1. Personalidade do Espírito Santo
2. A propriedade pessoal do Espírito Santo

Introdução
A pessoa e obra do Espírito Santo é de suma importância. Todos nós temos necessidade de sua presença e do seu poder. Sem Ele, seria impossível viver a vida cristã e servir a Deus.
Ele é a dinâmica do Cristianismo. O ponto de partida na compreensão de Igreja é sempre trinitário. Daí porque não somente a cristologia, mas também a pneumatologia, isto é, a doutrina do Espírito Santo tem lugar fundamental. Desde a fundação até o aperfeiçoamento da Igreja a terceira pessoa da Trindade tem papel determinante. A missão de Cristo na Paixão segue a do Espírito Santo em Pentecostes. Ele age de tal modo que faz da Igreja organismo vivo, dinâmico, imbuído de fé, caridade e esperança. A obra da encarnação é fruto da participação de toda Trindade, enquanto no Filho a Igreja encontra o fundamento e o mediador da fé, que incorpora a vida do corpo místico, no Espírito Santo encontramos a caridade que faz da Igreja lugar da diversidade, da solidariedade, da abertura mutua, e do serviço fraterno.
A Eclesiologia é rica de elementos que nos permite uma visão ampla e profunda do seu mistério. Em resumo, compreende a igreja o conceito de “corpo místico”. Cristo, Verbo encarnado, tem um lugar de primazia no corpo místico, que inclui a Igreja militante, em purificação e triunfante; igualmente, inclui também todos aqueles que no passado até o momento presente pela fé de modo implícito acolheram a Cristo. Ele é a cabeça do seu corpo místico; princípio dos membros e doador supremo da graça. Em sua condescendência e piedade abaixou-se até nós, no mistério de sua encarnação, para nos comunicar o dom de sua graça. No momento decisivo de sua Paixão, coroamento de sua obra salvífica, nos comunicou no dia de Pentecostes o dom do seu Espírito Santo.
1. Personalidade do Espírito Santo
Quem é o Espírito Santo?
O Espírito Santo é frequentemente debatido e interpretado de maneiras distintas, sendo às vezes descrito de forma impessoal, como uma força ou influência. No entanto, a Bíblia revela que o Espírito Santo é muito mais do que uma simples energia; Ele é uma pessoa divina, com atributos e atos que refletem Sua personalidade única.
O Espírito Santo: Mais que uma Influência
Embora algumas passagens bíblicas utilizem metáforas para descrever o Espírito Santo, como o sopro que preenche (Gn 2.7; Jó 32.8; Ez 37.9), a unção que unge (Lc 4.18; At 10.38; Hb 2.9), o fogo que ilumina (Lv 10.2; Ml 3.2, 3) e a Água Viva (Jo 7.37, 38; 4.14), essas imagens não devem ser interpretadas como uma negação de Sua personalidade. Elas servem para ilustrar Suas operações e manifestações, mas não definem Sua essência.
O Espírito Santo tem um papel ativo na vida do crente, convencendo o homem do pecado, da justiça e consumindo em nós tudo o que não é da vontade de Deus (Mt 13.11, 12; Lc 3.16, 17). Esses atos demonstram que Ele possui vontade própria e uma missão específica no plano de Deus.
Atos Pessoais do Espírito Santo
Os atos pessoais atribuídos ao Espírito Santo reforçam a Sua identidade como pessoa. Ele sonda as profundezas de Deus (1Co 2.10), uma tarefa que exige intelecto e discernimento. Ele também fala aos homens e à Igreja (Ap 2.7), revelando Seu papel como comunicador divino. Além disso, o Espírito intercede pelos crentes (Rm 8.26), o que implica em uma vontade ativa de interceder junto ao Pai. Ele também ensina (Jo 14.26), guia e conduz (Rm 8.14), mostrando que Ele não apenas conhece a verdade, mas também tem o poder de direcionar e instruir.
Características Pessoais do Espírito Santo
O Espírito Santo é dotado de intelecto, vontade e sensibilidade, atributos inerentes a uma pessoa. Ele possui o intelecto ou poder de pensar (1Co 2.10, 11; Rm 8.27), volição ou poder de vontade (1Co 12.11), e sensibilidade ou poder de sentir (Rm 15.30; Ef 4.30). Estes aspectos destacam a sua capacidade de tomar decisões, sentir emoções e agir de acordo com a vontade de Deus.
O Espírito Santo Merece Tratamento Pessoal
Reconhecer o Espírito Santo como pessoa é essencial para o relacionamento correto com Ele. Não se pode mentir para Ele (At 5.3), nem rebelar-se ou entristecê-Lo (Is 63.10). Além disso, a Bíblia adverte contra a blasfêmia contra o Espírito Santo, um pecado imperdoável (Mt 12.31), enfatizando a seriedade de Seu papel na Trindade.
A Importância da Adoração ao Espírito Santo
Se o Espírito Santo é uma pessoa divina, Ele merece não apenas o reconhecimento, mas também a adoração que Lhe é devida. Ignorar Sua personalidade ou tratá-Lo como uma simples influência priva-O do amor e da adoração que são reservados a Deus. Como membros da Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo são igualmente dignos de honra e glória.
Em resumo, o Espírito Santo não é uma força impessoal, mas uma pessoa divina que atua intimamente na vida do crente, ensinando, guiando, intercedendo e revelando a vontade de Deus. Ele merece ser adorado e reconhecido como tal, sendo parte essencial da Trindade e da experiência cristã.
A DIVINDADE DO ESPÍRITO SANTO
A doutrina da Trindade revela a existência de três Pessoas divinas – Pai, Filho e Espírito Santo – coeternas e coiguais, compartilhando da mesma essência divina. No contexto dessa doutrina, o Espírito Santo é identificado não apenas como uma força ou influência, mas como o próprio Deus, agindo de maneira pessoal e soberana no universo e na vida dos crentes.
O Espírito de Deus: O Executivo da Trindade
O Espírito Santo é descrito como o “executivo da Trindade”, operando em todas as esferas, sejam físicas ou morais. Ele habita no templo do corpo dos crentes, como nos diz 1 Coríntios 3.16: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”. Além disso, Ele é aquele que revela as profundezas de Deus aos homens, discernindo todas as coisas, como afirmado em 1 Coríntios 2.14.
O Espírito de Cristo: Unidade na Trindade
A expressão “Espírito de Cristo” aparece em Romanos 8.9: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” Não há distinção essencial entre os termos “Espírito de Deus”, “Espírito de Cristo” e “Espírito Santo”, como vemos em João 14.26: “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” A unidade da Trindade é também enfatizada em Mateus 18.20: “Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.”
O Consolador: A Ajuda Divina
O Espírito Santo é o “Consolador” prometido por Jesus, descrito com a palavra grega “Paracleto”, que significa “alguém chamado para ficar ao lado de outrem com o propósito de ajudá-lo”. Em João 14.16, Jesus promete: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre.” O Espírito Santo, portanto, atua como aquele que sustenta, guia e fortalece os crentes em todas as suas necessidades espirituais.
O Espírito Santo é Deus
A divindade do Espírito Santo é afirmada diretamente na Escritura. Quando Ananias mentiu ao Espírito Santo, Pedro ressaltou que ele tinha mentido a Deus. Em Atos 5.3-4, Pedro confronta Ananias: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? […] Não mentiste aos homens, mas a Deus.” Esse texto sublinha que mentir ao Espírito Santo é o mesmo que mentir ao próprio Deus, confirmando Sua divindade.
Atributos Divinos do Espírito Santo
Os atributos do Espírito Santo corroboram Sua divindade, pois refletem as mesmas características essenciais do Pai e do Filho.
- Eternidade: Hebreus 9.14 descreve o Espírito como “o Espírito eterno”, afirmando que Ele não tem começo nem fim.
- Onipotência: Em Lucas 1.35, vemos que o Espírito Santo é aquele que traz à existência o impossível, como no nascimento virginal de Cristo: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.”
- Onipresença: Salmos 139.7-10 declara: “Para onde me irei do teu Espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará, e a tua destra me susterá.” Este versículo revela a presença constante e universal do Espírito Santo.
- Onisciência: O Espírito conhece as profundezas de Deus e a mente dos homens, como está em 1 Coríntios 2.10-11: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.” E em 1 Coríntios 12.11: “Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.”
Sua Associação com o Pai e o Filho
A divindade do Espírito Santo é ainda confirmada pela Sua associação intrínseca com o Pai e o Filho.
- Na Comissão Apostólica: Jesus ordena em Mateus 28.19-20: “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” O Espírito é incluído na fórmula batismal, demonstrando Sua igualdade com o Pai e o Filho.
- Na Administração da Igreja: 1 Coríntios 12.4-6 descreve a obra do Espírito na distribuição dos dons, afirmando: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.” Aqui, vemos a unidade da Trindade na administração dos dons espirituais.
- Na Bênção Apostólica: Em 2 Coríntios 13.13, Paulo invoca a bênção trinitária: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém.” Essa bênção revela a coigualdade e a cooperação do Espírito com o Pai e o Filho.
A compreensão da divindade do Espírito Santo é fundamental para a teologia cristã. Ele é digno de adoração, reverência e obediência, pois é o próprio Deus em ação no mundo e na vida dos crentes.
A OBRA DO ESPÍRITO SANTO
A obra do Espírito Santo em relação ao mundo: O Espírito Santo é o criador, é princípio de vida que trabalha na terra ainda sem forma e vazia (Gn 1.2; Sl. 33.6; 106.30). Em relação aos homens antes do pentecostes: O Espírito Santo é o agente de Deus aqui neste mundo e, através da história, notamos sua ação na vida dos homens, tanto regenerados como não regenerados.
O Espírito Santo na preparação dos profetas e a inspiração das Escrituras: A Bíblia declara-se a Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo. A crença na inspiração verbal das Escrituras é uma verdade fundamental, indispensável à nossa fé. Nenhuma profecia das Escrituras foi produzida por qualquer indivíduo independente, a origem está em Deus, estes homens que falaram foram tomados pelo Espírito Santo e levados por seu poder ao alvo escolhido por Ele.
O ESPÍRITO SANTO E O MESSIAS
O Messias é ungido com o Espírito e batizará com Espírito Santo e fogo (Mc 1.8; Mt 3.11).
— A Encarnação: Jesus Cristo, o Unigênito Filho de Deus, tomou sobre si uma natureza humana e um corpo humano, ambos preparados por uma operação especial do Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 2.25-28).
— O Batismo de Jesus: o Espírito desceu sobre Jesus numa forma visível, assinalando a sua saída da vida particular para entrar num ministério público (Mt 3.16; Mc 1.10-11; Lc 3.21-22).
— A Tentação: como Filho do Homem, que veio redimir o homem caído, Jesus foi conduzido pelo Espírito a este grande conflito (Mt 4.1-11; Mc 1.12; Lc 4.1-13).
— O ministério de Jesus: Dr Gray escreve: “depois da sua unção pelo Espírito, quase tudo o que se diz ter sido realizado por Jesus, se realizou não pelo poder de seu Espírito natural e sim pelo Espírito Santo” (Lc 4.1-21; 10.21; At 10.38; Mt 12.28).
— A morte e a ressurreição de Jesus Cristo: o Espírito Santo está profundament ligado com a cruz. A morte de Cristo, como propiciação para com Deus e expiação pe pecado, se realizou no poder do Espírito Santo (Hb 9.14; Rm 1.4; 8.11).
— O ministério de Jesus após sua ressurreição: durante os quarenta dias do seu ministério, após sua ressurreição, Cristo deu mandamentos aos seus discípulos pelo Espírito Santo (Jo 20.22; At 1.2-8).
O ESPÍRITO SANTO DEPOIS DO PENTECOSTES
O Espírito Santo convence do pecado, Ele convence do pecado, da justiça e do juízo, mostrando ao mundo o seu erro de tal maneira que seja produzido um reconhecimento pessoal do pecado.
— O Espírito Santo regenera: sem a obra do Espírito Santo, ninguém é capaz de se tornar um crente verdadeiro, porque o pecador é incapaz de virar para Deus sem a sua ajuda.
— O Espírito Santo habita no crente: o Espírito Santo vem habitar ou fixar sua residência na vida de todo o crente por ocasião da regeneração, seja qual for o grau de imperfeição ou maturidade deste crente (Jo 14.16-23).
— O Espírito Santo proporciona segurança: certeza de salvação é uma das bênçãos concedidas pela habitação do Espírito no coração do crente.
— O Selo do Espírito Santo: significa posse: Ele é o selo que Deus põe sobre cada alma salva, é o carimbo divino e a garantia da herança eterna. O selo do Espírito Santo significa segurança, Deus sela a salvação do crente para a eternidade.
— O Penhor do Espírito: Deus nos deu o dom do Espírito Santo como garantia de que pertencemos a Ele.
O ESPÍRITO SANTO SANTIFICA O CRENTE
O Espírito Santo Santifica o Crente
A santificação é um processo essencial na vida do crente, resultado direto da obra redentora de Cristo e da atuação contínua do Espírito Santo. Pela morte de Jesus na cruz, fomos libertados da penalidade do pecado. Nossos pecados foram perdoados e lavados no precioso sangue de Cristo, assegurando nossa justificação diante de Deus. No entanto, a obra da santificação, realizada pelo Espírito Santo que habita no coração de cada crente verdadeiro, nos liberta do poder do pecado no decorrer da nossa vida cristã.
Essa obra de santificação é crucial e se manifesta em dois aspectos principais:
- Santificação Posicional: Pelo sangue de Jesus Cristo, somos santificados eternamente. Isso significa que somos separados do mundo e consagrados a Deus como Sua propriedade exclusiva. Como está escrito em Hebreus 10.10-14: “Nessa vontade é que temos sido santificados, pela oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez para sempre. […] Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.” A santificação posicional nos garante uma posição definitiva em Cristo, marcada pela separação do pecado e pela dedicação a Deus.
- Santificação Progressiva: Este é o processo contínuo e diário pelo qual o crente é transformado à imagem de Cristo. À medida que caminhamos em nossa vida cristã, experimentamos essa santificação progressiva, sendo moldados e aperfeiçoados pelo Espírito Santo. 2 Coríntios 3.18 descreve esse processo: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.”
Assim, a santificação é uma obra conjunta do sacrifício de Cristo e da atuação do Espírito Santo, garantindo que o crente seja tanto posicionalmente santo quanto progressivamente transformado, vivendo de forma cada vez mais alinhada à vontade de Deus.
AS DUAS NATUREZAS
As Duas Naturezas
Alguns ensinam que, após a salvação, o crente perde completamente a tendência de pecar, afirmando que a antiga natureza adâmica morreu ou foi destruída. No entanto, a experiência dos mais santos filhos de Deus revela uma realidade diferente: eles permanecem conscientes da presença e do poder de uma natureza decaída em suas vidas. O novo nascimento, portanto, não é meramente uma transformação da velha natureza, mas a recepção de uma nova natureza divina, conforme descrito em 2 Pedro 1.4: “pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas vos torneis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo.”
O crente passa a possuir, simultaneamente, a nova natureza divina e a velha natureza pecaminosa. Essa coexistência de naturezas opostas dentro de uma pessoa gera um conflito interior constante, como Paulo descreve em Gálatas 5.17: “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis.”
Entretanto, a Escritura também nos assegura que a vitória sobre a velha natureza é possível. Em Romanos 6.14 somos encorajados: “Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça.” E em Gálatas 5.16-25, somos instruídos a andar no Espírito para que não satisfaçamos os desejos da carne, pois aqueles que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e desejos.
Assim, a vida cristã envolve uma luta contínua entre as duas naturezas, mas é marcada pela promessa de vitória através do poder do Espírito Santo.
PLENITUDE DO ESPÍRITO SANTO
Já observamos que, no momento da regeneração pelo Espírito Santo, o crente se torna completamente dependente desse mesmo Espírito para viver uma vida vitoriosa. Embora todo crente verdadeiro possua o Espírito Santo, infelizmente, nem todos desfrutam da plenitude do Espírito em suas vidas.
Condições para Ser Cheio do Espírito Santo
Como mencionado, todo crente genuíno possui o Espírito Santo. No entanto, há uma diferença crucial entre ter o Espírito Santo e ser cheio ou controlado por Ele. Alguns dizem que todo crente tem o Espírito, mas nem todo crente é plenamente possuído pelo Espírito Santo. Por que isso ocorre? Há várias razões, e entre elas destacam-se:
- Ignorância da Palavra de Deus: Muitos crentes não compreendem plenamente a necessidade de uma vida consagrada e cheia do Espírito, como ensinado nas Escrituras.
- Submissão Parcial à Vontade de Deus: A plenitude do Espírito muitas vezes é impedida pela relutância em submeter-se totalmente à vontade de Deus, resultando em uma vida cristã incompleta.
Em Efésios 5.18-21, o apóstolo Paulo nos exorta a viver uma vida cheia do Espírito Santo e detalha as consequências dessa vida em nossas relações uns com os outros:
- Comunhão Mútua: “falando entre vós com salmos.” A vida no Espírito promove uma comunhão genuína e edificante entre os crentes.
- Adoração Verdadeira: “entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais.” A plenitude do Espírito leva a uma adoração sincera e fervorosa a Deus.
- Ações de Graça Contínuas: “dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.” Um coração cheio do Espírito é caracterizado por gratidão constante.
- Obediência e Humildade: “submetendo-vos uns aos outros no temor de Cristo.” A vida cheia do Espírito se manifesta em humildade e obediência mútua, refletindo o caráter de Cristo.
A característica mais marcante da vida de Jesus foi Sua total submissão ao Pai. Da mesma forma, a plenitude do Espírito em nossas vidas se revela por meio de uma submissão total e contínua à vontade de Deus, conduzindo-nos a viver em comunhão, adoração, gratidão e humildade com nossos irmãos e irmãs em Cristo.
2. A propriedade pessoal do Espírito Santo
De que modo o Espírito Santo se distingue das outras duas Pessoas divinas? Através de sua propriedade pessoal. O amor é a sua propriedade pessoal que lhe distingue do Pai e do Filho. O amor convém a toda Trindade, porém constitui a propriedade pessoal do Espírito Santo. Sendo a Trindade amor requer em sua relação amorosa uma terceira Pessoa, segundo o qual o amor por “um outro” é mais perfeito do que aquele por si mesmo e o amor por um outro comunicado a um terceiro é a mais alta forma de perfeição. Assim a procedência do Espírito Santo é “efeito formal” da perfeição do amor divino. O Espírito Santo por espiração procede do Pai e do Filho por via da vontade ou do amor. Ele é chamado de “nexo” ou o laço de união entre ambos. Ele é a comunhão entre ambos (communio amborum), cuja propriedade, que indica relação relativa, não absoluta, se chama “amor”. Tal é a sua propriedade essencial que o distingue das outras Pessoas divinas. Ele é o amor fecundo personificado, a força amorosa unitiva. Ele é o amor personificado no qual encerra o círculo no seio da Divindade. Com efeito, o amor constitui a essência do ser divino, elemento comum às três pessoas da Trindade e, por conseguinte, propriedade constitutiva da Terceira Pessoa. Acentua-se o caráter relacional do amor de Deus. Esse vínculo ou nexo não causa, mas atua o amor recíproco do Pai e do Filho. Não existe um amor em si mesmo, mas para o outro.
O amor se distingue em três níveis:
1) essencial: indica o amor em forma de complacência, ato com o qual toda pessoa ama a si mesma;
2) nocional: amor como concórdia, se refere ao amor que une o Pai e o Filho no doar o Espírito Santo;
3) pessoal: a pessoa mesma do Espírito Santo que tem origem da vontade divina e liberal, gratuita, fecunda e sobreabundante. Ele é pessoa igual em essência ao Pai e ao Filho e que se distingue de ambas como pessoa. Nesse dinamismo de amor intratrinitário o Espírito Santo é pessoa.
Considerando tal propriedade, seguindo a tradição agostiniana, se deve entender de modo mais profundo a Terceira pessoa não como um produto, mas em razão de sua relação com as outras pessoas divinas. Ele opera esse amor na relação com o Pai e o Filho. Mais do que comunidade, a relação de amor no seio da Trindade é “comunhão” (communio). Por conseguinte, o Espírito Santo é a satisfação desse amor que gera comunhão. As pessoas se unem no Espírito Santo não porque estão separadas, mas porque o mesmo satisfaz ou realiza a unidade daquele que é distinto. Em Deus há pluralidade e distinção. Na terceira Pessoa, Deus que é trino encontra sua unidade, consumação ou plenitude.
O Espírito Santo é chamado de “vínculo” do Pai e do Filho. Ele é o amor no qual um ama e tende para o outro, operando a comunhão, a concórdia e o encontro de uma pessoa com a outra. O amor ou caridade está relacionado não tanto à idéia de comunidade, mas a “comunhão”. Deste modo, a amor realiza a comunhão daqueles que são distintos. Portanto, é próprio do Espírito Santo estabelecer vínculos, realizar a unidade, gerar comunhão.
O Espírito Santo procede como hálito ou sopro do Pai e do Filho. Procede do ato amoroso mais nobre da vontade, em forma de amor, da suprema plenitude de amor. Essencialmente na vontade, o Pai e o Filho devem espirar ao Espírito Santo necessariamente, porém livremente, sem que nada se produza para fora da Divindade. Pois, o amor entre dois exige um terceiro, realizando no seio da Trindade divina comunhão. A vontade divina fecunda nas duas primeiras Pessoas, que espira a Terceira é infecunda nesta última. No entanto, essa sua infecundidade “ad intra” vai se tornar “fecunda” ao se manifestar em sua missão visível ou ad extra. Porque toda criatura racional é predestinada a receber esse “Dom” no tempo.
O Espírito Santo procede por modo de “liberalidade”, “vontade”.
— Em primeiro lugar, disposição da alma que se dispõe a dar muitas e grandes coisas com prontidão, generosidade e gratuidade.
— Em segundo lugar, esse termo é entendido também no sentido de opção ou decisão livre. Deus é absolutamente livre em sua vontade. Indica o conceito de liberdade no sentido moral e atributo divino. Deus possui a liberdade em grau sumo e perfeito. O Espírito Santo além de “vínculo” ou nexo é também chamado de “Donum”, isto é, “Aquele que se dá pessoalmente ou que doa algo de si; daí o nome “Dom”.
O mesmo é comunicável em Deus e dado às criaturas racionais no tempo. Esse nome expressa a perfeição da suma gratuidade de Deus, fruto dessa união e comunhão do Pai e do Filho no Espírito Santo. Essa ideia reforça o conceito de comunhão no seio da Trindade. O Pai e o Filho não somente doam o Espírito Santo, mas também se doam às criaturas com e no Espírito Santo. A terceira Pessoa é dom desde toda a eternidade no seio da Trindade, antes mesmo da existência criada, Ele é Dom. Ele é apto para ser comunicável porque emana por via da liberalidade. O seu modo de proceder implica a donabilidade. Significa neste sentido, que o mesmo é doável, prescindindo o tempo e a criação.
3. O Espírito Santo e o “Dom”
Na economia da salvação, o Espírito Santo é chamado de “Dom”. O Espírito Santo é o “dom incriado” que procede de Deus e do Cordeiro. Ele é o “dom incriado ótimo e perfeito, que desce do Pai das luzes por meio do Verbo encarnado, conforme o livro do Apocalipse”. Esse seu nome próprio tem relação com o seu modo de processão e com as criaturas, especialmente quando se refere à vida da graça. Significa comunicação em Deus e para com as criaturas em forma de dons e graças. Ele é Dom que se dá (donum) e que também concede abundantemente os seus dons (datum). O Espírito Santo é “amor”, e, por conseguinte, Dom no qual todos os outros dons são doado. Ele ó Dom primeiro por excelência.
O amor é o principio de toda doação. Ele é anterior a todo e qualquer dom. “Spiritus sanctus est primum donum” (latin). Todos os dons se reduzem ao Dom que é o Espírito Santo. Todos os dons são dados em razão do Espírito Santo. O Espírito Santo é amor e o primeiro amor. Porque “amor”? O Espírito Santo é o dom primeiro, no qual todos os dons são doados. É o amnor de Deus infundida em nossos corações de acordo com São Paulo cf. Rm 5.5.
Podemos distinguir esse termo “Dom” em três níveis:
1) ATO (actus) porque o dom vem efetivamente doado;
2) DISPOSIÇÃO (habitus) porque indica a possibilidade de o dom ser doado alguma vez;
3) ATITUDE (aptitudo) significa a possibilidade intrínseca ao dom de ser doado. Eternamente, ele procede como Dom porque ordenado a ser doável.
É Ele que manifesta a bondade do Criador e que continuamente sustenta o ser de toda criatura. Daí a designação boaventuriana da universalidade da graça. Toda criatura recebe como dom a sua própria existência que, por conseguinte, é efeito de uma doação apropriada à Pessoa do Espírito Santo, Dom incriado. Assim tudo o que se refere à benevolência, a bondade ou ao bem-querer divino se atribui à Terceira Pessoa da Ssma. Trindade.
Entretanto, em Deus não há varias operações, mas uma única e mesma operação trinitária ad extra que atua a criação, a salvação e a glorificação e que é tríplice em seus efeitos. “E assim o Pai e o Filho e o Espírito Santo são um criador pela natureza, um santificador pela graça, um remunerador pela glória…”. O Espírito Santo procedendo do Pai e do Filho e, por ser “termo” ou “fim” das processões em Deus, segundo a sua ordem de origem, é o “fim” ou a perfeição que consiste na santificação das criaturas racionais ou espirituais. Em sua bondade, Ele conserva, aperfeiçoa todas as criaturas. O Espírito Santo é o aperfeiçoamento da criação, se apropria da “causalidade final” já que Ele é o fim ou coroamento da criação e da obra da salvação.
- Santo Agostinho fala do Espírito Santo como Dom porque dado à Comunidade dos fiéis, conforme diz a primeira carta aos Coríntios (1Co 12.11).
Entretanto a sua exemplaridade se distingue daquela da Segunda Pessoa. Enquanto o Filho ou o Verbo é o exemplar de tudo o que o Pai concebe e opera, sendo razão de nossa produção exemplar, a terceira Pessoa é Dom exemplar de toda doação, doação concebida pelo Pai no Verbo. O Espírito Santo é a razão exemplar de toda liberalidade, portanto, de toda doação eternamente no seio da Trindade e age doando os seus dons. Porém, a perfeição desses dons e graças opera o Espírito Santo. Ele é o vínculo de união entre o Pai e o Filho, Aquele no qual é comunicado o seu amor. É também o vínculo entre Deus e os homens Aquele no qual é possível toda outra comunicação. O Espírito Santo que influi a graça e o amor, em última análise, é Dom que opera a comunhão de Deus-Triúno com todas as criaturas.
OS DONS
A finalidade dos dons espirituais é uma das maneiras do Espírito Santo manifestar-se é através de uma variedade de dons espirituais concedidos aos crentes. Essas manifestações do Espírito visam à edificação e à santificação do crente em Cristo. Os dons espirituais proporcionam um ministério espiritual. Os dons proporcionam um ministério a todos; proporcionam o crescimento da Igreja. As manifestações do Espírito se dão de acordo com a vontade do Espírito, ao surgir a necessidade, e também conforme o anelo do crente na busca dos dons.
Como recebemos os dons espirituais
Um dom espiritual é uma capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo para cumprir um ministério especial no corpo de Cristo. Devemos reconhecer que os dons são dados pela livre vontade do Espírito Santo (1Co 12.11).
O valor dos dons espirituais
Deus estabeleceu uma única Igreja. E dentro dessa Igreja, Deus, através do Espírito Santo, distribuiu vários dons diferentes. Apesar de existirem muitos dons, não existe um dom que seja melhor do que o outro, nem uma pessoa que esteja em uma categoria mais elevada que a outra. Não existe, dentro da Igreja, crente de primeira, segunda ou terceira categoria; todos são iguais.Todos os que estão na Igreja foram batizados em um único Espírito, beberam de um único Espírito. O apóstolo Paulo fala sobre isso em 1Coríntios 12.12-30.
O significado dos dons
Em 1Co 12.8-10 o apóstolo Paulo apresenta uma diversidade de dons que o Espírito Santo concede aos crentes. Nessa passagem, ele não descreve as características desses dons, mas em outros trechos das Escrituras temos o ensino sobre os mesmos.
— Dom de profecia: é preciso distinguir a profecia aqui mencionada, como manifestação momentânea do Espírito da profecia como dom ministerial na igreja, mencionado em Ef 4.11.
— Quem pode profetizar: Como dom de ministério, a profecia é concedida a apenas alguns crentes, os quais servem na igreja como ministros profetas. Como manifestação do Espírito, a profecia está potencialmente disponível a todo o cristão cheio dEle (At 2.16-18).
Quanto à profecia, como manifestação do Espírito, observe o seguinte: a) trata-se de um dom que capacita o crente a transmitir uma palavra ou revelação diretamente de Deus, sob impulso do Espírito Santo (1Co 14.24,25; 29-31). Aqui não se trata de entrega de sermão previamente preparado. b) tanto no AT como no NT, profetizar não é primariamente predizer o futuro, mas proclamar a vontade de Deus e exortar e levar o seu povo à retidão, à fidelidade e à paciência (1Co 14.3). c) a mensagem profética pode desmascarar a condição de uma pessoa (1Co 14.25), ou prover edificação, exortação, consolo, advertência e julgamento (1Co 14.3, 25, 26, 31). d) a igreja não deve ter como infalível toda a profecia deste tipo, porque muitos falsos profetas estarão na igreja (1Jo 4,1). Daí toda a profecia deve ser julgada quanto à sua autenticidade e conteúdo (1Co 14.29, 32; 1Ts 5.20-21). Ela deverá enquadrar-se na Palavra de Deus (1Jo 4.1), contribuir para a santidade de vida dos ouvintes e ser transmitida por alguém que de fato vive submissa e obediente a Cristo. e) o dom de profecia manifesta-se segundo a vontade de Deus e não a do homem. Não há no NT um só texto mostrando que a igreja de então buscava revelação ou orientação através dos profetas.
A mensagem profética ocorria na igreja somente quando Deus tomava o profeta para isso (1Co 12.11).
— A Palavra de Sabedoria: (1Co 12.8) – trata-se de uma mensagem vocal sábia e enunciada mediante operação sobrenatural do Espírito Santo. Tal mensagem aplica a revelação da Palavra de Deus ou a sabedoria do Espírito Santo a uma situação ou problema específico (At 6.10; 15.13-22). Não se trata aqui da sabedoria comum de Deus para o viver diário, que se obtém pelo diligente estudo e meditação nas coisas de Deus e na sua Palavra, e pela oração (Tg 1.5-6).
— O Dom do conhecimento: (1Co 12.8) – trata-se de uma mensagem vocal, inspirada pelo Espírito Santo, revelando conhecimento a respeito de pessoas, de circunstâncias, ou de verdades bíblicas. Frequentemente, este dom tem estreito relacionamento com o de profecia (At 5.1-10; 1Co 14.24,25).
— O dom de interpretação: (1Co 12.10) – trata-se da capacidade concedida pelo Espírito Santo, para o portador deste dom compreender e transmitir o significado de uma mensagem dada em línguas. Tal mensagem interpretada para a Igreja reunida, pode conter ensino sobre a adoração e a oração, ou pode ser uma profecia. Toda congregação pode assim desfrutar dessa revelação vinda do Espírito Santo. A interpretação de uma mensagem em línguas pode ser um meio de edificação da congregação inteira, pois toda ela recebe a mensagem (1Co 14.6, 13,26). A interpretação pode vir através de quem deu a mensagem em línguas ou de outra pessoa. Quem fala em línguas, deve orar para que possa interpretá-las (1Co 14.3), trata-se de uma dotação especial dada pelo Espírito Santo, para o portador do dom de discernir e julgar corretamente as profecias e distinguir se uma mensagem provém do Espírito Santo ou não (1Jo 4.1). No fim dos tempos, quando os falsos mestres (ver Mt 24.5) e a distorção do cristianismo bíblico aumentarão muito (1Tm 4.1), esse dom espiritual será extremamente importante para a Igreja.
— O Dom de Misericórdia: é a disposição, capacidade e poder dados por Deus para o crente ajudar e consolar os necessitados ou aflitos (cf EF 2.4).
— Dom de exortação: é a disposição, capacidade e poder dados por Deus, para o crente proclamar a Palavra de Deus de tal maneira que ela atinja o coração, a consciência e a vontade dos ouvintes, estimule a fé e produza nas pessoas uma dedicação mais profunda a Cristo e uma separação mais completa do mundo (At 11.23; 14.22; 15.30-32; 16.40; 1Co 14.3; 1Ts 5.14-22; Hb 10.24,25).
— Dom da fé: fé sobrenatural comunicada pelo Espírito Santo, capacitando o crente a crer em Deus, para realização de milagres. É a fé que remove montanhas (1Co 13.2) e consequentemente opera em conjunto com outras manifestações do Espírito, tais como as curas e os milagres (Mt 17.20; Mc 11.22-24; Lc 17.6).
— Dons de curar: (1Co 12.9) – esses dons são concedidos para restauração da saúde física, por meios divinos e sobrenaturais (Mt 4.23-25; 10.1; At 3.6-8; 4.30). O plural (“dons”) indica cura de diferentes enfermidades e sugere que cada ato de cura vem de um dom especial de Deus. Os dons de cura não são concedidos a todos os membros do corpo de Cristo (1Co 12.11,30), todavia todos eles podem orar pelos enfermos. Havendo fé, os enfermos serão curados. Pode também haver cura em obediência ao ensino bíblico de Tg 5.14-16.
- Quantas pessoas Deus quer curar? Deus prometeu saúde ao seu povo, se este permanecesse fiel ao seu concerto e aos seus mandamentos (Ex 15.26). Sua declaração abrange dois aspectos: a) “nenhuma enfermidade porei sobre ti (como julgamento), que pus sobre o Egito”; e b) “Eu sou o Senhor que te sara (como Redentor)”.
— Operação de Milagres: (1Co 12.10) – trata-se de atos sobrenaturais de poder, que intervêm nas leis da natureza. Incluem atos divinos em que se manifesta o reino de Deus contra satanás e os espíritos malignos (Jo 6.2).
— Dom de ensinar: O propósito principal do ensino bíblico é preservar a verdade e produzir santidade, levando o corpo de Cristo a um compromisso inarredável com o modo piedoso de vida segundo a Palavra de Deus. Podemos definir então que o dom de ensinar é a capacidade de explicar as verdades já reveladas na Palavra de Deus e aplicá-las à vida cotidiana do crente. As Escrituras declaram em 1Tm 1.5 que o alvo da instrução cristã (literalmente “mandamento”) é o “amor de um coração puro. e de uma boa consciência e de uma fé não fingida. Logo, a evidência da aprendizagem cristã não é simplesmente aquilo que a pessoa sabe, mas como ela vive, isto é, a manifestação na sua vida, do amor, da pureza, da fé e da piedade sincera.
— O Dom de Línguas: (1Co 12.10) – no tocante às “Línguas”, como manifestação sobrenatural do Espírito, notemos os seguintes fatos: a) Essas línguas podem ser humanas e vivas (At 2.4-6), ou uma língua desconhecida na terra (ex.: língua dos anjos). A língua falada através deste dom não é aprendida, e quase sempre não é entendida, tanto por quem fala (1Co 14.14), como pelos ouvintes (1Co 14,16). b) O falar em outras línguas como dom abrange o espírito do homem e o Espírito de Deus, que entrando em mútua comunhão, faculta ao crente a comunicação direta com Deus (isto é, na oração, no louvor, no bendizer e na ação de graças), expressando-se através do espírito mais do que da mente (1Co 14.2, 14) e orando por si mesmo ou pelo próximo sob a influência direta do Espírito Santo, à parte da atividade da sua mente (cf 1Co 14.2, 15, 28; Jd 20). c) Línguas estranhas faladas no culto devem ser seguidas de sua interpretação, também pelo Espírito, para que a congregação conheça o conteúdo e significado da mensagem (1Co 14.3, 27, 28). Ela pode conter revelação, advertência, profecia ou ensino para a Igreja (1Co 14.6). d) Deve haver ordem quanto ao falar em línguas em voz alta durante o culto. Quem fala em línguas pelo Espírito, nunca fica em “êxtase” ou “fora de controle” (1Co 14.27, 28).
— O Dom de contribuir: os exemplos dos dízimos e ofertas no AT contêm princípios importantes a respeito da mordomia do dinheiro que são válidos para os crentes no NT. 1) devemos lembrar-nos de que tudo quanto possuímos pertence a Deus, de modo que aquilo que temos não é nosso: é algo que nos confiou aos cuidados. Não temos nenhum domínio sobre as nossas posses. 2) devemos decidir, de todo o coração, servir a Deus e não ao dinheiro (Mt 6.19-24; 2Co 8.5). A Bíblia deixa claro que a cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3.5). 3) Nossas contribuições devem ser para a promoção do Reino de Deus, especialmente para a obra da igreja local e a disseminação do evangelho pelo mundo (1Co 9.4-14; Fp 4.15-18; 1Tm 5.17, 18), para ajudar aos necessitados (Pv 19.17; 2Co 8.14; 9.2), para acumular tesouros no céu (Mt 6.20; Lc 6.32-35) e para aprender a temer ao Senhor (Dt 14.22, 23). 4) Nossas contribuições devem ser proporcionais à nossa renda. 5) Nossas contribuições devem ser voluntárias e generosas, pois assim é ensinado tanto no AT (Ex 25.1, 2; 2Cr 24.8-11) quanto no NT (2Co 8.1-5, 11, 12). 6) Nossas contribuições devem ser dadas com alegria (2Co 9.7). Tanto o exemplo dos israelitas no AT (Ex 35.21-29; 2Cr 24.10) quanto os cristãos macedônios do NT (2Co 8.1-5) servem-nos de modelo.
— O Dom de presidir: presidir ou liderar é a disposição, a capacidade e poder dados por Deus, para o obreiro pastorear, conduzir e administrar as várias atividades da igreja, visando ao bem espiritual de todos (Ef 4.11,12; 1Tm 3.1-7; Hb 13.7, 17, 24). A igreja verdadeira consiste somente daqueles que, pela graça de Deus e pela comunhão do Espírito Santo, são fiéis ao Senhor Jesus Cristo e à Palavra de Deus. Por isso é de grande importância na preservação da pureza da igreja de Deus que seus pastores mantenham a disciplina corretiva com amor (Ef 4.15), e reprovem com firmeza (2Tm 4.1-4; Tt 1.9-11) quem na igreja fale coisas perversas contrárias à Palavra de Deus e ao testemunho apostólico.
— O Dom de ministrar: é um dom dado para ajudar em qualquer ministério secular que exige frutos espirituais. Devemos notar que é o amor que controla o uso ou abuso dos dons do Espírito Santo. Sem amor, os dons do Espírito não valem nada.
4. O Fruto do Espírito
O Fruto do Espírito é uma seleção de virtudes produzidas pelo Espírito Santo na vida daqueles que foram feitos novas criaturas. Esse fruto resulta em uma conduta de vida íntegra e de acordo com a vontade de Deus. O fruto do Espírito Santo é descrito pelo apóstolo Paulo em Gl 5.22,23. O Fruto do Espírito é mencionado dentro de um capítulo onde Paulo faz uma exposição acerca da liberdade que há em Cristo. Ele fornece uma contraposição com as restrições impostas pelo legalismo que estava sendo pregado na comunidade cristã da Galácia. Além disso, o apóstolo enfatizou que o jugo da Lei não é capaz de fazer com que alguém viva de acordo com a vontade de Deus, mas que somente através do Espírito Santo o homem é capacitado a viver uma vida que agrada ao Senhor.
O pano de fundo dos ensinos desse capítulo é a intensa luta entre a carne e o Espírito. O Espírito abomina os desejos da carne, e a carne, por sua vez, rejeita as coisas em que o Espírito nos conduz. Assim, o fruto do Espírito é o bem que nos faz vencer o mal. É o resultado natural de uma nova vida, uma vida regenerada, uma vida que reflete o novo nascimento, a vida no Espírito. Também é importante não confundir o Fruto do Espírito com os dons especiais que o Espírito Santo concede a algumas pessoas e que devem ser utilizados a serviço da Igreja de Cristo. O Fruto do Espírito é um conjunto de capacitações que todos os redimidos recebem.
Por que “fruto do Espírito” e não “frutos do Espírito”?
É interessante notar que quando o apóstolo fala dessas capacitações ele utiliza o singular, “fruto do Espírito”, ao invés do plural, “frutos do Espírito”. Já quando ele escreve sobre as práticas pecaminosas, ele utiliza o plural, “as obras da carne”.
Muitas especulações já foram feitas na tentativa de explicar o porquê disto. A melhor de todas elas defende que isso acontece porque, diferentemente das obras da carne, o Fruto do Espírito é uma unidade. Isso significa que todas as capacitações pertencem a um único fruto. Não somos nós que produzimos esse fruto, mas o Espírito Santo que o produz em nós. Ele assim o faz de um modo em que uma virtude está diretamente ligada a outra. Por tanto, essas virtudes são indivisíveis e juntas formam “o Fruto”. Pense em cada virtude como sendo gomos de um mesmo fruto. Também facilita o nosso entendimento quando conseguimos entender que o amor é à base de todas as outras virtudes citadas. Se não houver amor, é impossível que se tenha verdadeira alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio. Podemos dizer que o fruto do Espírito é o amor seguido necessariamente pelas outras oito preciosas virtudes citadas. Essa não foi a única vez em que o apóstolo utilizou uma metáfora relacionada à produção agrícola para se referir a conduta esperada dos verdadeiros cristãos (Rm 6.22; Ef 5.9; Fp 1.11). Encontramos também em outras passagens bíblicas o mesmo princípio. Um exemplo disto é a pregação de João Batista que enfatizava que o arrependimento verdadeiro produz fruto visível de mudança de comportamento (Mt 3.8; Lc 3.8).
Descrição do “Fruto do Espírito”
Como já dissemos, imediatamente após descrever as obras da carne, o apóstolo Paulo descreveu o fruto do Espírito. O apóstolo apresentou a seguinte relação representativa como sendo o Fruto do Espírito:
● Amor: O amor é a base para todas as outras virtudes (cf. 1 Co 13; Ef 5.2; Cl 3:14). No mesmo capítulo 5 de Gálatas, Paulo já havia enfatizado a importância e necessidade do amor na vida dos verdadeiros cristãos (Gl 5.6,13). Paulo não foi o único a enfatizar a prioridade do amor na vida dos santos. O apóstolo João escreveu que “aquele que não ama não conhece a Deus” (1 Jo 4.8; cf. 3.14; 4.19). O apóstolo Pedro também ressaltou esse princípio em sua primeira epístola (1 Pe 4.8). Claro que tudo isto reflete o ensino do próprio Jesus, onde Ele pessoalmente ensinou que seus discípulos seriam conhecidos pelo amor demonstrado (Jo 13.34,35).
● Alegria: A alegria é uma consequência direta do amor. Essa não é uma alegria superficial, nem mesmo significa a ausência de aflições e dificuldades. Essa alegria é aquela que o apóstolo Pedro escreveu dizendo que é “inefável e gloriosa” (1 Pe 1:8). Essa alegria também é a mesma que o apóstolo Paulo sentia ao dizer: “entristecidos, mas sempre alegres” (2Co 6.10). A alegria produzida pelo Espírito Santo em nós, faz com que nos alegremos mesmo diante da dor, pois somos capazes de compreender que todas as coisas cooperam(Rm 8.28).
● Paz: No livro de Salmos aprendemos que aquele que ama a Lei de Deus possui grande paz (Salmos 119.165; cf. 29.11; 37.11; 85.8). Resultante do amor, essa paz é a marca de um coração sereno, ela é uma tranquilidade experimentada verdadeiramente apenas por aqueles que são justificados mediante a fé (Rm 5.1) Quando alcançamos essa paz, inevitavelmente desejamos compartilhá-la, para que outros também a tenham (Mt 5.9), isto somente pela cruz de Cristo.
● Longanimidade: A longanimidade é a paciência característica de quem foi regenerado, que nos preserva das típicas explosões de ira tão comuns nas obras da carne (Gl 5.20). A paciência como fruto do Espírito Santo é fundamentada na confiança de que Deus cumprirá suas promessas. Essa certeza não nos deixa cair em desespero (2 Tm 4.2,8; Hb 6.12).
● Benignidade: Sabemos que nosso Deus manifesta a benignidade (Rm 2.4; 11.22; cf. Sl 136.1). No ministério do Senhor Jesus narrado nos Evangelhos, pode os claramente perceber tamanha benignidade demonstrada por Ele para com os pecadores (Mc 10.13-16; Lc 7.11-17,36-50; 8.40-56; 13.10-17; 18.15-17; 23.24; Jo 8.1-11; 19.25-27). Ser benigno significa que não devemos causar dor a ninguém (Mt 5.43-48; Lc 6.27-38).
● Bondade: A bondade pode ser traduzida como a generosidade presente no coração e expressa nas ações daqueles que são guiados pelo Espír to. É a excelência moral e espiritual produzida pelo Espírito Santo em nós que nos capacita a zelar pela verdade e pelo que é correto. Essa bondade nos leva a rejeitar tudo o que é mau e perverso.
● Fidelidade: A fidelidade em algumas traduções aparece traduzida como “fé”. Essa também é uma tradução correta do termo grego utilizado. Mas, a tradução que mais se encaixa ao contexto é “fidelidade” ou “lealdade”. Analisando a própria Epístola aos Gálatas, podemos perceber que faltava lealdade (Gl 4.16; Gl 1.6-9; 3.1; 5.7). A fidelidade como Fruto do Espírito não apenas se resume à lealdade para com os homens, mas para com Deus e à sua vontade.
● Mansidão: A Mansidão é o oposto da agressividade, da raiva, da violência. Sermos gentis uns para com os outros revela o fruto do Espírito em nós, e nos faz ser imitador do nosso Senhor (Mt 11.29; 2 Co 10.1).
● Domínio próprio: O fruto do Espírito pode ser visto na relação que alguém tem consigo mesmo. O domínio próprio também pode ser traduzido como “temperança”. No sentido original, o termo grego descreve a capacidade de uma pessoa conter-se a si mesma. Exercendo o domínio próprio, submetemos todas as nossas vontades à obediência a Cristo. A lei existe para propósitos de restrição, mas quanto a estas virtudes, nada existe para limitá-las.
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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante