7. A Obra do Espírito Santo na Igreja
8. O Espírito Santo Ordena a Igreja
9. A Presença do Espírito Santo na Vida do Fiel

5. A missão da Pessoa Divina
A Missão da Pessoa Divina
No contexto da Trindade, a difusão e comunicação das Pessoas Divinas encontram sua origem última no Pai, que é a plenitude fontal e a fonte de toda fecundidade. O Pai, em Sua eternidade, derrama todo Seu amor no tempo através do Filho e do Espírito Santo. É o Pai quem envia o Filho e, consequentemente, juntamente com o Filho, envia o Espírito Santo.
A Ordem das Missões Trinitárias
As missões trinitárias estão intimamente ligadas à ordem das processões das Pessoas em Deus. Seguindo a orientação agostiniana, a doutrina das missões das Pessoas Divinas é desenvolvida de acordo com essa ordem.
A Missão do Filho e do Espírito Santo
A missão do Filho está relacionada à encarnação, enquanto a missão do Espírito Santo está ligada à graça e aos seus efeitos nas criaturas racionais ou espirituais. Trata-se da intervenção divina no tempo, onde a unidade da natureza divina se manifesta em múltiplas aparições. A missão, nesse sentido, é uma “aparição” que revela a inabitação do Espírito na criatura. Ambas as missões, do Filho e do Espírito Santo, sempre ocorrem juntas. Como afirma Agostinho: “Deus é sem limite, invisível e imutável. Todavia, Ele habita especialmente nos homens santificados; apareceu aos patriarcas e aos profetas; desceu do céu; e enviou Seu Filho e o Espírito Santo para salvar o gênero humano.” Assim, Deus se dá a conhecer tanto nos efeitos de Sua criação quanto nas aparições que visam à salvação da humanidade.
As missões divinas não são apenas intervenções temporais, mas também manifestações visíveis das processões eternas das Pessoas Divinas no tempo. Essas missões são a atividade salvadora de Deus Trino, e através delas, Deus revela a distinção das Pessoas Divinas. A salvação ocorre na medida em que Deus Se revela a nós, tornando-nos conscientes de Sua ação redentora.
Distinção das Pessoas Divinas e Suas Processões Eternas
Há uma distinção entre as Pessoas Divinas que corresponde às suas processões eternas. As missões refletem essa distinção, pois são manifestações no tempo daquilo que existe desde toda a eternidade. Em outras palavras, a operação da Trindade na história é a mesma que existe na Trindade imanente.
A razão pela qual não podemos dizer que o Pai Se envia ou que Cristo Se envia a Si mesmo é que o Pai é a origem e a fonte da divindade, tanto para o Filho quanto para o Espírito Santo, e de toda criação, natural e sobrenatural. Assim, Ele envia, mas nunca é enviado. O Pai gera o Filho e O envia em missão, e o Filho, unido ao Pai, espira o Espírito Santo e, com o Pai, envia o Espírito Santo. O Espírito, por sua vez, procede do Pai e do Filho, completando as processões trinitárias, mas Suas operações ocorrem no tempo, sendo dado às criaturas racionais.
Missão Conjunta do Filho e do Espírito Santo
A missão do Espírito Santo está intimamente associada à missão de Cristo. Ambos agem conjuntamente na obra da salvação. Cada Pessoa Divina, conforme sua propriedade e missão, age de forma unida e dinâmica em “circumincessão”, ou seja, uma na outra de modo eterno. Essa cooperação é exemplificada em nossa adoção filial: o Pai nos adotou por meio do Filho e do Espírito Santo. Pelo Filho, nossa filiação divina se iniciou, e pelo Espírito Santo, é aperfeiçoada.
Na obra da redenção, Cristo nos redimiu e o Espírito Santo nos santificou. Cristo nos santificou de forma meritória e abundante, enquanto o Espírito Santo nos santificou de modo mais efetivo. Através da Paixão de Cristo, nos tornamos templo do Espírito Santo, e Cristo, em Sua encarnação, fundou a Igreja, cuja obra é continuada e aperfeiçoada pelo Espírito Santo.
A Plenitude da Graça em Cristo e no Espírito Santo
Em Cristo, o Verbo encarnado, reside a plenitude da graça fontal, ou radical, que é a fonte de todas as graças. Como afirma o prólogo do Evangelho de João: “todos nós recebemos graça sobre graça” (Jo 1.16). Cristo, como cabeça da Igreja, é a fonte de “graça capitis”, que flui Dele para nós, Seus membros. Essa graça é compartilhada pelo Espírito Santo, que age invisivelmente para influenciar e distribuir a graça de Cristo em Seu Corpo Místico.
A missão do Espírito Santo, portanto, está profundamente entrelaçada com a missão de Cristo. Ambos são o princípio da graça, e na obra da salvação, o Espírito age interiormente enquanto Cristo manifesta a graça exteriormente. Essa interação reflete a perfeita unidade da Trindade, onde todas as operações divinas fluem de uma única fonte eterna.
Finalmente, a abundância da graça que procede da ação conjunta de Cristo e do Espírito Santo manifestou-se de forma visível no evento de Pentecostes, um fruto direto da Paixão de nosso Senhor, e continua a se manifestar na vida e no progresso da Igreja, o Corpo Místico de Cristo.
6. A Plenitude em Pentecostes
O Espírito Santo na Igreja: Manifestação e Graça
O Espírito Santo habita a Igreja, o corpo místico de Cristo, de forma abundante e necessária para a plena redenção da humanidade. A presença do Espírito não foi apenas consequência, mas uma exigência fundamental para a suficiência da reparação do gênero humano. A descida do Espírito Santo marcou um evento decisivo na vida da Igreja, com profundas repercussões para o mundo. Este acontecimento ocorreu na “plenitude dos tempos”, dez dias após a ascensão do Senhor, e se destaca como fruto da Paixão de Cristo, juntamente com a ressurreição e a ascensão. Pentecostes é um momento crucial para a congregação da Igreja e a salvação da humanidade.
Cristo, em sua condescendência, enviou o Espírito Santo, essencial para a continuidade de sua obra e para a redenção humana. Sem o Espírito, não há salvação. Assim, o Espírito Santo ocupa um lugar central tanto na soteriologia quanto na eclesiologia. Na Paixão, Cristo ressuscitou, e por meio dessa ressurreição, a fé foi concedida, permitindo que creiamos em Cristo como verdadeiro Deus e verdadeiro homem, capaz de nos redimir por sua morte e de nos restituir a vida. Na ascensão, recebemos a esperança da glória celestial, e em Pentecostes, o amor do Espírito Santo foi derramado. Essas virtudes teologais (fé, esperança e amor) foram perfeitamente concedidas na obra da salvação em Cristo.
Com a descida do Espírito sobre os apóstolos, o Espírito Santo habita interiormente em cada fiel, operando a santificação pessoal e comunitária do corpo eclesial. Ele conforma os crentes à imagem de Cristo, inserindo-os na vida e comunhão da Trindade. No entanto, essa inabitação também se manifesta visivelmente, como ocorreu com os apóstolos em Pentecostes. Essa “missio visibilis” é essencial para a plenitude da graça de Cristo ser percebida em todo o mundo. A abundância da graça, manifestada na Paixão, se revelou de forma progressiva, culminando em Pentecostes.
Antes da Paixão, após a ressurreição e a ascensão, houve distintas manifestações do Espírito Santo. Porém, foi em Pentecostes que a Igreja recebeu a plenitude da graça redundante. Essa plenitude se manifesta não apenas de modo invisível, mas também visível e sacramental. O Espírito Santo se tornou mais visível e audível após a ascensão de Cristo, como um sinal abundante da graça.
Os sinais do Espírito, como as “línguas de fogo” em Pentecostes, expressam sua visibilidade e abundância. Embora não fosse a primeira manifestação visível do Espírito (pois ele também se manifestou como pomba no batismo de Jesus), essa nova manifestação indicava a continuidade da obra redentora de Cristo na Igreja. A Igreja, através dos apóstolos, recebeu e continua a transmitir essa plenitude da graça.
A Escritura utiliza alegorias, como “línguas de fogo” e o “sopro” de Cristo sobre os apóstolos, para ilustrar a plenitude da graça do Espírito. Esses sinais indicam o papel do Espírito na habilitação para o ensino e a pregação da fé, continuando a obra da salvação em Cristo por meio da koinonia cristã.
Em Pentecostes, a Igreja tomou consciência de sua missão no mundo, manifestando visivelmente a responsabilidade de propagar a Palavra de Deus. A oferta da graça em Cristo, através do Espírito, resultou em um serviço maior na propagação da fé. O Espírito Santo foi dado para santificar e para manifestar visivelmente a salvação em Cristo Jesus ao mundo, reforçando a importância da Igreja como mediadora dessa salvação.
O envio do Espírito em Pentecostes torna-se uma manifestação visível da graça que existe em Cristo. Essa comunicação da graça atua como uma influência divina que afeta o homem em sua totalidade, unindo-o ao amor de Deus e à sua ação redentora.
7. A Obra do Espírito Santo na Igreja
A relevância da manifestação redundante do Espírito Santo no dia de Pentecostes não se esgota no ministério da pregação nem nos sacramentos visto que há uma relação estreita e profunda com a “fundação” da Igreja. O Espírito Santo age na edificação Igreja. Ele a santifica, a congrega e a ordena.
A atuação do Espírito na Igreja é viva e dinâmica de modo a afetar cada membro bem como a totalidade do corpo místico. A Igreja não somente é plantada, mas continua em crescimento no tempo pela ação do Espírito Santo.
O Espírito Santo santifica a Igreja
O Espírito Santo santifica a Igreja de Cristo. Já que a Igreja é a esposa de Cristo. Ela o recebeu no dia de Pentecostes como Espírito santificador que desceu. O que Cristo iniciou, aperfeiçoou o Espírito Santo. Visto que o Espírito Santo habita na esposa de Cristo, Ele a santifica. Essa santificação da Igreja mediante o Espírito Santo se dá desde a concepção da Virgem Não só são infundidos por meio da ‘doutrina’, mas também através dos dogmas pelos quais exerce a influentia.
O Espírito Santo inabita toda a Igreja de Cristo, estando nela presente plenamente. A presença da terceira Pessoa faz da Igreja de Cristo realidade fecunda, agraciada e vivificante. Assim como Maria foi cheia de graça e concebeu, também a Igreja de Cristo pela presença do Espírito continua a conceber. Do mesmo modo que Cristo desceu à carne da humanidade, por sua vez, o Espírito desceu aos apóstolos e implantou o mistério da cristandade. Através da Igreja toda Trindade se condescende e se abaixa para responder aos anseios da humanidade ferida em sua imagem por causa do pecado. Na profissão de fé estão lado a lado o Espírito Santo e o conhecimento da natureza da Trindade.
O Espírito Santo une a Igreja
Outra função ressaltada é aquela de “congregar” ou “unir”. O Espírito Santo “une” os membros da Igreja de Cristo. É dado para unir e congregar os membros no corpo místico. Porém, os membros do corpo místico são unidos reciprocamente, segundo o que o próprio Senhor pede no evangelho de João: “para que sejam aperfeiçoados em um” Jo 17.18. Porém, a união perfeita está somente na unidade simples.
Portanto, os membros são unidos por alguem que é uno e o mesmo em todos. Assim sendo, este não pode ser um dom criado, mas incriado: é necessário conceder o dom incriado juntamente com o criado. O Espírito Santo possuindo uma mesma e única essência e inabitando numa multidão realiza uma “unidade perfeita”, trata-se de unidade orgânica.
O Espirito Santo faz em nós morada e, ao mesmo tempo, nos concede a sua graça criada. Deste modo, o Espírito realiza a última etapa da incorporação dos membros ao corpo místico.
A atuação da graça pelo Espírito Santo se dá de dois modos: agradável e carismático. No primeiro, o Espírito Santo opera em nós pessoalmente em razão de nossa justificação. Tal ação é continuada na existência do homem, atua a incorporação de um novo membro. A graça opera crescimento interior através dos dons e virtudes. Esta não se multiplica exteriormente, mas cresce interiormente. Na segundo modo, por sua vez, se exterioriza no tempo e se multiplica visto que nos é dado carismas. Enquanto o primeiro modo da graça é “intensivo”, o segundo é “extensivo” e “multiplicativo”. O primeiro diz respeito a missão invisível do Espírito Santo; o segundo se refere a sua missão visivel. Para que haja perfeita unidade tudo procede do Espírito Santo e com o Espírito Santo e nunca sem Ele, especialmente o amor.
O Espírito Santo e a virtude do amor
Com efeito, o Espírito Santo que nos santifica, igualmente nos une e aperfeiçoa em nós esse vínculo de unidade o “ amor”.
Trindade é o nexo ou laço de amor do Pai e do Filho assim também na Igreja de Cristo em sua manifestação visível. Ele nos concede o dom do amor. Essa virtude interior é o “vínculo” de unidade entre os fiéis; a força que atrai uns aos outros e que conserva o nexo da unidade. A caridade é a virtude formadora da koinonia e da comunhão de todos em Cristo. Tal é o papel do Espírito Santo na Igreja unir e realizar a comunhão interna nos concedendo amor e atuando na dispensação ao próximo.
Entretanto, o amor não opera somente o vinculo de união com Cristo, mas dos membros entre si e ao próximo. É por meio dela que se dilata nosso amor ao próximo. Trata-se então de um vinculo “material”. O amor é virtude unitiva, transformativa e que liberalmente se difunde ou se comunica. O amor não cria vida sozinha, mas em sua relação com a graça santificante age e cresce. Esse vínculo vital de unidade entre a graça e o amor é o Espírito Santo. Ele habita em nós de modo a revelar graça e amor.
8. O Espírito Santo Ordena a Igreja
O Espírito Santo também ordena ou hierarquiza a Igreja, “… passado o intervalo de dez dias, (Cristo) enviou sobre os apóstolos o Espírito Santo que lhe tinha prometido, cuja obra foi congregar a Igreja das gentes e ordená-la segundo as diversas distribuições de ofícios e graças”.
O Espírito Santo é o principio de todo dom e toda graça de modo que infunde em sua descida a plenitude do dom da graça sobre o corpo místico de Cristo, conduzindo-o deste modo a perfeição da ordem. Tal perfeição supõe unidade, distinção e diversidade. Atua a graça da distribuição dos dons e da ordem na Igreja. Como no corpo perfeito diversos membros recebem distintos ofícios assim também acontece por meio dos dons da graça. Então, na unidade da fé e do amor há membros diversos, que possuem distintos ofícios e atividades.
Mediante a missão do Espírito Santo, a Igreja se torna uma realidade orgânica e ordenada. O Espírito Santo que habita em muitos realiza uma unidade perfeita. Essa unidade é orgânica. Isto significa que a Igreja não é meramente corpo morto ou simples meio, mas vida em mutua comunicação, cooperação e doação. Tal dinâmica que liberalmente se doa ou se comunica se dá através do amor.
Na missão invisível ele realiza a incorporação de um não membro tornando-o membro, na missão visível, opera a distribuição dos carismas. Esses carismas são distintos, variam de um membro para outro, conferem ordem, poder espiritual e mútua subordinação. Todos eles procedem de um mesmo princípio, Cristo hierarca e a Ele estão subordinados. Porém, a influência de carismas e graças vem de uma só cabeça, que é Cristo. Pode-se dizer que os dons e ministérios não são resultado do capricho humano, mas é obra de Cristo que nos é dado segundo a influência de seu Espírito. Eles têm a sua existência e razão de ser em Cristo, n’Ele os dons encontram a sua origem, sua ordem e vitalidade. A missão do Espírito Santo consiste em configurar a Igreja através a ordem de Cristo. Porque somente nessa ordem a Igreja encontra razão de ser e perfeição.
Na Igreja de Cristo, por todo o mundo é derramada em muitas formas e uniformemente unida por obra admirável do Espírito Santo, o qual, com ordem maravilhosa, a semelhança da cidade celeste, dispensa nela as dignidades e ofícios e distribui. Porque a alguns constitui apóstolos, a outros pofetas… para o aperfeiçoamento dos santos, na obra do ministério, dirigida à edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.11).
De modo “ternário”, a Igreja enquanto hierarquia humana e terrestre não somente recebe a luz de Deus, mas reflete, interage e participa da vida trinitária, misterio para o qual a Igreja espera alcançar a estatura de Cristo. Enquanto no Pai se encontra a origem, no Filho se encontra o meio e no Espírito Santo, a finalização da vida eclesial.
O Espírito Santo nunca age sozinho, não cria ordem ou vida na solidão, mas com a participação das pessoas concretas. Outrora agiu nos apóstolos, em Maria, nos profetas e hoje age através dos ministros e dos fiéis. Sempre Ele age pessoalmente, se dirigindo à variedade das necessidades humanas e existienciais das pessoas.
9. A Presença do Espírito Santo na Vida do Fiel
Qual é o papel do Espírito Santo na vida da pessoa do fiel? O Espírito Santo atua no aperfeiçomento não somente da Jerusalem terrestre ou Igreja peregrina ou militante no tempo, mas pessoalmente em cada fiel batizado em particular.
A Terceira Pessoa da SS. Trindade inabita a alma ou a pessoa de cada fiel lhe concedendo a graça. Assim como a Igreja na terra como um todo pela ação do Espirito Santo está em progresso do mesmo modo acontece na vida dos batizados.
Sua Presença
1. O Papel do Espírito Santo no Fiel
O Espírito Santo desempenha um papel essencial na vida de cada fiel, aperfeiçoando não apenas a Igreja como um todo, mas também individualmente cada batizado. Ele atua na vida espiritual do fiel, guiando-o e fortalecendo-o em sua jornada de fé.
2. Inabitação do Espírito Santo
Como a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito Santo habita na alma de cada fiel, concedendo a graça divina. Assim como a Igreja está em constante progresso pela ação do Espírito, o mesmo ocorre na vida dos batizados, que são continuamente aperfeiçoados.
3. Concessão da Graça e Distribuição dos Dons
O Espírito Santo é responsável por conceder a graça, distribuir os dons espirituais e ordená-los em cada fiel, visando sua perfeição. Ele vivifica cada membro do corpo místico de Cristo, fazendo da Igreja uma comunidade de fiéis unidos e vivos espiritualmente.
4. O Espírito Santo como Princípio Vital
O Espírito Santo é o “princípio vital” de cada membro da Igreja, purificando, iluminando e aperfeiçoando a pessoa. Sua ação é pessoal e profunda, operando tanto no todo da Igreja quanto em cada fiel individualmente, justificando-os e incorporando-os ativamente no corpo místico.
5. Infusão das Virtudes Teologais
O Espírito Santo opera as virtudes teologais (fé, esperança e caridade) em todos os batizados, infundindo os dons e a graça para tornar a Igreja um organismo vivo e dinâmico, composto por muitos viventes espiritualmente.
6. A Condecendência Divina e a Graça
Deus, em sua condescendência, se digna a baixar-se ao nível da alma humana por meio da graça do Espírito Santo. Essa graça age nas faculdades humanas, aperfeiçoando a vida espiritual e reordenando o ser humano ao seu verdadeiro fim, que é Deus.
7. A Missão do Espírito Santo
A missão do Espírito Santo é reconduzir a alma do justo a Deus, cumprindo o fim último do ser humano: retornar à sua origem divina. Ele age na alma do fiel, restaurando a imagem de Deus que foi distorcida pelo pecado e aperfeiçoando-a.
8. União com Deus pela Graça
Pela ação do Espírito Santo, a alma do fiel é unida a Deus de forma indissolúvel e quase conjugal pelos laços do amor e da graça. Essa união é fundamental para a eterna bem-aventurança, conformando o fiel a Deus e tornando-o apto para a fruição divina.
9. A Conformidade à Santíssima Trindade
A graça do Espírito Santo conforma a mente do fiel à Santíssima Trindade, segundo o vigor da virtude, o esplendor da verdade e o fervor da caridade. Esses elementos purificam, iluminam e aperfeiçoam a alma, tornando o fiel aceitável a Deus.
10. Cooperação com o Livre Arbítrio
A graça do Espírito Santo atua em cooperação com o livre arbítrio do fiel, concedendo dons, virtudes e carismas para a edificação da Igreja. O Espírito ajuda o fiel a crescer em mérito e dignidade, aperfeiçoando sua relação vital com Deus.
11. Participação Ativa no Corpo Místico
A ação do Espírito Santo se manifesta no tempo através de ofícios, ministérios e estados de vida, permitindo que cada fiel participe ativamente no corpo místico de Cristo. Essa participação não se restringe aos clérigos, mas se estende a todo o povo de Deus.
12. Chamado à Liberdade e à Edificação
Todos os fiéis em Cristo são chamados à liberdade, à edificação da Igreja e à realização do Reino de Deus. Respondendo ao chamado divino, o Espírito Santo atua nas virtudes e graças, conduzindo o fiel à perfeição e à plena incorporação na Igreja de Cristo.
13. Unidade Vital e Sobrenatural na Igreja
O progresso espiritual dos fiéis só é possível no contexto da unidade vital e sobrenatural da Igreja. O Espírito Santo, por meio de sua ação contínua, mantém essa unidade e guia os fiéis em sua caminhada de fé e crescimento espiritual.
Conclusão
Não se entende o papel do Espírito Santo sem considerar a sua participação na vida da Trindade. Ele procede do Pai e do Filho. Ele é a “caridade” e o “nexo” de amor entre ambos. Ele é o “dom incriado” que se dá e é dado pelo Pai mediante o Filho a toda criatura. Deus está sempre a se comunicar a todas as criaturas no tempo. Em Deus há perfeita comunicação e unidade, e em seu mistério de amor tende não somente a se comunicar, mas também a unificar de modo vital, ordenado e perfeito.
As Pessoas jamais agem sozinhas ou justapostas uma a outra, mas eternamente em comunhão e em circumissessão[5].
De modo dinâmico um Pessoa está e age na outra realizando de modo inefável a obra da criação, da redenção e da glorificação. Com efeito, a vida da Trindade se manifesta no tempo das criaturas, especialmente na vida da Igreja. Isto acontece porque o Espírito Santo inabita na Igreja e na pessoa do fiel em particular. Essa inabitação do Espírito Santo é, ao mesmo tempo, inabitação do Pai e do Filho, visto que uma Pessoa está na outra e age sempre com a outra. Por conseguinte, em sua inabitação, o Espírito Santo se manifesta abundantemente em sua missão visível no tempo. Em resumo se pode dizer que a ação do Espírito está associada à ação de Cristo. Enquanto Cristo inicialmente concede a sua graça, o Espírito Santo a aperfeiçoa com o fim de santificar, unir e ordenar a Igreja.
Em Cristo, no mistério de sua Paixão, a Igreja é fundada e, por conseguinte, a salvação e o batismo, são incorporados à Igreja de Cristo novos membros. Por sua vez, o Espírito Santo opera de modo vivo e dinâmico o crescimento da Igreja no tempo. Em vista da perfeição da Igreja, Cristo concede o Espírito Santo em vista da realização de uma “necessidade” salvífica no dia Pentecostes.
O Espírito Santo atuou no passado, no Antigo Testamento, no ministério público de Cristo, antes do acontecimento da Ascensão, mas se manifestou visivelmente em Pentecostes. Essa manifestação vai acontecendo progressivamente até alcançar sua plenitude em Pentecostes.
A Igreja outrora oculta se manifesta visivelmente no tempo e alarga os efeitos da graça. A Igreja Cristã nasce na Paixão de Cristo, mas através do Espírito Santo se manifesta a sua missão no mundo visivelmente, socialmente e abundandemente.
[1] significa esta mútua inabitação entre as Pessoas divinas (estão todas uma nas outras), devido à essência divina, às relações e às processões divinas imanentes.
[2] Graça entendida
[3] Sensação de movimento
[4] Missão visível
[5] Mútua inabitação entre as Pessoas divinas
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por Teo.Prof Pr Sergio Valentin Grizante