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Introdução

1. Definição Apologética

2. Visão Histórica da Apologética

3. Os Apologetas

4. Escolas Históricas

5. O Cristianismo – Religião de Fatos





Um bolsista muçulmano disse a um professor de teologia: “Conheço muitos muçulmanos que têm mais fé em Maomé do que alguns cristãos têm em Cristo”. O professor respondeu: “Pode ser verdade, mas o cristão é “salvo”.

 A fé cristã é fé em Cristo. Paulo disse: “Sei em quem tenho crido”. Isso explica por que o evangelho gira em torno da pessoa de Jesus Cristo.

A palavra “apologia” vem de uma palavra grega que significa “dar uma defesa”. Apologética Cristã, então, é a ciência de dar uma defesa da fé Cristã. Há muitos céticos que duvidam da existência de Deus e/ou atacam a crença no Deus da Bíblia. Há muitos críticos que atacam a inspiração e inerrância da Bíblia. Muitos falsos professores que promovem doutrinas falsas e negam as verdades básicas da fé cristã. A missão da apologética Cristã é combater esses movimentos e promover o Deus Cristão e a verdade cristã.

 O versículo chave para a apologética Cristã é provavelmente 1Pedro 3:15-16: “antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor…” Não há nenhuma desculpa para um Cristão ser completamente incapaz de defender sua fé.

Todo Cristão deve ser capaz de pelo menos dar uma apresentação razoável da sua fé em Cristo. Nem todo cristão precisa ser um especialista na apologética. Todo cristão, no entanto, deve saber o que acredita, por que acredita, como compartilhar sua fé com outras pessoas, e como defendê-la contra mentiras e ataques.

Um segundo aspecto de apologética Cristã que é ignorado com frequência é a primeira parte de 1Pedro 3:16: “fazendo-o, todavia, com mansidão e temor…”. Defender a fé Cristã apologéticamente nunca deve envolver ser rude, furioso ou desrespeitoso. Enquanto praticando apologética cristã, devemos tentar ser fortes em nossa defesa e ao mesmo tempo imitar a humildade de Cristo em nossa apresentação.

Se ao ganharmos um debate levamos uma pessoa ainda mais longe de Cristo pela nossa atitude, perdemos o verdadeiro propósito da apologética cristã. Há dois aspectos  métodos básicos de apologética Cristã:

Proponentes dos dois métodos de apologética Cristã geralmente discutem entre si sobre qual método é mais eficiente, apresentaria ser bem mais produtivo usar os dois métodos, dependendo da pessoa e da situação.

Apologética cristã é simplesmente apresentar uma defesa básica da fé Cristã e da verdade cristã àqueles que delas discordam. Apologética Cristã é um aspecto necessário da vida Cristã. Somos todos comandados a estarmos prontos e equipados a proclamar o Evangelho e defender nossa fé (Mateus 28:18-20; 1 Pedro 3:15). Essa é a essência da apologética Cristã.

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A apologética é a ciência ou disciplina racional que se esforça por apresentar a defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja cristã. O termo é usado em contraste com polêmica, que é um debate efetuado entre cristãos a fim de determinar a verdadeira posição cristã sobre alguma questão específica. Presumivelmente, a apologética aborda questões defendidas por alguma fé religiosa específica, como o cristianismo, mas que são negadas pelos incrédulos. No uso comum, a palavra é usualmente empregada para indicar a defesa do cristianismo.

“Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor…” (1 Pedro 3:15). A palavra traduzida acima por “responder” é, no grego, apologia (isto é, “defesa”). Essa palavra sugere a ideia de “defesa da conduta ou procedimento”. Wilbur Smith expressa-o da seguinte maneira: “… uma defesa verbal, uma palavra de defesa daquilo que alguém fez ou da verdade que alguém crê…”. O substantivo apologia (traduzido em português pelo verbo “responder” em 1Pedro 3:15, acima citado) é empregado mais sete vezes no Novo Testamento. Exemplo: O famoso diálogo de Platão, a Apologia, expõe a defesa de Sócrates diante de seus acusadores.

Positivamente, a apologética tenta elaborar e defender uma visão cristã de Deus, da alma e do mundo, uma visão apoiada por raciocínios reputados capazes de convencer os não-cristãos da veracidade das doutrinas envolvidas. Ainda, trata-se de um esforço para antecipar possíveis pontos de ataque defendendo as doutrinas cristãs contra tais ataques.

 — Base bíblica

Alguns fazem oposição a qualquer defesa da fé cristã, supondo que o conhecimento da verdade por meio da revelação é perfeito, e não requer qualquer raciocínio humano em sua defesa.

A ideia que a revelação, coada por mentes humanas, é perfeita, capaz assim de produzir um perfeito corpo de verdades conhecidas, não passa de um dogma formulado pelo homem, e não uma doutrina da própria Bíblia. De fato, essa ideia é urna apologia em favor de um dos modos de se obter conhecimento. Em qualquer instância em que algum argumento é apresentado nas Escrituras, não diretamente alicerçado sobre algum texto de prova, dentro da Bíblia, é uma apologia dentro dos livros sacros. Tomemos como exemplo em Romanos cap. 1 da epístola; Paulo mostra a culpa e a impossibilidade de defesa dos pagãos, diante da mente divina. Ele erige uma apologia em favor de certas ideias básicas, e muitos capítulos das epístolas de Paulo podem ser encarados por esse prisma.

1) O trecho de 1Pd 3.15 faz esta declaração direta. “… estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. Fica entendido que tal resposta conterá raciocínios acerca da fé, e não apenas textos de prova extraídos da Bíblia.

2) Segundo salientamos acima, no Novo Testamento há muita apologia, e em certo sentido, o próprio volume sagrado é uma apologia em prol da nova religião, em conflito com o antigo judaísmo e com o paganismo. O cristianismo enfrentou um sistema helenizador, no qual a filosofia tinha grande peso. Em Atos cap 17, Paulo não  hesitou em apelar diretamente à apologética, utilizando argumentos filosóficos, procurando convencer os atenienses. O evangelho de Lucas é uma apologia escrita para um oficial romano, a fim de procurar conquistar posição oficial para a nova fé, fazendo assim estacar a perseguição. “… para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lc 1.4). Essa era a certeza que Lucas procurou transmitir aos seus leitores. As próprias denominações cristãs são atividades apologéticas.

Alguns têm imaginado que a apologia é uma espécie de “ausência de fé”, e não de defesa de fé. Tais pessoas partem do pressuposto que a fé não precisa ser defendida. Mas com isso olvidam-se que os homens interpretam a fé das mais variadas maneiras. — Qual a fé que não precisa ser defendida?

Muito mais se verifica quando saímos além das fronteiras da igreja cristã e conversamos com incrédulos bem informados acerca da “fé”. Eles têm informações suficientes para saber que tal fé, em qualquer forma que ela assuma, tem tal forma precisamente por causa de uma apologia por detrás da mesma que caracteriza alguma denominação particular.

Cada denominação tem sua própria apologia ou dá forma às suas doutrinas e ao seu sistema, a despeito da reivindicação de que aquilo que é exposto é apenas a fé bíblica. Esses fatos não anulam nem a fé e nem a verdade, mas requerem uma cuidadosa apologia a respeito da fé, examinando-a, definindo-a e promovendo-a. A natureza do conhecimento força-nos a apelar para a apologética.

O conhecimento não tem uma única origem. Antes, pode ser adquirido por estes meios:

1) A observação empírica, baseada nos sentidos;

2) A intuição, visto que o homem é um ser que tem ciência, e que mesmo sem investigação sabe de certas coisas, tal como sucede com Deus;

3) A razão, com a qual o homem foi dotado, pode penetrar em enigmas e desencavar a verdade, à parte da experiência prática ou empírica formal;

4) A revelação, que é conhecimento outorgado como dom de Deus.

Deus dá conhecimento por meio de homens santos, através de visões, profecias, sonhos, etc. (experiência espiritual), reduzidas à forma escrita, tornando-se um Livro Sagrado. Tudo isso se sucede, mas o conhecimento é mais amplo do que isso, derivando-se de mais de uma direção.

Ademais, a razão e a intuição nunca cessam de examinar o conhecimento que nos chega através da revelação, porquanto há revelações incompletas, havendo até mesmo revelações que não são válidas. Em outras palavras, na busca pela verdade, precisamos de muitas fontes, de muitos meios e não pouco entendimento da verdade bíblica. O fato de que o conhecimento chega até nós através de grande diversidade de meios, demonstra a nossa necessidade de uma apologia mediante a qual possamos testar, avaliar e defender a verdade. Analisemos o empirismo, a intuição, o racionalismo, o misticismo e o conhecimento. O palácio do conhecimento tem multas portas e janelas através das quais as informações entram e saem. Não se pode limitar esse palácio a uma única porta.



Deve-se entender desde o princípio que a apologética necessariamente envolve investigação na fé e filosofia, no modo formal e erudita, ou popular e individualista. Assim é que, quando alguém começa a apresentar um argumento baseado em raciocínio, já está falando como um filósofo, quer queira, quer não. Tertuliano conhecia a filosofia, e usava argumentos filosóficos contra os filósofos incrédulos. Portanto, ele era um filósofo que argumentava contra a filosofia. Porém, se descrevermos pontos de vista históricos relativos à apologética, isso equivalerá a descrever aquilo que vários pais da Igreja e cristãos posteriores pensavam sobre a filosofia. Sem comnhecer a filosofia uma pessoa perde a compreensão aos pensamentos do outro e menos valor dará à apologética.

  1. Tertuliano. — Supunha que a filosofia é produto da mente pagã, e conseqüêntemente inútil para defender a fé cristã. Isso equivale a ignorar:
  2. a base da Apologética
  3. e que não há razão pela qual não possa haver uma atividade filosófica cristã. Se a razão vem da parte de Deus, e se alguém a usa de maneira sistemática e bíblica, já estará agindo com argumentos filosóficos cristão, utilizando-se de um dom divinamente outorgado. Podemos evitar os abusos. Houve pais latinos, como Arnóbio, Lactâncio e outros que seguiram a ideia de Tertuliano.
  4. Os pais alexandrinos. Clemente, Orígenes, etc. Proposital e habilidosamente eles  usavam filosofia platônica  e estóica  para dar à fé cristã uma expressão filosófica.

A filosofia pode aguçar os conceitos teológicos. Qualquer pessoa que tenha estudado filosofia pode aprimorar seus conhecimentos e pressupostos teológicos. Um teólogo que tenha estudado filosofia pode tornar-se um melhor teólogo. A preocupação maior e errônea é agir primeiramente com a filosofia sem qualquer conhecimento na teologia bíblica e com pressupostos equivocados. Alguns exemplos positivos e/ou negativos do uso da filosofia na defesa da fé cristã:

Quando a Igreja enfrenta os ataques dos ateus, dos gnósticos, dos empiristas radicais, dos positivistas, etc, então torna-se mister que apologética Nunca bastante dizer “fé somente”, porque a própria fé é definida por uma atividade apologética.



O termo é usado para falar sobre aqueles pais da igreja cujas obras tiveram o intuito de defender a fé e a Igreja cristã contra os ataques. Esses ataques eram lançados pelo judaísmo, pelo paganismo, pelo estado romano, e também pela filosofia grega de várias escolas de pensamento da época.

Como é óbvio, muitos cristãos subseqüentes e contemporâneos podem ser chamados apologetas. Mas, quando usamos as palavras “os apologetas”, estas indicam os primeiros pais da Igreja que se atarefaram toda a atividade em defesa da fé.

1) Temos a pregação de Pedro

Proveniente do século II d.C., de autor desconhecido, que defendeu o cristianismo diante do judaísmo e do paganismo.

2) Temos o livro chamado Quadratus

Na mesma época, escrito em defesa do cristianismo contra os abusos do estado romano. Foi apresentado ao imperador Adriano, na esperança de obter melhor tratamento para os cristãos, por parte das autoridades romanas. O livro foi escrito em Atenas, cerca de 125 d.C. Apenas uma sentença do mesmo foi preservada para nós.

3) Aristides

Defendeu o cristianismo contra o paganismo. Ele era ateniense e escreveu em cerca de 147 d.C. Sua apologia foi endereçada ao imperador Antônio. A “raça” cristã é ali chamada de raça superior e digna de tratamento humanitário. A obra desapareceu. A obra ataca as formas de adoração entre os caldeus, os gregos, os egípcios e os judeus, exaltando o cristianismo acima dessas formas, tanto quanto à própria adoração bíblica quanto à moral.

4) Justino Mártir

Sua apologia, escrita cerca de 150 d.C., foi endereçada a Adriano e a Marco Aurélio. Tomava a posição de que a filosofia grega, apesar de útil, era incompleta, e que esse produto não terminado é aperfeiçoado e suplantado em Cristo e Sua revelação. Para Justino, o cristianismo era a verdadeira filosofia. A filosofia grega era encarada sob a mesma luz que a lei judaica – precursora de algo superior.

5) Aristo de Pela, meados do século II d.C. de Pela, na Peréia

Escreveu um livro que não chegou até nós, mas que, de acordo com Orígenes, mostrava que as profecias judaicas cumpriram-se em Jesus. Justino fez uso dessa apologia em sua obra.

6) Atenágoras, fins do século II d.C.

Escreveu contra o paganismo, o estado romano e a filosofia grega. Endereçou seu livro a Marco Aurélio, esperando poder melhorar o tratamento conferido aos cristãos. Essa obra incluía argumentos em prol da ressurreição dos mortos.

7) Taciano, discípulo de Justino Mártir

Exibiu considerável antagonismo contra a filosofia grega, em seus argumentos em prol da superioridade do cristianismo.

8) Teófilo de Antioquia

Escreveu um pouco mais tarde, seguiu o caminho trilhado por Taciano.

9) Minúcio Félix, fins do século II ou começo do século III d.C.

Em contraste com Taciano, procurou demonstrar que os cristãos são os melhores filósofos; quando os filósofos são bons, parecem-se mais com os cristãos.

11) Irineu

Bem como seu discípulo, Hipólito, defendeu o cristianismo contra os gnósticos, muito poderosos na sua época. Sua obra principal nessa linha foi Contra as Heresias  (cerca de 180 d.C.). O original, excetuando fragmentos, preservados nos escritos de Hipólito, Eusébio e Epifânio. Todavia, a obra foi preservada inteira em uma tradução latina. Trata-se da mais completa declaração acerca das fantasias gnósticas. Sua exposição pode ser chamada de primeira exposição sistemática das crenças cristãs. Irineu foi um dos mais influentes cristãos da Igreja antenicena .

12) Arnóbio (300 d.C.)

Tinha a filosofia e a razão humana em baixo conceito. Atacou a ideia platônica da preexistência da alma e defendeu o criacionismo. Sua obra principal é Adversus Gentes.

13) Lactâncio e Eusébio de Cesárea (III e IV séc. d.C.)

Deram continuação à tradição apologética, exaltando o cristianismo em face do paganismo e do judaísmo. Eusébio foi um origenista  da segunda geração, decidido aderente da teologia filosófica do Logos, embora tivesse várias ideia não-ortodoxas acerca da divindade de Cristo. Sua principal contribuição é a sua História Eclesiástica. Suas obras apologéticas, embora de menor valor, encontraram lugar na história literária cristã.



No decurso da história cristã, a apologética tem adotado vários estilos. Poderíamos dividi-los em duas classes gerais: a subjetiva e a objetiva. Alguns fazem uma diferença entre o “Cristo da fé” e o “Cristo da história”.

O Cristo da fé é aquele que é concebido na dimensão da crença e da experiência subjetiva. O Cristo da história é aquele que é concebido por meio dos resultados das pesquisas arqueológicas, dos dados históricos, dos documentos encontrados. Cristo da fé e o Cristo da História não são distintos como concebem os liberais, pois, são a mesma pessoa. Conforme Herbet Butterfield um dos maiores historiadores da nossa época, o expressou: “Seria um erro perigoso imaginar que as características de uma religião histórica continuariam inalteradas caso O Cristo dos teólogos fosse divorciado do Jesus da história.”

Esta inclui grandes pensadores. tais como Lutero, Pascal, Lessing, Kierkgaard, Brunner e Barth. Geralmente expressam a dúvida de que o descrente possa ser “levado a crer através de argumentos”. Ressaltam pelo contrário, a experiência pessoal impar da graça, o encontro interior e subjetivo com Deus.

Tais pensadores raramente têm reverente temor da sabedoria humana. Mas, pelo contrário, de modo geral rejeitam a filosofia tradicional e a lógica clássica. E ressaltam o transracional e o paradoxal. Pouco lhes importa a teologia natural e as provas teístas, principalmente porque sentem que o pecado cegou de tal maneira o olhos do homem que o seu raciocínio não pode funcionar de modo apropriado. Segundo a metáfora de Lutero, descreve que a razão é uma meretriz.

Coloca o problema da averiguação claramente no âmbito dos fatos objetivos. Existe, no entanto, uma distinção crucial entre duas escolas dentro do campo objetivista,

Entre todos os grupos esta adota a visão mais animada da razão humana. Inclui pensadores tais como Tomás de Aquino, Joseph Butler. F. R. Tennant, e William Paley. Por trás de todos estes pensadores há uma tradição empírica na filosofia que remonta até Aristóteles. Tais pensadores crêem no pecado original, mas raras vezes questionam a competência básica da razão na filosofia. É possível que o raciocínio tenha sido enfraquecido pela queda, mas, por certo, não foi gravemente aleijado. Aquino procurava pontos de concordância entre a filosofia e a religião, insistindo em que a existência de Deus podia ser demonstrada pela razão, mas que também era revelada nas Escrituras. Empregava. nas suas provas da existência de Deus, três versões do argumento cosmológico e o argumento teleológico.

Na sua Analogy of Religion (“Analogia da Religião”), Butler usou a abordagem tomista básica, mas a diluiu um pouco com sua ênfase na probabilidade.,”o próprio guia da vida”. Desta maneira, desenvolveu uma epistemologia muito próxima da atitude pragmática do cientista. Butler argumentou que a clareza geométrica tem pouco lugar nas esferas da moral e da religião. Se alguém ficar ofendido pela ênfase dada à probabilidade, que simplesmente reflita no fato de que a maior parte da vida é baseada nela. O homem raramente lida com verdades absolutas e demonstrativas.

Apologistas desta escola sempre têm uma abordagem ingênua e simplista às evidências a favor do cristianismo. Acham que uma apresentação simples e direta dos fatos (milagres, profecias) bastará para persuadir o descrente.

— Inclui gigantes da fé, tais como Agostinho, Calvino, Abraão Kuyper e E. J. Carnell. Estes pensadores geralmente reconhecem que as evidências objetivas (os milagres, as provas da existência de Deus, as profecias) são importantes na tarefa apologética, mas insistem em que o homem não-regenerado não pode ser convertido meramente pelo fato de ser exposto às provas, porque o pecado enfraqueceu gravemente o raciocínio humano. Será necessário um ato especial do Espírito Santo para permitir que as evidências sejam eficazes.

Não se deve tirar desta ideia a conclusão de que a escola da revelação considera sem valor as evidências externas. Pelo contrário, a obra do Espírito pressupõe a Bíblia e o Jesus Cristo histórico, ambos externos.

Embora a fé seja, em grande medida, algo criado pelo Espírito Santo, permanece a verdade de que não se pode tê-la à parte dos fatos. Resumindo: o Espírito Santo é a causa suficiente da fé, ao passo que os fatos são uma causa necessária da fé.

A escola da revelação, portanto, extrai sua percepção tanto da escola subjetiva quanto da escola da teologia natural. Da primeira, adquirem uma desconfiança da razão não regenerada, e da segunda, uma apreciação apropriada do papel dos fatos na fé cristã. Conforme disse Lutero: “Antes da fé e do conhecimento de Deus, a razão é trevas, mas nos crentes é um instrumento excelente. Assim como todos os dons e os instrumentos da natureza são maus nos ímpios, assim também são bons nos crentes”.

Por estranho que pareça, as duas escolas objetivistas usam o mesmo corpo de evidências quando praticam a apologética: simplesmente têm diferenças de opiniões sobre como e quando as provas convencem o descrente.

No decurso dos séculos, apologistas cristãos da escola objetivista têm usado um vasto material:

(1) Provas teístas – os argumentos ontológico, cosmológico, teleológico e moral.

(2) Profecias do A.T. – predições a respeito do Messias judeu cumpridas em Cristo, tais como Is 9.6; Mq 5.1-3; e Zc 9.9-10.

(3) Milagres bíblicos – sinais do poder de Deus que ocorrem em grandes agrupamento nas Escrituras, sendo que os dois maiores se centralizam no Êxodo e na vinda de Cristo.

(4) A pessoa de Cristo – a personalidade e caráter incomparável de Cristo, ilustrados por Seu amor e solicitude por pessoas de todos os tipos, especialmente os proscritos.

(5) Os ensinos de Cristo – as doutrinas sem igual, os belos ditos e parábolas de Jesus.

(6) A ressurreição de Cristo – o maior milagre das Escrituras, o alicerce de todo oedifício da apologética.

(7) A história da cristandade – a influência benigna da fé cristã sobre a raça humana.



O cristianismo apela à história, aos fatos da história. P. Carnegie Simpsom chama de os dados mais claros e acessíveis que existem. Simpson prossegue: “Ele (Jesus) é um fato histórico, verificável como qualquer outro”, porem divino”. Portanto, o cristianismo é objetivo em suas constatações.

Um hábil apologeta e testemunha de Cristo, expressando-se com muita propriedade diz: “Um cristão inteligente deve ser capaz de apontar as falhas numa posição não-cristã e apresentar fatos e argumentos em favor do evangelho”.

Se nossa apologética nos impede de explicar o evangelho a quem quer que seja, é uma apologética inadequada.

Antes de tratar das diversas provas que favorecem a fé cristã, deve-se esclarecer algumas ideias errôneas e entender várias questões fundamentais.

Fé Cega

Uma acusação bem comum e contundente feita contra o cristão é: “Vocês, cristãos, me deixam doente! Tudo o que vocês têm é uma ‘fé cega”‘.

Será que para tornar-se cristão, a pessoa precisa cometer um “suicídio intelectual”. Pessoalmente, “meu coração não pode se alegrar com aquilo que minha mente rejeita”. Meu coração e minha cabeça foram criados para juntos agirem e crerem em harmonia. Cristo nos mandou: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento “(Mateus 22:37). Quando Jesus Cristo e os apóstolos conclamavam uma pessoa a exercitar a fé, essa não era uma “fé cega”, mas uma “fé inteligente”. O apóstolo Paulo disse: “Sei em que tenho crido” (2Timóteo 1:12). E Jesus disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Conhecer, saber, é o contrário de ignorar.

A fé de um indivíduo envolve “a mente, as emoções e a vontade”. F. R. Beattie tem toda razão ao afirmar que “o Espírito Santo não opera, no coração, uma fé cega e sem fundamentos…”. É justificável que Paul Little escreva: “A fé no cristianismo baseia-se em fatos. Não é contrária à razão. No sentido cristão, a fé vai além, mas não contra a razão”.

O que é mito

Pode-se definir mito como uma tentativa pré-científica e imaginativa de explicar algum fenômeno, real ou aparente. Frequentemente apela mais às emoções do que à razão, e, de fato, em suas manifestações mais típicas, parece ter surgido em uma época quando não se exigiam explicações racionais.

O novo testamento conta a história de Jesus Cristo, mas o que dizem outras fontes sobre quem realmente foi Jesus? O Jesus histórico. Esse tema é alvo de pesquisas e controversias desde o séculos anteriores a atualidade.

Alguns defensores da teoria do mito alegam que os eventos ou frases associados com a figura de Jesus no Novo Testamento podem ter sido elaborados a partir de uma ou mais pessoas que realmente existiram, mas que nenhuma delas era, em nenhum sentido, o fundador do cristianismo. Alternativamente, nos termos dados por Bart Ehrman em sua crítica a Cristo, declara: “O Jesus histórico não existiu. Ou, se existiu, não teve praticamente nada a ver com as origens do cristianismo.” Praticamente todos os estudiosos envolvidos com a pesquisa do Jesus histórico acreditam que sua existência pode ser estabelecida usando documentos e outras evidências, embora a maioria sustente que muito do material sobre ele no Novo Testamento não deve ser tomado ao pé da letra, diz eles.

A teoria do mito de Cristo é uma teoria marginal, apoiada por poucos acadêmicos ou especialistas eméritos em credibilidade bíblica ou disciplinas cognatas. A teoria se afasta da visão histórica de Jesus que — embora os evangelhos incluíssem muitos elementos míticos, são elaborações religiosas adicionadas aos relatos do Jesus histórico que foi crucificado no século I, na província romana da Judeia.

Os relatos bíblicos de testemunhas oculares são essenciais para a autenticidade e credibilidade dos eventos descritos nas Escrituras. Em 1 Coríntios 15:6-8, Paulo destaca a aparição de Cristo a mais de quinhentos irmãos, muitos dos quais ainda estavam vivos na época, oferecendo uma base sólida para a fé cristã. João, em sua primeira epístola, enfatiza a experiência tangível dos apóstolos, que não apenas viram, mas também tocaram o Verbo da vida. Lucas, em seu evangelho, reforça a importância de um relato ordenado e cuidadosamente investigado, corroborando a verdade por meio de testemunhas diretas.

Esses relatos são pilares que sustentam a mensagem do Evangelho, evidenciando que a fé cristã está firmemente enraizada em fatos históricos testemunhados por aqueles que conviveram com Jesus.

-1Coríntio 15.4-8; “Depois Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, mais tarde por todos os apóstolos, e, afinal, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo.”

-1 João 1 :1-3; “O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós igualmente mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.”

-Lucas 1:1-3; “Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares, e ministros da palavra, igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem.”

-1Coríntios 15:6-8; “Depois Jesus foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria sobrevive até agora, porém alguns já dormem. Depois foi visto por Tiago, …”

-João 20:30,31; “Na verdade fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”

-Atos 10:39-42; “É nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém, …”.



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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante

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Grade Teologia Médio I, II

. Liberação do módulo na sequência da conclusão do módulo anterior
. Duração Curso 7 meses (Máximo 10 meses)
. Pode sofrer alteração das disciplinas

Módulo I

  1. Sociologia da Religião 30h
  2. História do Cristianismo I – Antigo e Medieval 30h

Módulo II

  1. Hebraico I 30h
  2. Teologia Bíblica II 30h

Módulo III

  1. Hermenêutica Bíblica 30h
  2. Língua Portuguesa + Homilética II 30h

Módulo IV

  1. Ética Cristã II e Bioética 30h
  2. Antropologia Cultural 30h

Módulo V

  1. Teologia Sistemática I: Profetas e Reis 30h
  2. Contexto e ambiente do N.T 30h

Módulo VI

  1. Filosofia da Religião 30h
  2. Teologia Paulina 30h

TPA- Trabalho Prática Acompanhada-Conclusão.. 30h

por TeoPrProf Sergio Valentin Grizante