatos, ao mandar preparar a cruz para Jesus, lembrara-se de que era costume romano colocar uma descrição do crime do condenado acima de sua cabeça ou em seu pescoço. No caso de Cristo, a inscrição foi colocada acima da cabeça, a fim de que todos que passassem pudessem ler a frase, escrita em hebraico, grego e latim: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS”.
Alguns teólogos afirmam que cada evangelista registrou uma parte do título completo: “JESUS NAZARENO, REI DOS JUDEUS” (cf. Mt 27.37; Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19). Este título teria sido escrito pelo próprio punho de Pilatos (Jo 19.22) e estava, sem dúvidas, colocado na parte vertical da cruz onde se encontrava a cabeça do Senhor. Aquela inscrição foi escrita nas línguas mais importantes daqueles dias, hebraico, grego e latim.
— 1) O hebraico indicava o lugar onde o suplício se consumou; era a língua da revelação, dos oráculos sagrados, pela qual Deus fez conhecidas suas boas novas ao mundo. (O aramaico um hebraico modificado, era apenas o vernáculo para os palestino)
— 3) O grego relacionava-se á grande turba helenista que veio para a Páscoa; era a língua da beleza, do comércio, da filosofia e da sabedoria.
— 4) O latim dizia respeito à majestade do Império Romano; era a língua da lei, do direito, da administração e dos documentos oficiais do império.
13. A Morte de Jesus de Nazaré
Chega, pois, a hora do Cordeiro de Deus expirar. Mas, antes disso, Ele pronuncia sete frases.
As 7 palavras (ou frases) da cruz
As três primeiras demonstram preocupação pelos outros, as outras três relacionam-se com o seu sacrifícioe a última mostra que Ele voluntariamente rendeu o espírito.
- Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem‖ (Lc 23.34).
- Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso (Lc 23.43).
- Mulher, eis aí o teu filho… Eis aí tua mãe (Jo 19.26,27).
- Eli, Eli, lamá sabactani (Mt 27.46-45)
- Tenho sede (Jo 19.28)
- Está consumado (Jo 19.30)
Céu, Terra e reino das trevas, em silêncio profundo, aguardavam o momento em que a espada aguda da Justiça divina imolaria o Cordeiro. E Jesus olha para o mundo que tanto amou e, em seguida, contemplando o Pai, pronuncia a última palavra: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23.46).
Fatos sobre a sua morte
Sangue e água jorraram de Jesus após a sua morte.
Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água (Jo 19.34). O soldado romano talvez tivesse em mente atingir o coração de Jesus no local chamado septo, onde se localizaria a alma, segundo uma crendice da época. Mas a lança teria atingido o pericárdio[1]. As informações que vieram dos soldados que tencionavam quebrar as pernas de Jesus, bem como o laudo feito pelo centurião que Pilatos enviara, confirmaram que realmente Ele estava morto (Mc 15.44-45; Jo 19.32-33).
Alguns fatos sobre a crucificação de Jesus chamam a nossa atenção.
1) O Pai teve de abandoná-lo.As palavras “Eli, Eli, lamá sabactani”; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste — Jesus pronunciou antes de entregar o espírito ao Pai (Mt 27.46), apontam para o momento fatal em que o aguilhão do pecado, a morte, atingiu o Filho de Deus.
2) Ele mesmo entregou a sua vida.Em Isaías 53 mostra o mais impressionante relato sobre a morte sacrificial de Cristo. Cada versículo dá um vislumbre do Cordeiro crucificado. O profeta Isaías salienta que nosso Senhor Jesus morreu voluntariamente. A sua morte foi voluntária: ―Foi levado (v.7). Jesus não foi forçado à cruz. Nada fez contra a sua vontade. Submeteu-se à aflição espontaneamente. Humilhou-se até à morte, e morte de cruz. Deixou-se crucificar. O eterno Salvador não foi forçado ao Calvário, mas atraído para ele, por amor a Deus e à humanidade perdida.
3) Sua morte foi vicária.Sem dúvida, o profeta Isaías tinha em mente o cordeiro pascal, oferecido em lugar dos israelitas pecadores. Sobre a cabeça do cordeiro sem mancha realizava-se uma transferência dupla.
—Primeiro: assegurava-se o perdão divino mediante o santo cordeiro, oferecido e morto.
—Segundo: o animal, sendo assado, servia de alimentação para alimentar o povo eleito. O sacrifício de Cristo foi duplo: morreu para nos salvar e ressuscitou para nossa justificação.
4) Sua morte foi cruel.Ele foi levado ao matadouro! Esta palavra sugere brutalidade. Não é de admirar que a natureza envolvesse a cruz em um manto de trevas, cobrindo, assim, a maldade dos seres humanos!
14. O Sepultamento de Jesus
José de Arimatéia, discípulo oculto de Jesus por medo dos judeus conseguiu permissão de Pilatos para tirar o corpo da cruz e com Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arratéis dum composto de mirra e aloés, envolveram o corpo do Senhor em lençóis com as especiarias, como era costume dos judeus. Havia no horto daquele lugar um sepulcro em que ainda ninguém havia sido posto. Ali puseram Jesus (Jo 19.38-42). Sepultar os mortos era considerado um ato de piedade.
A proximidade da Páscoa explica a maneira como foram precipitados os acontecimentos do dia. A prisão noturna, o julgamento, execução e o sepultamento de Jesus, tudo em poucas horas. Mas, mesmo assim, havia algo de sobrenatural para que as Escrituras fossem cumpridas. Paulo disse: que Jesus foi sepultado segundo as Escrituras (1Co 15.4).
A preparação do seu corpo
A fim de preparar um corpo para o sepultamento, os judeus o colocavam sobre uma mesa de pedra na câmara funerária. Primeiro o corpo devia ser lavado com água morna. O Talmude registra que essa lavagem era muito importante, não devendo ser feita por uma pessoa apenas, mesmo que se tratasse de uma criança. O morto não devia ser mudado de posição, a não ser por duas pessoas no mínimo. Tudo indica que José e Nicodemos, com seus auxiliadores, teriam feito tudo isso (cf. At 9.37). Lucas disse que o mesmo cuidado tiveram as mulheres que haviam seguido a Jesus durante seu ministério terreno (Lc 23.56).
O túmulo
O túmulo de Cristo é uma sala de 4,60 metros de largura, 3,30 de fundo; e 2,50 de altura.
No texto de Marcos 16.4, do Manuscrito Bezae, da Biblioteca de Cambridge, na Inglaterra, foi encontrado um comentário intercalado que acrescenta: “E quando Ele foi colocado lá, ele (José) pôs contra o sepulcro uma pedra que vinte homens não podiam tirar”. Isso corrobora o que está escrito em Mateus 27.60: “… rodando uma grande pedra para a porta do sepulcro, foi-se”.
A vigilância do túmulo
Ali foi posta uma guarda. Existiam dois tipos:
1) A Guarda do Templo. Composta por 270 homens que eram distribuídos em lugares diferentes do Templo. Um grupo de dez levitas fazia a supervisão, enquanto os demais permaneciam postados em seus lugares.
2) A Guarda Romana. No tempo de Jesus havia várias organizações militares do Império Romano.
A prisão de Jesus no Getsêmane foi efetuada por uma coorte (Jo 18.3), constituída por seiscentos homens. Era dividida em três manípulos, e estes, em seis centúrias. Cada uma tinha cem homens, e duas centúrias formavam um manipulo. Três manípulos formavam a corte. Contudo, no sepulcro de Jesus não estava a coorte, e, sim, a guarda (Mt 27.62-66).
15. O Ministério Além-Túmulo
Quando Jesus morreu, seu corpo foi levado por José de Arimatéia e sepultado. Envolto em lençóis, o seu corpo permaneceu até à manhã do domingo. Mas Ele, em espírito, foi ao Paraíso levar a mensagem de seu triunfo aos santos que tinham morrido na esperança messiânica. De lá foi ao reino dos mortos, o Hades, a fim de anunciar a sua vitória aos espíritos que estavam nas cadeias da escuridão.
A mensagem anunciada por Cristo aos espíritos é retratada em várias passagens do Novo Testamento. Isso ocorreu no período entre a sua morte e a sua ressurreição, isto é, da tarde da sexta-feira ao domingo pela manhã, enquanto o seu corpo permaneceu no túmulo.
A descida de Cristo ao Hades é vista pelos teólogos com muita reserva. Pedro faz menção explícita desse acontecimento (tb. At 2.27,31). Pedro disse que Ele foi pregar (no sentido de proclamar, anunciar) àqueles espíritos que “… rebeldes, quando a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca” (I Pe 3.20). Mas a extensão da pregação de Cristo, ali no Hades, conforme descreve o apóstolo, alcançou também todos os espíritos humanos que ali se encontravam (1Pe 4.6).
*Pressupostos
No primeiro caso, a passagem aponta diretamente para o tempo do dilúvio, quando Noé, sua esposa, seus filhos e respectivas noras foram salvos por Deus da grande catástrofe. Os contemporâneos de Noé não deram ouvido à advertência divina, pregada em forma do evangelho da justiça de Deus. Quando Noé lembrava aquela gente do perigo iminente que viria sobre o mundo, eles zombaram de tal advertência! E até pedirem a Deus que se retirasse deles: “retira-te de nós” (Jó 22.15-17). Esses espíritos desincorporados foram lançados em prisões eternas e ali aguardam o dia do Juízo Final. Eles constituem o povo incrédulo e rebelde dos dias de Noé e que foi tragados pelas águas do dilúvio.
*Pressupostos
Esse relato bíblico talvez inclua os anjos decaídos, mencionados em IIPedro 2.4 e Judas v.6. Os anjos são às vezes chamados de “espíritos”, como em Hebreus 1.14. Também, nessa ocasião pode ter ocorrido a trasladação por Jesus, dos santos falecidos do Antigo Testamento, que se achavam no “seio de Abraão” (Lc 16.22,23), para o Paraíso de Deus no Céu (Ef 4.8-10).
Significado de TRÊS dias e TRÊS noites no seio da Terra – Mt 12.40
Os teólogos liberais têm questionado a veracidade da afirmação de Jesus, de que, ao morrer, permaneceria três dias e três noites no seio da Terra. Os textos e contextos que mencionam isso são Jonas 1.17 e Mateus 12.40. Muitos perguntam: — Como o corpo de Jesus permaneceria no túmulo três dias e três noites se Ele foi crucificado na sexta-feira e ressuscitou no domingo pela manhã?
Conforme o costume dos judeus e de outros povos da antigüidade, parte de um dia, no começo e no fim de um período, era contado como um dia (Et 4.16; 5.1), isto é: sexta-fei-ra, antes do pôr-do-sol, que era considerado o começo do dia seguinte, para os judeus. Ele ressuscitou no primeiro dia da semana, isto é, domingo, por ocasião do nascer do sol. Os três, portanto, reiterando, foram: parte da sexta-feira, o sábado inteiro e parte do domingo.
Jerônimo afirmou:
Tenho abordado mais completamente o trecho, sobre o profeta Jonas (1.17), em meu comentário. Direi agora somente que isto [esta passagem] deve ser explicado como O modo de falar chamado sinédoque, quando uma porção representa a totalidade. Não devemos exigir matematicamente que nosso Senhor passou três dias e três noites inteiras no sepulcro, mas sim, parte de sexta-feira, parte do domingo e todo o dia de sábado, O que é apresentado como três dias e três noites.
O Talmude Babilônico relata que uma parte de um dia é o total dele.
No Talmude de Jerusalém, assim chamado porque foi escrito em Jerusalém “…um dia e uma noite são um Onah, e a parte de um Onah é como o total dele. Um Onah é, simplesmente, um período de tempo”. (1Sm 30.12; Gn 42.17-18)
16. A Ressurreição de Cristo
A ressurreição de Jesus deu-se em confirmação de tudo o que Deus e os profetas dEle falaram. Um líder de um certo segmento fazer discípulos e depois morrer como um mártir não é nenhuma novidade. Mas Cristo além de não ter morrido como mártir, pois entregou o seu espírito voluntariamente a Deus (Jo 10.17,18), ressuscitou dentre os mortos, demonstrando o seu supremo poder. Outros líderes morreram, mas não ressuscitaram.
Na comprovação da escolha de Arão pelo próprio Deus, quando a sua vara produziu flores, renovos e amêndoas, vemos a ressurreição de Cristo tipificada, conforme Números 17.6-8:
Conceitos errôneos sobre a ressurreição
De acordo com Sócrates, Platão e Aristóteles, há apenas uma espécie de ressurgimento: o da alma no mundo da imortalidade. Negavam uma ressurreição corporal. Porém, a ressurreição de Cristo trouxe algo novo e sem igual ao pensamento humano. A sua ressurreição também não foi natural, quando alguém volta a viver para depois morrer de novo.
A crença egípcia que, depois, passou para os gregos da imortalidade da alma (através da transmigração da alma) era um tanto absurda; e é o que podia ser chamado, hoje, de espiritismo disfarçado.
Segundo tal crença, a alma de Caim teria passado a Jetro; o espírito deste a Coré, e o corpo a um egípcio…a alma de Eva teria passado a Sara, a Ana, à Sunamita e à viúva de Sarepta. E assim por diante. Ideologia que contamina a muitos.
A Ressurreição de Cristo e a Imortalidade
Nesse sentido, de ressurreição final, plena, eterna, em glória, Cristo tornou-se o primeiro da ressurreição dos mortos cf. At 26.23. Isto é, da ressurreição para a imortalidade. Ele foi o primeiro exemplar. Sua ressurreição foi a de seu corpo, e a não de sua alma. (cf. 1Co 15.20-23)
Por meio de sua ressurreição, Cristo aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho (2Tm 1.10).
Antes disso, Ele tinha avisado aos saduceus de que a negação da ressurreição provinha da ignorância acerca de Deus, da sua Palavra e do seu poder (cf. Mt 22.29; 1Co 15.12,34). Somente com a morte e a ressurreição de Cristo é que as ideias da ressurreição e da imortalidade emergiram das sombras do A.T. para a plena luz da realidade no Novo Testamento. (1Co 15.23)
A necessidade de sua ressurreição
Em todo homem não existe a condição de cumprimento dos preceitos do Senhor, conforme os Dez Mandamentos. Neste sentido como é citado em Gálatas cap. 3, Jesus de Nazaré, Filho do Altíssimo, cumpre a Lei em nosso lugar. A morte e a ressurreição de Cristo é o tema central da salvação e da justificação da pessoa humana.
Cristo, como dizem as Escrituras, morreu por nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação. Esse é o significado de sua morte e sua ressurreição. Triunfando sobre a morte, por meio de sua ressurreição, Ele tornou-se a garantia certeira da vida eterna e da ressurreição da imortalidade.
O amor de Deus pela humanidade perdida fez com que Cristo viesse ao mundo e morresse. Ele se humanizou, tendo nascido de mulher, nascido sob a lei. O propósito do Pai ao enviar o Salvador para morrer em favor dos homens ultrapassa qualquer possibilidade de entendimento da mente humana. O plano salvífico incluía não só a morte de Cristo. Deus o ressuscitou por seu poder, como Paulo afirmou em 1Co 15.20. E assim, proclamar a ressurreição de nosso Senhor como um fato sempre novo!
Provas de sua ressurreição
Quando ressuscitou dentre os mortos, em suas várias aparições não foi identificado de imediato pelos discípulos. Ele não perdeu a sua individualidade e as suas características, porém, agora, agindo sem as limitações que a sua natureza humana lhe impunha. Cristo provou que tinha ressurgido dentre os mortos pelo o seu próprio testemunho, consubstanciando-o mediante suas aparições. Seguindo a uma ordem cronológica, foram dez as aparições do Senhor ressurrecto:
— 1) Cinco aparições no dia da ressurreição:
a María Madalena (Mc 16.9); às mulheres, de manhã sedo (Mt 28.9,10); aos dois discípulos no caminho de Emaús (Lc 24.13-25); a Pedro (Lc 24.34); e aos onze, na noite daquele dia (Mc 16.14; Lc 24.36).
— 2) Mais cinco aparições:
aos onze, uma semana depois de ter ressuscitado (Jo 20.26-31); a sete discípulos junto do mar da Galiléia (Jo 21.1-22); aos onze e amais de quinhentos irmãos (1Co 15.5-6); a Tiago, irmão do Senhor (1Co 15.7); e, finalmente, antes de ser assunto ao Céu, em Betânia e no monte das Oliveiras (Mc 16.19; Lc 24.50-51; At 1.3,9). Apareceu também a Saulo de Tarso (At 9.3-5,17)
As testemunhas de sua ressurreição
O próprio Deus e o Espírito Santo são testemunhas da ressurreição de Cristo. Além deles, os anjos; depois, as mulheres; os apóstolos; e os discípulos.
O apóstolo Pedro em At 5.32. Paulo declarou que, além das testemunhas mencionadas, havia mais de quinhentos irmãos que viram o Senhor ressurreto. Ele afirma que uma minoria já tinha morrido, ha- vendo muitos ainda vivos (1Co 15.6-8). Duas ou três testemunhas já seriam suficientes. Nos melhores tribunais, No caso da ressurreição Cristo, ela foi testemunhada por mais de quinhentas pessoas!
17. Seu Ministério Celestial
O Ministério Celestial de Cristo refere-se ao período após Sua ressurreição e continua até o estabelecimento do Estado Eterno. Durante os quarenta dias que antecederam Sua ascensão, Cristo permaneceu ativo, ensinando e preparando Seus discípulos para a missão futura, como registrado em Atos 1:2-3: “Até ao dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera.” Esse ministério não cessou com a ascensão; ao contrário, Cristo continua a interceder pelos crentes à direita de Deus, servindo como Sumo Sacerdote e Mediador. Em Hebreus 7:25, é dito: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” Assim, Seu Ministério Celestial é essencial para a salvação contínua e a segurança dos crentes, assegurando que Seu sacrifício na cruz seja eternamente eficaz.
A Ascensão de Cristo
A Ascensão de Cristo é um evento central na fé cristã, marcando a conclusão de Sua missão terrena e o início de Sua exaltação à direita de Deus. Após Sua ressurreição, Jesus apareceu aos Seus discípulos durante 40 dias, ensinando sobre o Reino de Deus. Em seguida, foi elevado ao céu, enquanto Seus discípulos observavam: “E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos” (Atos 1:9). A Ascensão é significativa porque confirma a divindade de Cristo e Seu papel contínuo como Sumo Sacerdote e Intercessor: “Ele foi elevado ao céu e está à direita de Deus; e anjos, autoridades e poderes estão sujeitos a ele” (1 Pedro 3:22). Além disso, a Ascensão garante aos crentes a esperança de Sua segunda vinda: “Esse Jesus que dentre vós foi assunto ao céu virá do modo como o vistes subir” (Atos 1:11).
Após ter terminado a sua obra redentora na Terra, Cristo regressou ao Céu. Sua ascensão foi marcada pela presença de seus discípulos e dos mensageiros celestiais. Dois anjos vestidos de branco da corte divina receberam de Deus a missão de acompanhá-lo (At 1.10-11; Lc 24.50-51).
Sua recepção no Céu
Esse Jesus… foi recebido no céu cf. At 1.11. Esta foi a mensagem dos dois varões vestidos de branco aos discípulos que se encontravam no monte das Oliveiras com seus olhos fixados no céu. Eles confirmaram que Jesus tinha sido recebido com honras incomensuráveis na corte celestial.
Sua glorificação
A recepção de Cristo no céu, como relatado em Atos 1:11, foi um evento glorioso que marcou Sua exaltação após a ascensão. Os dois anjos, vestidos de branco, anunciaram aos discípulos no Monte das Oliveiras que Jesus havia sido recebido na glória celestial: “Esse Jesus, que dentre vós foi elevado ao céu, virá do modo como o vistes subir.” Este momento não foi apenas um retorno, mas uma entrada triunfal, onde Jesus foi honrado com incomparável glória na corte celestial. Essa recepção é uma confirmação da aceitação completa do sacrifício de Cristo por Deus, exaltando-O à posição de soberania à direita do Pai. Em Fl 2:9-11, lemos: “Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho…”. Isso sublinha a honra e a autoridade concedidas a Cristo, reconhecendo Sua vitória sobre o pecado e a morte, e estabelecendo-O como Senhor de todas as coisas no céu e na terra.
A glorificação de Cristo foi um ato honroso e sem precedente na História. No Céu, Ele é foi entronizado e coroado pelo Pai. Ao morrer e ressuscitar, Jesus completou a missão redentora que do Pai tinha recebido. Deus ficou plenamente satisfeito quando à obra redentora consumada por seu Filho, que foi pelo Pai assentado no seu próprio trono (Mc 16.19; Hb 1.3; 12.2; Ap 3.21; 22.1,3). Cristo encontra-se hoje assentado no seu trono de glória, onde o seu governo divino é exercido. Dois tronos pertencem ao Ungido do Senhor, por direito e por resgate: um terrestre, e o outro, celestial. O terrestre é o trono davídico, que pertence a Cristo, a raiz e geração de Davi. O trono da majestade, Cristo Jesus exerce todo o poder e autoridade no governo do mundo e na direção de sua Igreja (Mt 28.18; Ef 1.20-22).
Conclusão
Ao terminar este capítulo, quero enfatizar a importância de o servo do Senhor conhecer mais a doutrina da Cristologia segundo as Escrituras. Aqui aprendemos alguns aspectos do Homem-Deus; e sabemos que Ele operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais que não foram escritos (Jo 20.30; Jo 21.25).
—Sua proeminência no Universo. Cl 1.15-18; Hb 1.3
A natureza obedece às leis estabelecidas por Deus. O Universo não ultrapassa qualquer limite além daquilo que lhe foi prescrito. Todo esse complexo de seres e coisas se encontram orientados e sustentados pela palavra do seu poder. Glória ao Senhor Jesus! Cristo é mais sublime do que os céus.
—Sua importância para a Igreja. De acordo com o Novo Testamento, a Igreja surgiu primeiro como um organismo vivo. Nesse sentido, ela inclui todos os crentes regenerados, tirados de todo o mundo entre o primeiro e segundo advento de Cristo. Seu alcance é vasto; abrange todos os salvos, do passado e do presente, haja vista os que morreram na Terra estarem vivos no Céu (Hb 12.23).
—Nossa vitória em Cristo. Ela se dá ocorre por meio de Cristo; não se prende à luta física, pois, se assim fosse, seria um fracasso, e não vitória. Alexandre Magno conquistou por força e brutalidade o Império Medo-Persa (cf. Dn 8.3-8), mas Cristo derramou o seu próprio sangue em salvção à todos os homens da humanidade.
“… todos nós, com cara descoberta, refletindo como um es-pelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2Co 3.17,18).
[1] membrana que envolve o coração e se divide numa espécie de pasta sanguínea e soro aquoso).
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por Teo.Prof Sergio Valentin Grizante