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  1. O EGITO E A BÍBLIA
  2. GÊNESIS
  3. ÊXODO
  4. LEVÍTICO
  5. NÚMEROS
  6. DEUTERONÓMIO
  7. O REINO DIVIDIDO
    BIBLIOGRAFIA


Em primeiro lugar, o Egito foi colonizado pelos descendentes de Cão. Abraão passou algum tempo aí. O mesmo fez Jacó. José foi seu governador.

A nação judaica, em sua infância, passou 400 anos lá. Depois de 400 anos de escravidão, os israelitas foram libertados por Moisés, que, segundo a narrativa bíblica, foi escolhido por Deus para tirar seu povo do Egito e levá-los novamente à Terra de Israel, prometida a seus antepassados (cerca dos séculos XIII e XII a.C.). Durante 40 anos, eles percorreram o deserto do Sinai, onde formaram uma nação e receberam a Torá (Pentateuco), que incluía os Dez Mandamentos e deu forma e conteúdo à sua fé monoteísta.

O êxodo do Egito (cerca de 1300 a.C.) deixou uma marca indelével na memória nacional do povo judeu e tornou-se um símbolo universal de liberdade e independência. Todo ano, os judeus celebram a Pessach (Páscoa), o Shavuot (Pentecostes) e o Sucot (Festa dos Tabernáculos), relembrando os eventos ocorridos naquela época. Moisés foi filho adotivo de uma rainha egípcia,foi instruído em toda a ciência e a sabedoria desse país, como preparação para ser o legislador de Israel. Moisés escolhido pelo Senhor para tirar o povo do jugo da escravidão egípcia.

O culto ao bezerro – veio a ser a religião do reino setentrional de Israel. Flinders Petrie, famoso arqueólogo egípcio, diz que a religião original do Egito foi monoteísta. Contudo, antes do alvorecer do período histórico, uma religião desenvolveu-se, na qual cada tribo tinha seu próprio deus, representado por um animal.  – Ptá (Apis), foi divindade de Mênfis, representada por um touro. Amom, deus de Tebas, era representado por um carneiro. Hator, deusa da alegria, era representada por uma vaca. -Mut, espôsa de Amom, por um abutre. -Horus, deus do céu, por um falcão. Ra, deus sol, por um gavião. Set, deus da fronteira oriental, por um crocodilo. – Osiris, deus dos mortos, por um bode. Ísis, sua esposa, por uma vaca. Tote, deus da inteligência, por um macaco. A deusa Hequite, por uma rã.  Nechebt, deusa do Sul, por uma serpente. – A deusa Bast, por um gato.

O Egito veio a ser importante centro do cristianismo primitivo. O Nilo corta-o pela extremidade oriental do deserto do Saara, desde Asuá ao Mediterrâneo; com um planalto deserto de cada lado, de uns 300m de altitude.

O solo do vale é coberto de rico depósito aluvial negro, procedente das serranias da Abissínia, e é de fertilidade sem igual, sendo cada ano renovado o sedimento pelas enchentes do Nilo.

É irrigado desde a alvorada da história por um sistema vasto e esmerado de canais e represas. A represa Asuã, recentemente construída pelos inglêses, controla a enchente do Nilo; as fomes são coisas do passado. “Rodeado, isolado e protegido pelo deserto, desenvolveu-se ali o primeiro grande império da História; e em parte alguma, como ali, os testemunhos da civilização antiga foram tão bem conservados.” A população (em 1959) era de uns 24.000.000; nos tempos dos romanos era de 7.000.000; nos dias da permanência de Israel era provavelmente isso ou menos. A terra de Gósen, principal centro da região habitada pelos israelitas, ficava na parte oriental do DeIta.



Este livro é bem definido pelo seu título, Gênesis, que significa principio, no hebraico Bereshit, pois trata da história do princípio de todas as coisas – do céu e da terra, de toda as formas de vida e de todas as instituições e relações humanas. Tem sido chamado de o “viveiro” das gerações da Bíblia. Este livro é peculiar em toda literatura do Oriente Médio antigo, e é básico para todos os demais livros da Bíblia, pois dele podemos extrair temas teológicos importantes:

Para fins de estudo, o livro de Gênesis pode ser dividido em seis tópicos:

O grande e poderoso Deus, completou, em seis dias, a obra de sua criação, e descansou no sétimo.

Depois de ter criado o homem (coroa da criação), Deus declarou que tudo era muito bom. O segundo capítulo mostra como Deus preparou o primeiro lar para o ho-mem, como realizou a primeira cerimônia de casamento, e como colocou a árvore da ciência do bem e do mal e a árvore da vida no jardim.

Não há nada em Gênesis que seja capaz de contradizê-lo; pelo contrário. coisas pelos escritores pagaos mais ou aquilo que se descobrir nos costumes diferentes nações, o relato do livro é de extrema veracidade dos fatos.

Esses  fatos ensinavam as seguintes lições: se Adão e sua esposa escolhessem o bem e recusassem o mal; comeriam sempre da árvore da vida, caso contrário, morreriam.

Preparação/separação em Gênesis

1° dia: luz                             5° dia: aves e peixes

2° dia: ar e água                   6° dia: o homem

3° dia: terra e plantas           7° dia: descanso

4° dia: luzeiros

Podemos dividí-la da seguinte forma:

A possibilidade de tentação: A árvore da ciência do bem e do mal foi posta no jardim a fim de que o homem fosse experimentado e aprendesse a servir a Deus por sua livre vontade.

O autor da tentação: A serpente, que nesse episódio, representa o diabo. Ele é o autor da tentação.

A sutileza e o êxito da tentação: Satanás conseguiu semear dúvidas na mente de Eva. O casal desobedeceu a Deus e tornaram-se conscientemente culpados.

1° – sobre a serpente: degradação.

2° – sobre a mulher: dor e submissão ao homem.

3° – sobre o homem: trabalho árduo até a morte, num solo cheio de espinhos.

A redenção prometida (Gn. 3:15)

“E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e o seu descendente” , isso quer dizer que haveria uma luta entre o homem e o poder que lhe causou a queda. “Este te ferirá a cabeça”, o homem será vitorioso por meio de seu representante, o Filho do Homem (At 10:38 / 1Jo 3:8) “E tu lhe ferirás o calcanhar”,  mas a vitória viria por meio da morte da semente da mulher – Cristo (Gl 4:4 / Is 7: 14 / Mt 1:21).

A redenção figurada

O Senhor imolou a vitima do primeiro sacrifício para poder vestir os culpados, um quadro da cobertura da consciência culpada, por meio de um sacrifício de sangue. Essa ação de Deus apontava para o calvário.

 Caim torno-se o fundador da civilização que incluiu uma cidade, agricultura, manufaturas e artes. O caráter dessa civilização foi marcado pela decadência do matrimônio e pelo espírito de violência (Gn. 4:19-24).

Abel morreu, Caim foi rejeitado; a promessa da redenção passou ao terceiro filho de Adão, Sete (Gn. 4:25-26).

Havia, agora, duas classes de homens no mundo, os ímpios (cainitas, que descendiam de Caim), e os piedosos (setistas, que descendiam de Sete) (Gn. 4:25-26). Mais tarde, a linhagem de Sete perdeu sua distinção ao unir-se pelo matrimônio com os cainitas, resultando num estado de impiedade na terra que exigia o juízo de Deus. Dos descendentes de Sete, somente a família de Noé permaneceu fiel a Deus. Noé tornou-se o escolhido, e por meio dele, a promessa de redenção continuou seu curso até o seu cumprimento (Gn. 5:29; 6:8).

No capítulo 5, encontramos a genealogia que começa em Adão e termina com Noé. O propósito principal da genealogia é conservar um registro da linhagem da qual viria a semente prometida: Cristo (Gn. 3:15). Façamos um sumário dos acontecimentos principais desses capítulos: a. A genealogia de Noé (5) – b. A construção da arca (6) – c. A entrada na arca (7) – d. A saída da arca (8) – e. O pacto com Noé (9).

Observem o estado da civilização, ao tempo do dilúvio (Gn. 4:16-21). Os descendentes de Caim foram edificadores da primeira cidade e os originadores das principais artes. De que devem lembrar-nos aqueles dias? (Mt. 24:37-39). Deus destruiu o mundo através das águas do dilúvio e começou uma nova raça com a família de Noé. Prometeu que a terra nunca mais tornaria a ser destruída por águas, e deu o arco íris como sinal dessa aliança. Mais adiante, Noé predisse o futuro de seus três filhos (Gn. 9:18-27), e apontou a Sem como a semente escolhida, através da qual Deus abençoaria o mundo.

Como introdução ao estudo das nações, leia cuidadosamente a profecia de Noé referente aos seus filhos (Gn 9:18-27). O Dr. Ponnock escreve o seguinte, a respeito do seu cumprimento: “Estas profecias cumpriram-se maravilhosamente. Concernente a descendência de Cão, os egípcios foram castigados com diversas pragas; a terra de Canaã foi entregue por Deus, 800 anos mais tarde, aos israelitas, sob o comando de Josué que destruiu muitos, e obrigou o restante a fugir para África e várias regiões do mundo. As condições atuais do povo da África, nós a conhecemos”.

Com respeito a Jafé: “Alargue Deus a Jafé”, cumpriu-se no extenso e vasto território possuído por ele – todas as ilhas e países do oeste; e quando os gregos e depois, os romanos subjugaram a Ásia e a África, eles então, ocuparam as moradas de Sem e Canaã. Com respeito a Sem: “Bendito seja o Senhor de Sem” – isto é, ele e seu povo morariam nas tendas de Sem; dele surgiria o Messias; a adoração do verdadeiro Deus seria preservada entre a sua descendência, sendo os judeus a posteridade de Sem.

Observe as relações entre os capítulos 10 e 11. O capítulo 10 indica as moradas separadas das raças, e o capítulo 11 explica como se deu a separação. Depois do dilúvio, os descendentes de Noé, liderados por Ninrote (10: 8-10), levantaram-se em rebelião contra Deus. Como resultado da desobediência, construíram a torre de Babel. Deus destruiu esse plano, confundindo a sua língua, e espalhando-os entre diversos países.

Esboço simplificado dos capítulos 10 e 11

Jovem de 17 anos, o favorito de seu pai, Israel, a quem a este, abertamente, declara seu apreço, causando inveja em seus irmãos.

José também foi favorito do Senhor, que lhe revelou em sonhos, que reinaria sobre os membros de sua família. Quando esses sonhos foram revelados por ele, causou a fúria de seus irmãos, que o venderam para o Egito. Depois de vencer as muitas adversidades e intempéries de Satanás, vê as promessas de Deus se cumprirem em sua vida, José é elevado a vice-governador da terra do Egito. Quando seus irmãos vieram para comprar cereais e se inclinaram diante dele, os sonhos dele se cumpriram.



9. Êxodo

Livro do Êxodo ou simplesmente Êxodo, em hebraico “Shemot” (saída, partida), é o segundo livro da Torá (Pentateuco) e o segundo da Bíblia hebraica. Ele conta a história do Êxodo, ou seja, de como os israelitas deixaram para trás a escravidão no Egito por sua fé em Yhwh, que escolheu Israel como seu povo.

Autor 

No Novo Testamento, Jesus chama Êxodo de “livro de Moisés” (Mc 12.26; cf. 7.10) e não há razões imperativas para a rejeição da autoria mosaica do livro

O título do livro, “Êxodo,” deriva-se da palavra grega exodos (Lc 9.31), que significa “saída” ou “partida.”  O livro recebe seu nome do evento central da saída do Egito, registrada nos primeiros quinze capítulos do livro.

Data e Ocasião 

Considerando a autoria mosaica de Êxodo, devemos datar o livro após o acontecimento do êxodo (c. 1450-1440 a.C.) e antes da morte de Moisés próxima a 1406 a.C. De acordo com a datação abaixo, o nascimento de Moisés teria ocorrido dentro do reinado de Tutmés I. Hatsepsute, a rainha viúva de Tutmés II, usou títulos masculinos e até mesmo uma barba quando reinou a partir de 1504-1483 a.C. Talvez fosse ela  o Faraó por ocasião de cuja morte Moisés retornou de Midiã ao Egito.

Êxodo prossegue com o relato do cumprimento por Deus de sua promessa a Abraão de abençoá-lo e fazer dele uma grande nação (Gn 12.2).  O livro começa com a descida de Israel ao Egito (1.1-7), o que, através de Gn 46.8-27, liga o livro com as narrativas de Gênesis. O livro termina com Israel no Sinai onde o tabernáculo é concluído. Os acontecimentos registrados no livro podem ser situados em relação ao seu contexto histórico, como veremos.

A ascensão de José ao poder (1.5) liga-se melhor às condições favoráveis para a famíia de Jacó criadas pelo domínio do Egito pelos hicsos, que também eram semitas (c. 1700-1550 a.C.).  A referência em 1.8 a um novo rei “que não conheceu José” provavelmente refere-se à expulsão dos hicsos pelo fundador da décima oitava dinastia, Ahmose I (1526-1512 a.C).  Datando-se o Êxodo em torno de 1450-1440 a.C. (Dificuldades Interpretativas abaixo), o Faraó da opressão foi provavelmente Tutmés I (1570-1546 a.C.), enquanto o Faraó do Êxodo teria sido  Tutmés III (1504-1450 a.C.) ou Amenotepe II  (1450-1425 a.C.).  Esta datação permitiria uma possível identificação dos imigrantes israelitas com os habiru, um grupo mencionado nas cartas de Tel el-Amarna (correspondência entre o Egito e seus vassalos siro-palestinos durante o século quatorze a.C.).  Os habiru eram uma classe social ou ocupacional comumente atestada em textos a partir de 2000 a.C..  Eles eram párias políticos na Palestina (Gn 14.13 nota).

A preservação por escrito das palavras da Aliança de Deus têm importância central para a teologia do livro de Êxodo.  Deus não apenas fala suas palavras a seu povo reunido no Sinai.  Ele também dá a eles os seus Dez Mandamentos por escrito, “escritas pelo dedo de Deus” em tábuas de pedra (31.18; cf. 32.15,16 e 34.1,28).  As condições da Aliança foram apresentadas de forma mais detalhada pelo assim chamado “Livro da Aliança” (20.22-23.19), as palavras de Deus registradas por Moisés, o mediador da Aliança de Deus (24.4,7; 34.27).

A Aliança do Sinai (19.1-20.21; capítulo 24) reflete, tanto na forma como no conteúdo, a forma dos tratados entre estados do segundo milênio a.C., especialmente os tratados entre estados hititas. Esses tratados incluem um preâmbulo (20.2), estipulações (20.3-17), ratificação (24.1,11), além de bençãos e maldições. Uma cópia do tratado era muitas vezes guardada nos respectivos santuários  (p.ex., as duas tábuas de 31.18). Também a similaridade do conteúdo das leis casuísticas dos capítulos 21-23 em relação aos códigos do antigo Oriente próximo (particularmente o Código de Hamurabi da Babilônia, em torno de 1750 a.C.) tem sido freqüentemente observada.

A rota do Êxodo começou em Ramessés.  Sua localização exata é objeto de considerável debate, mas a moderna Qantir é a localidade mais provável (Tel el-Dabá). Dali os hebreus peregrinaram para o sul até Sucote (13.20).  Aqui, aparentemente sem condições de ir mais em frente, os hebreus desviaram-se para o norte (14.2).  Três lugares são mencionados, Baal-Zefom, Migdol e Pi-Hairote.  Baal Zefom é associada com Tafnes, às marges do lago Menzaleh, um dos lagos de água salgada entre o Mediterrâneo e o Golfo de Suez. Havia três rotas de fuga possíveis aos israelitas.  O “caminho da terra dos filisteus” (13.17) ligava o Egito a Canaã através de uma estrada litorânea bastante fortificada. O segundo itinerário, o caminho de Sur, começava próximo a Wadi Tumilat na região do Delta em direção a Cades-Barnéia, e dali para Canaã. A muralha de Sur na fronteira do Egito pode ter sido um obstáculo real a essa alternativa.  Ao conduzir o povo em direção sul, para a região da península do Sinai, o Senhor não somente os trouxe para a montanha que havia indicado a Moisés mas afastou-os de futuros contatos com os egípcios.  O livramento através do mar pode ter sido sobre uma extensão sul do lago Menzaleh.

A península do Sinai é um triângulo de terra medindo aproximadamente 240 quilômetros de leste a oeste no extremo norte e 420 quilômetros ao longo dos outros dois lados.  Dois braços do Mar Vermelho, os golfos de Suez e de Ácaba, são seus limites longitudinais.  Os hebreus dirigiram-se ao sul ao longo da costa ocidental do Sinai.  As águas amargas de Mara (15.22-25)  são, usualmente, identificadas com Ain Hawarh (em torno de setenta quilômetros ao sul da extremidade do golfo de Suez), mas Ain Musa pode ser a localidade correta.  Elim, com suas diversas fontes e árvores, tem sido identificada com Wadi Gharandel, o acampamento junto ao Mar Vermelho (Nm 33.10), em torno de onze quliômetros ao sul de Ain Hawarah.  O deserto de Sim seria melhor identificado com Debet er-Ramleh, uma planície arenosa ao longo do limite do planalto do Sinai.  Se a localização tradicional do Monte Sinai como o atual Jebel Musa estiver correta, Israel teria então se afastado da costa por uma série da vales até Jebel Musa, viajando através do deserto de Refidim, onde eles lutaram contra os Amalequitas (17.8-16).  Refidim foi o último local de acampamento no deserto do Sinai antes da montanha sagrada.  Depois,  prosseguiram até o Monte Sinai (capítulo 19) onde receberam a Lei.

Diversos temas importantes destacam-se no livro de Êxodo.

Cada um desses temas envolve um triunfo da graça divina: um livramento poderoso por Deus, que resgatou seu povo da escravidão no Egito, sua estrondosa auto-revelação e sua graciosa condescendência em habitar no tabernáculo em meio ao seu povo pecador.  A descoberta desses temas também revela a santidade e graça do Senhor em sua Lei da Aliança e no simbolismo cerimonial da vida e culto de Israel.

Crucial para a narrativa é o papel de Moisés como mediador entre Deus e o homem.  Como servo escolhido de Deus, Moisés é o mediador do juízo contra o Egito e aquele  por meio de quem Deus livra a Israel.  Através de Moisés, Deus dá sua revelação no Sinai.  Moisés também guia como um pastor o povo através do deserto até a Terra Prometida.  Ele intercede a favor do povo e, por meio dele, Deus fornece alimento e água.  Mas o papel de Moisés na história da redenção é de precursor específico de Cristo, o Mediador da Nova Aliança (Dt 18.15).  A revelação que Moisés recebe do nome de Deus que repousa “em misericórdia e fidelidade” (34.6) justifica a construção do tabernáculo, mas esta descrição do Senhor aponta à frente para a vinda do verdadeiro tabernáculo, o Cristo encarnado, o grande Servo do Senhor (Jo 1.14, 17 e Hb 3.1-6).

A Lei de Deus revela sua natureza santa e requer santidade do povo entre o qual Deus irá habitar.  As leis cerimoniais para a vida e culto de Israel (capítulos 25—31 e 35—40) assinalam a separação de Israel como povo em cujo meio Deus vive e governa, demonstrando seu reino perante as nações.

Além de sua descrição dos acontecimentos históricos por meio dos quais Israel foi libertado para tornar-se o povo de Deus, Êxodo também traz uma grande ilustração da obra salvífica de Deus através da História. O Deus Salvador redime seu povo escolhido dos poderes do mal, julga esses poderes e reivindica seu povo como seu primogênito, uma nação santa de sacerdotes em meio a qual ele habita por seu Espírito. O padrão da vitória divina é repetido no primeiro e segundo adventos de Cristo (p.ex., Ef 2.14-22 e Ap 20.11—22.5).

O simbolismo encontrado em Êxodo torna-se realidade na Nova Aliança (Jr 31.31-34; Cl 2.17; Hb 10.1).  O sangue aspergido do sacrifício de animais é agora substituído pelo sangue de Cristo (24.8; Mt 26.27, 28; Hb 12.24 e 1Pe 1.2).  A substituição simbólica do cordeiro da Páscoa é cumprida em Cristo, o Cordeiro de Deus, nosso sacrifício pascal (Jo 1.29; 1Co 5.7).  Seu “êxodo”  em Jerusalém (Lc 9.31) realiza a salvação do verdadeiro povo de Deus. O povo de Deus da Nova Aliança é unido a Jesus Cristo, em quem os gentios tornam-se o povo de Deus, membros da comunidade de Israel e concidadãos dos santos do Antigo Testamento (19.5, 6 e Ef 2.11-19).  O significado pleno da descrição de Israel no Êxodo pode agora, pois, ser aplicado às igrejas dos gentios (1Pe 2. 9, 10).

O titulo hebraico do livro é extraído de seu primeiro versículo: “estes são os nomes de”. O nome, em português, vem do título adotado pela Septuaginta (uma tradução grega). O Êxodo (saída) é o tema principal do livro (19:1). Estudaremos o livro de Êxodo com base no seguinte esboço, passando a analisar um dos pontos abaixo, separadamente:

ISRAEL NO CATIVEIRO (CAPÍTULOS 1 E 2)

  1. Opressão de Israel.
  2. O nascimento de Moisés.
  3. A adoção de Moisés (2:10).
  4. O zelo precipitado de Moisés (2:11-14).
  5. A fuga de Moises.
  6. O casamento de Moisés (2:16-22).

ISRAEL REDIMIDO (CAPÍTULOS 3 E 15)

O propósito de Deus era ter um povo cujo testemunho ao mundo fosse “salvo pelo poder de Deus”. Ele desejou gravar na mente de Israel o acontecimento de tal maneira, que nos dias vindouros, quando viesse a opressão e a provação, a nação pudesse recordar que a “salvação vem do Senhor”. No Antigo Testamento, a libertação de Israel da terra do Egito é sempre o exemplo clássico do poder de Deus (Ef 1:19-20 / Fl 3:10). 

ISRAEL VIAJANDO AO SINAI (CAPÍTULOS 15 E 19)  

Nesse estudo é de grande proveito consultar um mapa

A LEI FOI DADA A ISRAEL (CAPÍTULOS 19-23).

ISRAEL EM ADORAÇÃO (CAP. 24/40)

Vejamos:

No monte Sinai, Deus estabeleceu um relacionamento especial com o povo. Pela mediação de Moisés, um povo redimido e seu Deus foram unidos por laço de aliança. Jeová tornou-se o Deus de Israel, e este tornou-se o povo de Deus. Para que essa comunhão pudesse continuar, Deus ordenou a construção do tabernáculo: “E me farão um santuário e habitarei no meio deles”  (Êxodo 25:8). Compreendemos  claramente a finalidade do tabernáculo, quando consideramos  os títulos que lhe são aplicados:

Chama-se assim devido as duas tábuas da Lei que foram colocadas na arca. Essas tábuas foram “o testemunho” (Êx 31:18 / 34:29); testificavam da santidade de Deus e do pecado do homem. “O santuário”, literalmente lugar santo, um edifício separado para morada Divina.



10. Levítico

Levítico (do grego “Leuitikon”, é o terceiro livro da Bíblia hebraica (em hebraico: “Vaicrá” (Chamado por Deus) e do Antigo Testamento cristão. O Livro reflete os ideais de culto e santidade que eram aceitos em Israel desde o tempo de Moisés até a queda de Jerusalém em 587/86 a.C.

Nenhum livro no Antigo Testamento representa um desafio maior ao leitor moderno do que Levítico, sendo necessário um pouco de imaginação para visualizar-se o quadro das cerimônias e ritos que formam o grosso do livro.  Contudo, é importante procurar compreender os rituais de Levítico por duas razões.

— Primeira, porque rituais conservam, expressam e ensinam os valores mais caros de uma sociedade.  Analisando as cerimônias descritas em Levítico, podemos descobrir o que era mais importante aos israelitas do Antigo Testamento. 

— Segunda, as mesmas idéias aqui presentes são fundamentais para os escritores do Novo Testamento.  Em especial, os conceitos de pecado, sacrifício, expiação encontrados em Levítico são usados no Novo Testamento para interpretar a morte de Cristo. 

Exatamente a centralidade dos rituais de levítico para o pensamento do Antigo Testamento é que faz com que eles sejam, muitas vezes, obscuros para nós, já que os escritores não precisavam explicá-los aos seus contemporâneos.  Todo israelita sabia por que um sacrifício específico era oferecido em uma determinada ocasião e o que certo gesto significava. Para nós, porém, os mínimos detalhes no texto precisam ser tomados em consideração para compreendermos tais assuntos e uma leitura perspicaz entre as linhas, por vezes, se faz necessária.

     Levítico é parte da Lei da Aliança dada no Sinai.  As idéias expressas em toda a Aliança sinaítica, inclusive a graça soberana de Deus em escolher Israel e suas exigências morais, são também pressupostas aqui. Alguns temas são especialmente proeminentes em Levítico.  Primeiro, Deus está presente com o seu  povo.  Segundo, porque Deus é santo, seu  povo também precisa ser santo (11.45).  Uma vez que o homem é pecador, não pode habitar com o Deus santo.  O contato entre o pecador e a santidade divina pode resultar em morte.  Daí ser de máxima importância a expiação pelo pecado através da oferta de sacrifício.

Esses temas podem ser descritos como segue.

Cada ato de culto é realizado “para o SENHOR” (p.ex., 1.2), que habita com seu  povo na tenda da congregação.  Porque Deus está presente no Santo dos Santos a entrada ali é vedada a todos, com exceção do sumo sacerdote um vez por ano, no Dia da Expiação (16.17).  Embora a presença de Deus seja normalmente invisível, ele  pode manifestar sua  glória em ocasiões especiais como, por exemplo, a ordenação de sacerdotes (9.23,24).  A maior das dádivas de Deus é que ele dignou-se habitar com seu  povo.

Santidade

O propósito de Levítico é resumido em 11.45: “Portanto, vós sereis santos, porque eu  sou santo.”  O homem deve ser como Deus em seu caráter.  Isso implica em imitar a Deus na vida diária.  A santidade de Deus envolve os seus como a fonte da vida perfeita em suas dimensões física, espiritual e moral.  Animais oferecidos  a Deus em sacrifício precisam ser livres de manchas (1.3) e os sacerdotes que representam Deus para o homem e o homem para Deus não podem ter defeitos físicos (21.17-23).  Aqueles que sofrem de fluxos, especialmente hemorragia, ou que estão afetados com doenças que desfiguram a pele são vedados do culto até que sejam curados (capítulos 12-15).  Saúde física é entendida como símbolo da perfeição da vida divina.  Mas santidade é também uma questão interior relativa a atitudes envolvendo a conduta moral.  O tema da santidade é enfatizado especialmente nos capítulos 17-25, os quais estão preocupados principalmente com conduta ética pessoal, resumida em 19.18, “amarás o teu próximo como a ti mesmo.”

Expiação através de Sacrifício. 

Uma vez que o homem falhou  em viver de acordo com as exigências justas de Deus, um meio de expiação tornara-se essencial para que tanto suas faltas morais como suas imperfeições físicas pudessem ser perdoadas.  Para esse fim, Levítico traz as descrições mais pormenorizadas do sistema sacrificial (capítulos 1-7), do papel dos sacerdotes (capítulos 8-10, 21-22) e das grandes festas nacionais (capítulos 16; 23; 25) encontradas no Antigo Testamento.  Essas grandes cerimônias foram instituídas para tornar possível a coexistência do santo Deus com o seu  povo pecador.

Símbolos e Ritos

Por meio dos símbolos e ritos que descreve, Levítico desenha um quadro do caráter de Deus que é pressuposto e aprofundado no Novo Testamento.  Levítico ensina que Deus é a fonte da vida perfeita, que ele ama o seu  povo e que deseja habitar entre eles. Temos nisso uma antevisão da Encarnação, quando “o Verbo fez-se carne e habitou entre nós” (Jo 1.14).  Levítico também revela claramente a pecaminosidade do homem: nem bem os filhos de Arão são ordenados quando profanam seu cargo e morrem em uma demonstração atemorizante do julgamento divino (capítulo 10). Os que sofrem de doenças de pele ou hemorragias, como também que cometeram pecados morais graves, são excluídos do culto porque suas imperfeições são incompatíveis com o santo e perfeito Deus (capítulos 12-15).  Os símbolos de Levítico ensinam a universalidade do pecado humano, uma doutrina endossada por Jesus (Mc 7.21-23) e Paulo (Rm 3.23).  Preso entre a santidade divina e a pecaminosidade humana, a maior necessidado do homem é a expiação.  É aqui que Levítico mais tem o que ensinar aos cristãos,  pois suas idéias são retomadas e desenvolvidas pelo Novo Testamento na descrição da morte expiatória de Cristo.  Ele é o perfeito Cordeiro sacrificial, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29).  Sua morte é resgate em favor de muitos (Mc 10.45).  Seu sangue purifica-nos de todo pecado (1Jo 1.7).

Acima de tudo, Jesus é o perfeito Sumo Sacerdote que não entra em tabernáculo terreno uma vez ao ano no Dia da Expiação (capítulo 16) mas sim, que subiu ao tabernáculo celeste uma vez por todas, porque ele não ofereceu simplesmente um carneiro pelos pecados do seu  povo, mas sua  própria vida (Hb 9.10).  O rompimento do véu no templo, quando Jesus foi crucificado, foi uma demonstração visível de que sua  morte abriu o caminho a Deus para todos os crentes (Mt 27.51; Hb 10.19,20). 

Além do mais, Levítico restringe a salvação à comunidade da antiga aliança. As leis quanto à comida (cap.11) e a proibição de misturas (19.19) recordavam aos judeus a sua situação ímpar.  Mas o Novo Testamento abre o reino a todas as nações e abroga as leis alimentares (Mc 7.14-23; At 10), enquanto, ao mesmo tempo, insiste na separação da Igreja do mundo (Jo 17.16; 2Co 6.14-7.1).  E enquanto o sofredor do Antigo Testamento tinha de esperar até que Deus o curasse (capítulo 14), nos Evangelhos Deus em Cristo aproximou-se e curou tanto leprosos como os que sofriam de hemorragias (Lc 8.43-48; 17.12-19).  O Deus de Levítico, cujo caráter essencial é apresentado como vida santa, é apresentado nos Evangelhos como estando presente em Cristo e sua obra redentora.

     Levítico vem de leviticus, a forma latina do título grego do livro, e significa “A respeito dos levitas.”  Os levitas eram a tribo de Israel da qual procediam os sacerdotes; eles eram responsáveis por manter o local e as práticas de culto de Israel.  O título é pertinente, porque o livro trata basicamente do culto e das condições necessárias para o culto. 

No entanto, ele não se destinava somente aos sacerdotes ou levitas mas também aos israelitas leigos, dizendo-lhes como oferecer sacrifícios e como vir à presença de Deus no culto.  Levítico fala para a humanidade em todas as épocas, lembrando-nos da gravidade de nosso pecado mas também apontando-nos o sacrifício daquele  cujo sangue é muito mais efetivo do que o sangue de touros e carneiros.

O título em português, deste livro, é derivado da tradução grega do Antigo Testamento (Septuaginta), significa: “Relativo aos Levitas”. Sobre sua autoria, cerca de 56 vezes no livro aparece a expressão: Que o Senhor falou tais Palavras a Moisés, que anotou-as pessoalmente, ou as fez serem registradas (4:1 / 6:1 / 8:1 / 11:1 / 12:1). Jesus também atestou a autoria mosaica do livro (Mc 1:44).

O vocabulário de sacrifício permeia todo livro: a palavra “sacrifício” aparece cerca de 42 vezes; “Sacerdote”, é encontrada 189 vezes; “Sangue”, 86 vezes; “Santo”, 87 vezes, e “Expiação”, 45 vezes. Teologicamente aprendemos sobre a santidade corporal e espiritual. O Novo Testamento se refere-se ao livro de Levítico cerca de 90 vezes.         

Levítico é um livro de Leis, e levando isto em consideração, classifiquemos seu conteúdo, juntamente com os capítulos de referência:

Leis referentes as ofertas (1-7)

Os sacrifícios instituídos como o meio pelos quais o povo podia manifestar sua adoração a Deus:

— O holocausto significava a inteira consagração a Deus.

— A oferta pacífica, que era comida em parte pelo sacerdote e em parte pelo ofertante, mostrava a comunhão com seu Deus.

— A oferta de manjares ou cereais, constituída de farinha, pães e grãos, representava a oferta de uma dádiva ao Senhor de tudo, em reconhecimento da sua bondade.

— A oferta pela culpa foi instituída para o caso de ofensas que exigiam restituição.

Leis referentes ao Sacerdócio (8-10)

Estes capítulos registram a consagração de Arão e seus filhos, e a sua iniciação no ofício sacerdotal. Os principais tópicos destes capítulos são:

Leis referentes à Purificação (11-22)

Israel como nação santa, tem:

Leis referentes às Festas (23-24)

O sábado “Sabtah” (23:1-3)

Podemos considerar este dia como o dia da festa semanal dos israelitas, no qual descansavam de todos os seus trabalhos e se reuniam para o culto.

A Páscoa e a festa dos pães asmos

Observem que havia duas festas numa só, a Páscoa, que durava um dia, celebrando a passagem do anjo da morte sobre a casa dos egípcios, e a festa dos pães asmos, comemorando a partida do Egito, que durava sete dias.

Pouco depois dessa última festa, celebrava-se a festa das primícias, quando um feixe de colheita das primícias era movido perante o Senhor. Um tipo da ressurreição de Cristo (1 Co 15:20).

Pentecostes

Cinqüenta dias depois da páscoa realizava-se a festa de pentecostes, que significava cinqüenta. No qüinquagésimo dia, dois pães movidos sem fermento (23:17) eram oferecidos ao Senhor.

A festa das trombetas (23:23-25). “O dia do ano novo”.

Veja as seguintes referências e verifique o significado típico destas festas (Is 27:23 / 1 Co 15:52 / Mt 24:31 / Ap 11:15).

O dia da expiação (Lv 16; 23:27-32 / Hb 9:6-12).

Era mais um jejum do que festa. Nesse dia o sacerdote entrava no lugar santíssimo com sangue, para fazer expiação pelos pecados do povo. Esse evento ocorria somente uma vez no ano, e significava Cristo entrando no céu com o seu próprio sangue para fazer expiação eterna pelos nossos pecados.

A festa dos tabernáculos (Lv 23:34-44).

Esta festa comemorava os dias em que os israelitas habitavam em tendas, depois da saída do Egito.

Significados das festas em relação ao n.t.:

Leis referentes à terra (25-27).

O ano do jubileu era celebrado de cinqüenta em cinqüenta anos, a começar do dia da expiação. Nesse tempo dava-se à terra o descanso do cultivo; todas as dívidas eram perdoadas, todos os escravos hebreus eram postos em liberdade, todas as propriedades eram restituídas aos seus donos.

O jubileu tinha o propósito de evitar a escravidão perpétua dos pobres, e o acúmulo de riqueza de alguns.

Levítico relata, do início ao fim, as palavras de Deus a Moisés e seu irmão Arão, mas jamais diz quando e como essas palavras foram escritas.  A data exata em que Levítico foi escrito permanece um tanto incerta, embora ela tenha, sem dúvida, ocorrido durante a peregrinação no deserto antes da morte de Moisés (c. 1406 a.C.).  A maioria dos críticos situa a redação de Levítico na era pós-exílica (em torno do sexto século a.C.), muitos séculos depois de Moisés.  Esta opinião é improvável, contudo, porque o conteúdo de Levítico não se ajusta a este período tardio: o culto do segundo templo difere de modo significativo do que é apresentado em Levítico, além de Levítico ser pressuposto ou citado em Livros mais antigos tais como Deuteronômio, Amós e, de forma mais evidente, Ezequiel.  Outros argumentos contra a origem de Levítico na época de Moisés também não são convincentes.  O Livro reflete os ideais de culto e santidade que eram aceitos em Israel desde o tempo de Moisés até a queda de Jerusalém em 587/86 a.C.



Livro dos Números (do grego “Arithmoi”; em hebraico: Bamidbar, “No deserto”), é o quarto dos cinco livros da Torá, a primeira seção da Bíblia hebraica, e do A.T. cristão. Há razões para datarmos a composição do livro no período após a peregrinação no deserto (que se seguiu ao Êxodo) e antes da morte de Moisés, em torno de 1406 a.C.

O livro começa com os preparativos para a marcha através do deserto, relata as experiências na jornada, descreve a falta de fé que levou os israelitas da geração do êxodo a se recusarem a conquistar a Terra Prometida, relata os quarenta anos de espera até que uma geração inteira morresse e termina com os preparativos para entrar em Canaã. Em vista de seu conteúdo, Números parece ter sido escrito como uma admoestação para a geração de israelitas nascidos no deserto que perseverassem na fé e obediência, as quais faltaram aos seus pais. Para gerações futuras do povo de Deus, o livro falaria uma mensagem semelhante.

Na Bíblia Hebraica, era costume chamar cada um dos cinco livros de Moisés pela palavra com a qual começava. Para Números, essa prática foi modificada pela adoção da quinta palavra como título. Essa palavra, que, traduzida, significa “no deserto,” é uma descrição pettinente do conteúdo do livro, uma vez que descreve a experiência da nação durante os quarenta anos no deserto.

Dois temas:

Estes temas são vitais para a mensagem de Números. 

Os eventos de Números vividamente retratam a fidelidade do Deus da Aliança apesar dos erros de uma humanidade pecaminosa.  Deus dirige seu povo enquanto preparam-se para sua jornada pelo deserto, conforta-os nas dificuldades, trata com seus temores e fracassos e os repreende ou pune quando necessário.

Este retrato da fidelidade de Deus para com a Aliança está em contraste agudo com a repetida descrição que o livro faz da infidelidade humana, o fracasso completo da humanidade, incapaz de alcançar os padrões de Deus por sua própria força.  Fracassos humanos são claramente descritos e contrastados com as medidas sábias do sempre fiel Deus da Aliança.  Mesmo Moisés, o maior líder de todos, pecou e não pôde entrar na Terra Prometida, embora a tivesse visto de longe (20.9-11 nota; 27.12-14).  Isso mostra que mesmo as melhores pessoas ainda são pecadoras, sendo salvas unicamente através dos méritos de Cristo, salvação vem somente através da graça de Deus.

TITULO E AUTORIA

Apropriadamente, o titulo Hebraico deste livro, extraído de seu primeiro versículo, significa “no deserto”, já que a maior parte do livro registra a história do povo de Israel, em seus quarenta anos de peregrinação no deserto, porém a Septuaginta intitulou o livro “Arithmoi” (Números), devido à proeminência dos números do recenseamento (Caps. 1-3:26).  O autor é Moisés. Quando a Bíblia foi traduzida para o Grego, seus livros receberam nomes gregos.  

A lição teológica que extraímos de Números, é que o povo de Deus deve andar pela fé, confiando em suas promessas, para assim, poder avançar diante ao deserto (lutas).

ISRAEL –  SINAI (1-9)

Deve-se notar uma distinção entre os sacerdotes e os levitas. Os sacerdotes eram membros da tribo de Levi, que descendiam de Arão e seus filhos (3:2-4), e que eram encarregados das funções sacerdotais do tabernáculo, os sacrifícios, e ministrar no lugar santo.

Nos tempos patriarcais, o primogênito gozava de privilégio, sendo um deles o sacerdote da família. Depois da morte dos primogênitos da terra do Egito, o Senhor ordenou que os primogênitos de Israel, fossem santificados a Ele, isto é a seu serviço (Êx 13:12). Agora, por motivos que se compreendem por si mesmo, o Senhor em vez de aceitar o serviço do primogênito de diferentes tribos, separou uma tribo especial, e aqueles que excederam, foram resgatados do serviço, pagando certa quantia. A cerimônia realiza-se até hoje entre os judeus ortodoxos.

A LEI DO NAZIREADO (6)

Esta Lei apresenta um lindo tipo de consagração. O nazireu, que significa separar-se, era uma pessoa que se consagrava ao Senhor com votos especiais, temporariamente ou a vida inteira. Exemplo: Samuel (1Sm 1:11), Sansão (Jz 13:5 – 16:17), e João Batista (Lc 1:13-15).

Os nazireus não bebiam vinho, usavam cabelos compridos, e não lhes era permitido tocar em cadáver, nem mesmo de seus pais.

DO SINAI A CADES (10 – 19)

*Note-se como se tornou contagioso o espírito de murmuração, chegando mesmo a prejudicar Miriã e Arão.

DE CADES A MOABE (20 – 36)

Ao fim de 38 anos de peregrinação errante de Israel, ainda estavam em Cades-Barnéia, o mesmo lugar de onde voltou para começar sua viagem pelo deserto.

Este período está quase em branco no que diz respeito ao registro histórico. Foi simplesmente um tempo de espera, até que a geração incrédula tivesse desaparecido; agora, a nação está pronta para entrar na terra prometida.

HISTÓRIA DE BALAÃO

Pelo fato de ter sido um profeta, Balaão ensinou ou ensina-nos que Deus, algumas vezes, revelou a sua bondade a indivíduos que não eram israelitas. Melquisedeque e Cornélio, ambos gentios, servem como exemplo.

É evidente que o pecado maior de Balaão foi a cobiça (2Pe 2:15). Você poderá perguntar: Por que Deus permitiu a Balaão ir com os mensageiros e logo depois se aborrecer com ele por tê-lo feito (22:20-22). Era a perfeita vontade de Deus que Balaão se recusasse a ir, mas, ao ver a intensidade de seu propósito, deu-lhe a sua permissão, mas sob esta condição, “Todavia farás o que eu te disser” (v. 20). Lendo os vv. 22, 32 e 35, deduzimos que Balaão foi com a intenção de violar aquela condição. 



Deuteronómio (do grego “Deuteronómion”, “Segunda lei” (repetição da Lei); em hebraico: “Devärïm”, “palavras”) é o quinto livro da Torá, a primeira seção da Bíblia hebraica e parte do Antigo Testamento da Bíblia cristã. Deuteronómio foi muito usado tanto por cristãos como por judeus antigos.

É citado no Novo Testamento mais de cinqüenta vezes, um número superado somente pelos Salmos e Isaías. O livro contém muita exortação. O minucioso material jurídico (capítulos 14-26), em grande parte paralelo a Levítico, não é tão familiar quanto o restante, embora tenha importância para propósitos especiais.

O livro é uma repetição da Lei e da História de Israel. Consiste principalmente de três grandes discursos e um compêndio de leis dados por Moisés no final de sua vida, enquanto o povo estava acampado nas planícies de Moabe, pouco antes de Josué assumir o comando e liderar o povo na conquista de Canaã. A conquista da Transjordânia já havia sido concluída com sucesso e Moisés desafiou o povo nesses discursos de despedida. Como mensagens de despedida de Moisés ao seu povo, o livro combina exortação e mandamentos e serve como exemplo de como a Lei deveria ter sido ensinada.

O primeiro discurso (1.5-4.40)

recorda as experiências de Israel sob a liderança de Moisés. Deuteronômio não fala de como Moisés confrontou a Faraó e como os milagres das dez pragas forçaram Faraó o povo partir mas alude ao Êxodo repetidamente (cinco vezes no primeiro discurso: 1.20, 34; 4.20, 34, 37). Moisés relembra o cuidado miraculoso e providencial de Deus para com o povo durante a jornada do Egito ao Sinai. Então ele detalha a derrota deles tanto em termos espirituais como militares em Cades-Barnéia. A semelhança dos registros em Números, quase nada é dito sobre fatos acontecidos durante os quarenta anos deperegrinação no deserto. A jornada ao redor de Edom em direção à Transjordânia é mencionado e a derrota dos reis Seom e Ogue é registrada com mais detalhes do que em Números. Então vem a divisão da terra na Transjordânia entre as tribos de Rúben, Gade e a meia tribo de Manassés (como em Números 32) e a narrativa termina com referência à súplica de Moisés por si mesmo para entrar em Canaã, o que Deus não concede (como em Nm 27,12-23). Moisés conclui o discurso com exortações à fidelidade ao Senhor.

O segundo discurso (4.44-11.32),

compõe-se de exortações. Alguns afirmam que esse discurso vai até 26.19, incluindo as leis e regulamentos dos capítulos 12—26. O discurso começa com os Dez Mandamentos, muito próximo de uma repetição literal de Êxodo 20, com exceção do quarto mandamento (5.12-15). O terror da teofania (uma autorevelação visível de Deus) é relembrado com um chamado à obediência. Somente os Dez Mandamentos são dados diretamente pela voz de Deus; o restante da lei é mediada por

Moisés (5.22). O famoso “Shema”: “Ouve, ó Israel: o SENHOR Nosso Deus, é o único SENHOR”, encontra-se em 6.4, com a exortação para ensinar, lembrar e obedecer. Os capítulos seguintes contém vários exemplos do cuidado e do juízo divino desde a saída do Egito — todos alusões a Êxodo e Números. Esses exemplos servem para admoestar Israel a confiar no Senhor e não em si mesmos. A isso segue-se uma promessa de sucesso nas guerras que se sucederiam em Canaã.

As leis (capítulos 12-26) incluem legislação referente ao culto, alimentos puros, escravos e dívidas, festas anuais, juízes, cidades de refúgio e várias matérias de conduta.

O terceiro discurso (capítulos 27-30)

— A maior parte é uma exortação vigorosa para que obedeçam as leis do Senhor. Inclui a cerimônia solene a ser realizada entre o Monte Ebal e o Monte Gerizim, próximo de Siquem, quando Israel já tiver iniciado a conquista de Canaã — uma cerimônia em lembrança daquela da Aliança de Ex 20.1-24.8 e que foi devidamente realizada por Josué (JS 8.30-35). Essas leis e exortações foram dadas por Moisés com ênfase sobre a obrigação de Israel perante Deus de ouvir e obedecer à Lei do Senhor.

As seções finais do livro são igualmente importantes e poderosas (31 .1—34.2). Elas incluem a instalação de Jbsué como sucessor de Moisés, o grande Cântico de Moisés celebrando a grandeza de Deus e seu cuidado em favor do povo da Aliança (capítulo 32), sendo que o cântico no qual Moisés abençoa as doze tribos inspira-se no modelo da bênção de Jacó a seus filhos em Gn 49 (capítulo 33) e, por fim, o adendo que descreve a morte de Moisés (capítulo 34)

Por meio de prefigurações e profecias, esse livro também nos faz olhar para Cristo. Ele é o Cordeiro Pascal (16.1) e o Profeta que havia de vir (18.15-19). Moisés, o fundador da teocracia de Israel, foi mediador da Antiga Aliança mas Jesus Cristo, o Filho de Deus, tornou-se Mediador da Nova Aliança (Jr 31.31-34).

A essência das alianças é a mesma mas seu modo de administração difere significativamente. Enquanto a antiga Aliança foi escrita em tábuas de pedra, Cristo escreve a Nova Aliança pelo Espírito do Deus vivo nas tábuas dos corações humanos (2Co 3.3).

A Antiga Aliança foi ratificada com a promessa de Israel, “o ouviremos e o cumpriremos” (5.27; cf. Ex 19.8; 20.19). Mas a Nova Aliança baseia-se em superiores promessas de Deus: “também no coração lhas inscreverei” (Jr 31 .33 e Hb 8.7). A Antiga Aliança requeria que o sangue de animais fosse derramado; a nova e eterna Aliança foi instituída uma vez por todas pelo sangue de Cristo (Jr 32.40 e Hb 9.11-28). A Antiga Aliança exigia uma religião do coração mas falhou devido à fraqueza humana e tornou-se obsoleta após seu cumprimento no Calvário (Rm 8.3;1; Hb 7.12;8.13).

A palavra Deuteronômio (derivada da Septuaginta), significa: “Segunda Lei”. O livro contém os discursos feitos por Moisés, durante os últimos. meses de sua vida, quando os israelitas estavam acampados nas planícies de Moabe, antes de sua entrada na terra prometida. A autoria é do próprio Moisés.

A este tempo, o povo que ouvia Moisés e não havia experimentado pessoalmente, o livramento do mar Vermelho, nem a doação da Lei no Sinai. Entretanto, era preciso lembrá10s do poder de Deus e da Lei de Deus.

A mensagem de Deuteronômio resume-se em três exortações: Recorda! Obedece! e Cuidado! E é a base para do livro.

• Recorda! – Resumo das Jornadas (1-4).

• Obedece! – Resumo da Lei (5-27).

• Cuidado! – profecia sobre o futuro de Israel (28-34).

— O capitulo 28, juntamente com Levítico 26, devem ser considerados como dois grandes capítulos proféticos do Pentateuco.

— Os vv. 1-14 se teriam cumprido se Israel tivesse sido obediente, mas somente terão seu cumprimento final no milênio.

— Os vv. 14-36 cumpriram-se na apostasia de Israel sob o governo dos reis, que culminou no cativeiro babilônico (2Cr 36: 15-20).

— Os vv. 37-38 cumpriram-se durante a destruição de Jerusalém, no ano 70 de nossa era, e no período seguinte (LC 21 :20-24).

Josefo l, general e historiador judeu que vivia naquele tempo, dá alguns relatos impressionantes dos terríveis sofrimentos dos judeus durante aquele tempo, o que indica quão literalmente esses versículos se cumpriram. Como exemplo, citamos o episódio narrado na história:

No período de maior fome em Jerusalém, um grupo de saqueadores armados vagueavam pelas ruas em busca de alimento. Sentiram o cheiro da carne assada vindo de uma casa próxima. Ao entrarem, ordenaram a mulher que ali estava que lhes desse alimento. Ficaram aterrorizados quando ela lhes revelou o corpo assado de seu filho! Qualquer pessoa que conheça algo da história do povo judeu, notará facilmente, como as profecias dos vv. 37-68 tornaram-se parte da história.

— Os capítulos 29-30 registram a aliança da Palestina, isto é, um acordo entre o Senhor e Israel a respeito das condições da posse da palestina.

Devemos notar, cuidadosamente, que há duas alianças referentes a posse da terra. A primeira é a aliança Abraâmica, esta era incondicional, isto é, a conduta de Israel não influenciaria no seu cumprimento. Mas Deus previu que Israel pecaria, de maneira que pôs sob outra aliança a Palestinense, esta aliança era condicional, dependendo da obediência de Israel, fazendo com que o Senhor pudesse castigá-los com desterro temporário da terra, sem rejeitá-los para sempre.

Sintetizando, diríamos:

O cântico de Moisés, capítulo 32, é considerado como um resumo total do livro de Deuteronômio. Pode reunir-se nas três palavras de nosso tema: Recorda, obedece e Cuidado. Foi escrito em forma de cântico para que o povo pudesse recordáIo facilmente. 

É provável que Josué tivesse escrito o relato da morte de Moisés, que se encontra no capítulo 34.



Após a morte de Salomão seu filho Roboão assume o reinado, seria isso uma boa ideia? Nesse pequeno estudo veremos as consequências desse acontecimento. O reino de Israel é dividido em dois: reino sul e reino norte.

REINO DO NORTE E DO SUL

As separação das 12 tribos: 2 tribos para o sul e 10 tribos para o norte. A Israel proclamam Jeroboão como seu rei. Israel foi dividido entre o Reino de Israel (ao Norte com capital em Siquém) e o Reino de Judá (ao Sul com capital em Jerusalém).

Reino do Norte (Israel)

Reino do Sul (Judá)

Essa divisão dos reinos é um dos eventos mais significativos na história de Israel e teve profundas consequências religiosas, sociais e políticas que são refletidas em muitos livros do Antigo Testamento.

A DIVISÃO DO REINO DE ISRAEL

A história da divisão do Reino de Israel. No ano de 931 a.C, depois da morte do grande sábio (chacham — hebraico), o Reino de Israel se dividiu em Norte (que passou a se chamar Reino de Israel) e Reino Sul (que passou a se chamar Reino de Judá). A mão do Deus poderoso que mantinha e conduzia o reino unido de Israel desapareceu.

O Reino do Norte chamado Reino de Israel assumiu Jeroboão filho de Nabat (conforme Biblia de Jerusalém em RS 15,1) tendo como capital Samaria. Este Reino do Norte continha a maioria das tribos de Israel, 10 tribos, e também a maior população. Jeroboão para impedir a ida ao Templo em Jerusalém, mandou construir dois Templos, um em Dá, e outro em Betel.

O Reino do Sul chamado Reino de Judá ficou como outro filho de Salomão Roboão tendo capital Jerusalém. Para o Sul permaneceram as tribos em torno a Jerusalém, Tribo de Benjamin e Judá. Habitam a região montanhosa, árida e seca, menos propensa a agricultura, mas protegida dos invasores do Norte e Sul.

PORQUE A DIVISÃO DO REINOS

Salomão foi um rei de obras grandiosas, gerando também grandes despesas. Para pagamento destas despesas o povo teve de arcar com mais impostos.

Após a morte do rei o povo se dirigiu ao sucessor Roboão pedindo a redução dos pesados encargos colocados sobre eles. Roboão seguindo o conselho de seus amigos jovens disse que em seu reino o jugo seria mais pesado que o de seu pai.

Após essa decisão de Roboão o povo se negou a continuar sendo governado por ele. Levantaram como rei de Israel, Jeroboão, ficando sob as ordens de Roboão apenas a tribo de Judá e Benjamim Re 12). Sendo assim o reino de Israel ficou dividido, formando Judá e Benjamim o reino do Sul e o restante das dez tribos o reino do Norte.

O Reino do Norte (Israel) era menos estável politicamente que o Reino do Sul (Judá), sua duração mais curta como nação independente (209 anos) e a violência ligada à sucessão ao trono comprovam esse fato.

O historiador de Reis considerou -“maus” todos os dezenove governantes de Israel, porque perpetuaram o culto ao “bezerro de ouro” de Jeroboão. A média de duração do reinado de um monarca israelita era de apenas dez anos, e nove famílias dife-rentes reivindicaram o trono.

Para chegar ao trono, o carisma era tão útil quanto a ascendência, mas não era garantia de preservação; sete reis foram assassinados, um cometeu suicídio, um foi ferido por Deus e outro foi deposto e levado para Assíria.

A QUEDA: REINO DO NORTE

O Reino do Norte lutou em varias ocasiões contra o domínio assírio, fazendo ali-anças com outros reinos, como por exemplo, o Egito, e formando uma liga de ci-dades que enfrentavam essa potência.

Em 723 a.C., os líderes do Norte tentaram de algum modo forçar o Reino de Judá a participar de acordos e alianças contra a Assíria. Desesperado, Acaz (732-716), governante de Judá naquela ocasião, pediu auxilio à Assíria contra essa intervenção vinda do Reino do Norte, o que desencadeou a tomada da região pelo exercito assírio. Em 732 a cidade de Damasco e a Galiléia foram sitiadas, restando ao reino de Israel submeter-se ao controle estrangeiro. Nessa região a migração forçada de colonos estrangeiros não foi comprovada, porém é certa a formação de uma nova identidade étnica através da mistura dos assírios com a população local.

A perda, nessa ocasião de cerca de dois terços de seu território fez com que restasse ao povo do Reino do Norte  aproximadamente apenas as montanhas de Efraim, com a capital Samaria. O rei Oséias (731-723 a.C.), de Israel, que assumiu o trono sob a concordância do rei assírio TiglatePileser III, não se conformando com a perda territorial e de independência, pediu auxílio ao Egito, que lhe prometeu enviar forças militares, que nunca chegaram.

De qualquer modo, os anos que se seguiram foram marcados pela esperança de libertação. Porem, em 722 0 Reino do Norte foi definitivamente conquistado por Salmanaser V (726-722 a.C.), ocorrendo a consolidação assíria com Sargão  II (722-705 a.C.). Samaria foi repovoada por colonos estrangeiros e a população deportada por todo o império assírio.

REIS DE ISRAEL APÓS A DIVISÃO

Para esta época, a maioria dos historiadores segue as cronologias estabelecidas por William F. Albright ou Edwin R. Thiele, ou a nova cronologia de Gershon Galil. Iremos seguir a cronologia de Edwin R. Thiele. As datas são a.C.

Após a divisão do Reino de Israel, o Reino do Norte, conhecido como Israel, teve uma série de reis que governaram até o exílio assírio. Esses reis, muitos dos quais seguiram caminhos de idolatria, enfrentaram instabilidade política, conspirações e conflitos com as nações vizinhas. A seguir está a lista dos reis de Israel até o exílio:

  1. Jeroboão I (931-910 a.C.) – Primeiro rei de Israel após a divisão. Ele estabeleceu santuários em Betel e Dã, promovendo a adoração de bezerros de ouro para evitar que o povo fosse a Jerusalém.
  2. Nadabe (910-909 a.C.) – Filho de Jeroboão, continuou as práticas idólatras de seu pai. Foi assassinado por Baasa.
  3. Baasa (909-886 a.C.) – Usurpador do trono, exterminou toda a casa de Jeroboão. Seguiu na idolatria e enfrentou conflitos com Judá.
  4. Elá (886-885 a.C.) – Filho de Baasa, foi assassinado por Zinri enquanto estava embriagado.
  5. Zinri (885 a.C.) – Governou por apenas sete dias após matar Elá, mas se suicidou quando Omri, comandante do exército, cercou a cidade.
  6. Omri (885-874 a.C.) – Fundador de uma dinastia forte, construiu a nova capital em Samaria. Estabeleceu alianças políticas e consolidou o poder, mas promoveu a idolatria.
  7. Acabe (874-853 a.C.) – Filho de Omri, é um dos reis mais conhecidos. Casou-se com Jezabel, introduzindo o culto a Baal em Israel. Seu reinado foi marcado por confrontos com o profeta Elias.
  8. Acazias (853-852 a.C.) – Filho de Acabe, continuou a adoração a Baal e enfrentou o julgamento de Deus por meio de Elias.
  9. Jorão (ou Jeorão) (852-841 a.C.) – Irmão de Acazias, teve um reinado marcado por conflitos com Moabe e Aram. Enfrentou oposição de Eliseu, o profeta.
  10. Jeú (841-814 a.C.) – Usurpador, foi ungido por Eliseu para destruir a casa de Acabe. Exterminou a família real e os adoradores de Baal, mas continuou com a idolatria dos bezerros de ouro.
  11. Jeoacaz (814-798 a.C.) – Filho de Jeú, sofreu sob a opressão de Hazael, rei da Síria, devido à idolatria persistente.
  12. Jeoás (ou Joás) (798-782 a.C.) – Filho de Jeoacaz, recuperou territórios perdidos para a Síria e foi um dos reis que buscou uma forma de restauração para Israel.
  13. Jeroboão II (793-753 a.C.) – Reinado próspero, expandiu as fronteiras de Israel. No entanto, a injustiça social e a idolatria aumentaram durante seu governo.
  14. Zacarias (753-752 a.C.) – Filho de Jeroboão II, reinou por apenas seis meses antes de ser assassinado, encerrando a dinastia de Jeú.
  15. Salum (752 a.C.) – Usurpador, reinou por apenas um mês antes de ser morto por Menaém.
  16. Menaém (752-742 a.C.) – Governou com crueldade, submetendo Israel à dominação assíria e impondo tributos pesados.
  17. Pecaías (742-740 a.C.) – Filho de Menaém, foi assassinado por Peca, um de seus capitães, que tomou o trono.
  18. Peca (752-732 a.C.) – Governou durante um período de grande instabilidade. Formou uma coalizão contra a Assíria, mas foi derrotado e deposto por Oséias.
  19. Oséias (732-722 a.C.) – Último rei de Israel, tentou se aliar ao Egito contra a Assíria, mas foi capturado. Sua rebelião levou à queda de Samaria e ao exílio assírio.

O reinado de Oséias marcou o fim do Reino do Norte, com a captura de Samaria em 722 a.C. pelo Império Assírio, levando o povo ao exílio e dispersão. O Reino de Israel, após mais de 200 anos de existência, deixou de ser uma nação independente.

A palavra final do destino de Israel é encontrada cf. 2Reis 17.22-23.

Após a morte do rei Salomão, o Reino de Israel se dividiu em dois: o Reino do Norte, conhecido como Israel, e o Reino do Sul, chamado Judá. Judá, composto pelas tribos de Judá e Benjamim, permaneceu com Jerusalém como sua capital, onde estava o Templo construído por Salomão. Enquanto o Reino do Norte seguiu por caminhos de idolatria e instabilidade política, Judá manteve uma linhagem de reis da casa de Davi, com períodos de maior fidelidade ao culto a Yahweh.

No entanto, Judá também enfrentou desafios, como a tentação de adotar práticas religiosas pagãs dos povos vizinhos e períodos de apostasia, que frequentemente levavam a consequências graves, como invasões e catástrofes. Reis como Asa, Josafá, Ezequias e Josias destacaram-se por suas reformas religiosas e esforços para restaurar o verdadeiro culto a Deus. Esses períodos de avivamento espiritual contrastaram com reinados como o de Manassés, que foi marcado por uma forte idolatria e violência.

Judá resistiu por mais tempo que Israel, mas, devido à crescente infidelidade e injustiça social, acabou sendo conquistado pelo Império Babilônico em 586 a.C., culminando com a destruição de Jerusalém e o exílio da elite judaica para Babilônia. Essa tragédia marcou um ponto crucial na história de Judá, levando à reflexão sobre a necessidade de fidelidade ao pacto com Deus.

A tribo de Simeão, por ter o seu território no meio da tribo de Judá, com o passar do tempo foi englobada pela tribo de Judá por esta ser mais numerosa do que ela. A tribo de Benjamin também foi absorvida por Judá, tendo deixado de existir como tribo separada e funcional, entretanto, esta tribo ainda existia em termos territoriais, por isso ela é citada em I RS 12.21. Mas, em I RS 11. 13,32,36 e I RS 12.20, aparece apenas a tribo de Judá.

As dez tribos do Norte provavelmente devem estar contando com a tribo de Simeão, pois mesmo o seu território tendo sido englobado pela tribo de Judá, os seus descendentes parecem ter ido habitar ao norte com as outras tribos e não aceitaram a dinastia de Davi. No texto de II Cr 15.8,9, o cronista deixa subtendido que Simeão estava com o reino do Norte.

A QUEDA: REINO DO SUL

O Reino de Judá limitava-se ao Norte com o Reino de Israel, a Oeste com a inquieta região costeira da Filistia, ao Sul com o Deserto do Neguebe, e a Leste com o Rio Jordão e o Mar Morto e o Reino de Moabe. Era uma região montanhosa, fértil, relativamente protegida de invasões estrangeiras (o território da Tribo de Judá manteve-se basicamente o mesmo durante os mais de 300 anos de sua existência). Sua capital era Jerusalém, onde encontrava-se o Templo do Deus de Israel mandado construir pelo rei Salomão para abrigar a Arca da Aliança.

Sobreviveu ainda por cerca de 200 anos, quando em 587 a capital foi destruída e os moradores levados para o exílio em Babilônia. Segundo a Bíblia, quando esses deportados voltaram do exílio e tentavam reconstruir o templo, os Samaritanos queriam frear a construção. Também teriam se aliado contra os judeus na época de Antíoco IV.

O Reino de Judá entrou em conflitos com os reinos de Moabe, Amom e os filisteus. Entretanto, o principal adversário político e militar do Reino de Judá foi o Reino de Israel. Inúmeras vezes travaram-se batalhas entre as dois reinos, com vitórias pouco significativas para cada lado. Israel tornou-se fortemente influenciado pela cultura cananéia e pela religião fenícia, enquanto Reino de Judá permaneceu, de maneira geral, fiel à sua fé em YHVH, o Deus dos patriarcas hebreus.

O culto a YHVH (Deus) e a preservação da linhagem real davídica do qual deveria vir o prometido Messias, de acordo com os profetas do Velho Testamento, é a jus-tificativa para a misericórdia de Deus sobre o Reino do Sul, ao passo que o politeísmo de Israel teria sido responsável por sua ira sobre seus governantes.

O Reino de Judá viu o perigo das potências estrangeiras emergentes quando a capital de Israel, Samaria foi tomada pelo rei assírio Sargão, em 722 a.C.. Mais tarde, o Rei Senaqueribe invade o Reino de Judá e sitia Jerusalém, mas sem a conquistar. Segundo a Bíblia, o seu exército foi “subitamente destruído por obra de Deus”.

O Reino do Sul persistiu por mais de um século e meio depois da destruição de Israel. Ao contrário de Israel, os reinados dos dezenove reis e uma rainha em Judá, tiveram duração média de mais de dezessete anos.

A dinastia de Davi foi a única a reivindicar o trono do Sul, realçando a estabilidade política. O reinado terrível da rainha Atália foi a única interrupção da sucessão davídica. No entanto em Judá também ocorreram intrigas políticas, pois cinco reis foram assassinados, dois foram feridos por Deus e três foram exilados. O historiador de Reis relatou que oito monarcas de Judá foram “bons” porque seguiram o exemplo de Davi e obedeceram a Deus. Foram eles:

  1. Asa;
  2. Josafá;
  3. Joás;
  4. Amazias;
  5. Uzias;
  6. Jotão;
  7. Ezequias;
  8. Josias.

(Os reis Ezequias e Josias são idealizados como personagens semelhantes a Davi e Salomão porque purificaram o templo e restauraram a adoração adequada em Jerusalém.)

REIS DE JUDÁ APÓS A DIVISÃO

Após a divisão do Reino de Israel, o Reino do Sul, conhecido como Judá, teve uma série de reis que governaram até o exílio babilônico. Aqui está a lista dos reis de Judá, desde a divisão até o exílio:

  1. Roboão (931-913 a.C.) – Filho de Salomão, foi o primeiro rei de Judá após a divisão. Seu reinado foi marcado pela divisão do reino devido a sua recusa em aliviar a carga tributária do povo.
  2. Abias (913-911 a.C.) – Filho de Roboão, governou por um curto período e continuou em guerra contra o Reino do Norte.
  3. Asa (911-870 a.C.) – Conhecido por suas reformas religiosas, Asa eliminou muitos dos ídolos e promoveu o culto a Yahweh.
  4. Josafá (870-848 a.C.) – Filho de Asa, continuou as reformas religiosas e fortaleceu Judá tanto espiritualmente quanto militarmente.
  5. Jorão (848-841 a.C.) – Casou-se com Atalia, filha de Acabe e Jezabel, do Reino do Norte, o que trouxe influências pagãs para Judá.
  6. Acazias (841 a.C.) – Reinado curto, foi influenciado por sua mãe Atalia, e manteve a idolatria.
  7. Atalia (841-835 a.C.) – Única mulher a governar Judá, tomou o trono após a morte de seu filho Acazias e tentou exterminar a linhagem real de Davi.
  8. Joás (835-796 a.C.) – Sobreviveu ao massacre ordenado por Atalia e foi colocado no trono com apoio do sacerdote Joiada. Inicialmente fez reformas religiosas, mas depois se desviou.
  9. Amazias (796-767 a.C.) – Filho de Joás, iniciou bem seu reinado, mas depois se desviou e sofreu uma derrota contra Israel.
  10. Uzias (ou Azarias) (767-740 a.C.) – Um rei forte e próspero que promoveu a agricultura e a guerra, mas foi afligido por lepra por usurpar o papel dos sacerdotes.
  11. Jotão (740-732 a.C.) – Filho de Uzias, governou durante o período de lepra de seu pai e depois reinou sozinho. Foi um rei justo e seguiu os caminhos de Deus.
  12. Acaz (732-716 a.C.) – Um dos piores reis de Judá, Acaz introduziu a adoração a deuses pagãos e buscou ajuda da Assíria em vez de confiar em Deus.
  13. Ezequias (716-687 a.C.) – Conhecido por suas grandes reformas religiosas e por resistir à invasão assíria. Reabriu o Templo e restaurou o culto a Yahweh.
  14. Manassés (687-642 a.C.) – Um dos reis mais ímpios, Manassés introduziu idolatria e práticas pagãs, mas se arrependeu no final de sua vida.
  15. Amom (642-640 a.C.) – Seguiu os passos de seu pai Manassés no pecado, mas foi assassinado por seus servos após dois anos de reinado.
  16. Josias (640-609 a.C.) – Um dos maiores reis de Judá, Josias promoveu uma grande reforma religiosa após a descoberta do Livro da Lei no Templo.
  17. Jeoacaz (609 a.C.) – Reinou por apenas três meses antes de ser deposto pelo faraó Neco do Egito.
  18. Jeoaquim (609-598 a.C.) – Colocado no trono pelo faraó Neco, governou sob a influência egípcia e, depois, babilônica, e foi um rei impiedoso.
  19. Joaquim (598-597 a.C.) – Reinou por apenas três meses antes de se render a Nabucodonosor II da Babilônia e ser levado cativo.
  20. Zedequias (597-586 a.C.) – Último rei de Judá, foi instalado como um vassalo de Babilônia, mas se rebelou contra Nabucodonosor, levando à destruição de Jerusalém e ao exílio babilônico.

O reinado de Zedequias marcou o fim do Reino de Judá como uma nação independente até o retorno dos exilados. O Reino do Sul também foi levado cativo, por não obedecer aos mandamentos do Senhor, cf. 2Cr 36.19-21



CARDOSO, Carlos Oswaldo CP., Foco e Desenvolvimento do Antigo Testamento. 1a Edição. SP. Ed. Hagnus, 2006.

GRONINGER, Gerard Von. Criação e Consumação: O Reino, A

Aliança E O Mediador. 1a Edição. SP. Editora Cultura Cristã, 2002

GRONINGER, Gerard Von. Revelação Messiânica no Antigo Testamento. 1a edição. SP. Ed. Cultura Cristã 1995

Cyrus Ingerson Scofield foi um teólogo estadounidense, ministro religioso, e escritor cujo livro best-sellier, Bíblia de Referência Scofield, popularizou o futurismo e o dispensacionalismo entre os fundamentalistas cristãos.



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